15 de abr. de 2008

A gastança está chegando ao fundo do poço

Entre o Passado e o futuro
Eliana Cardoso em O Estado de São Paulo


O preço das commodities tende a se inverter. O aquecimento da economia brasileira coincide com uma conta corrente deficitária e o FMI projeta queda do fluxo de capitais para os países emergentes.
A repetição do passado é o único futuro possível?
Na conferência Escritores Criativos e Devaneios, Freud imagina um jovem pobre e órfão que, a caminho do endereço de um possível emprego, sonha acordado com uma acolhida positiva. Ele saberia tornar-se indispensável, vai maquinando. Depois se casaria com a filha de seu empregador e passaria a dirigir o negócio como sócio. E, já no meio da caminhada, vê em si o inevitável sucessor do patrão. Em sonho, o jovem readquiria o que possuíra na infância: uma casa protetora e o carinho dos pais. O exemplo serve a Freud para concluir que nossos desejos (nem sempre conscientes) se alimentam de um passado (muitas vezes esquecido) para elaborar o futuro.
"Algumas vezes o peso do passado é mais presente do que o presente", reflete o historiador mexicano Enrique Krauze (foto). E, assim, estende a uma sociedade inteira o pensamento de Freud sobre a experiência do homem que, preso a devaneios e a forças inconscientes, repete o passado incessantemente. Desta forma, poderíamos ver na evolução dos países latino-americanos através dos tempos a repetição infindável dos mesmos erros.

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