22 de mai. de 2007

T.O.C.

Por Adriana Vandoni

Na Roma Antiga foi instituída a política do pão e circo. Para dispersar problemas sociais e evitar rebeliões, os romanos recebiam alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios, onde o pão era distribuído. Mais ou menos assim o Brasil está vivendo.
A Polícia Federal tem demonstrado muito trabalho. Minuciosa investigação. Mas e daí? E daí que todas as ações, primorosamente gravadas e transmitidas a todo o país nunca provocam senão uma prévia condenação moral, sem um desfecho real. Qual foi o resultado das outras operações?
Se bem entendi, a PF faz as investigações, as prisões e entrega à justiça. Pois bem, o que a justiça decidiu na Operação Sanguessuga, ou no mensalão? Achei até graça quando li que a Justiça e a PF vão descobrir a origem do dinheiro apreendido na casa de José de Ribamar Riberia, fiscal da Secretária de Infra-Estrutura do governo do Maranhão e envolvido no esquema Gautama. Por favor!, a origem do dinheiro para compra do dossiê até hoje não foi descoberta, vão me convencer que agora vão descobrir?
O trabalho é departamentalizado e se não houver prosseguimento, ficará tudo só no espetáculo.
A população de hoje, diferente dos romanos de a.C., quer resultados. Que sejam presos os suspeitos, retratados os inocentes e penalizados os culpados. Dessa forma está apenas desmoralizando todo o trabalho da polícia federal. Vamos lá, vamos descobrir desde quando Zuleido Veras opera no Brasil. Aliás, vamos descobrir quantos Zuleidos operam no país. É provável que cada estado tenha o seu Zuleido, a diferença é que este teve a ousadia de ser nacional e suprapartidário.
Em meio a toda esta zona moral, os engraçadinhos do Congresso se mobilizam para arrecadar assinaturas para instaurar uma CPI – a CPI da Gautama. Ora Senhores Parlamentares, a função do Congresso não é investigar, isso compete à Polícia que vem fazendo seu trabalho. No lugar de ficarem em busca de holofotes deveriam trabalhar para votar as reformas necessárias e, por exemplo, acabar com as emendas, que ajudaram a transformar o Congresso nisso que é hoje, uma casa desmoralizada que no lugar de se preocupar com melhorias para o país, fica discutindo se a deputada é feia e o deputado é gay. Falta do que fazer!
Quanto a operação Navalha, me chamou atenção o relato na televisão de que Zuleido Veras, ao chegar em um aeroporto, “foi ao banheiro, abaixou a tampa da privada, sentou-se, não tirou a roupa, ficou por alguns minutos e entrou na sala de embarque. Foi direto a outro banheiro, fez a mesma coisa e antes de se levantar disse: dez”. Gente, se ele não entrou para esconder o dinheiro no corpo, como informou a PF, se não foi para soltar gases, como informaria a PF, não pode ser T.O.C.? O T.O.C. ou transtorno obsessivo compulsivo atinge aproximadamente 2% da população brasileira. A grosso modo, é a repetição compulsiva ou obsessiva de um ato.
Obsessão ou compulsão por dinheiro público, por obras públicas, até se entende, né?, uma mordidinha aqui outra ali, até já nos acostumamos, são os cleptomaníacos públicos, ladrão é pra pobre, né?, mas obsessão por banheiros públicos? Esquisito, não?
Ê Brasil, melhor impossível!

Um comentário:

PapoLivre disse...

Benevolência faz parte do seu caráter. O dinheiro da Roseana? O dinheiro dos cumpanheiros aloprados?Vampiros, Sanguessugas, Cartilhas? Chegamos à perfeição no caradurismo, fazem a barba com enxó e usam óleo de peroba no lugar de loção pós barba.