6 de ago. de 2007

Fernando Henrique Cardoso se Manifesta

Por um longo período não acreditava muito em Fernando Henrique Cardos como administrador, me aprecia um teórico, de muito trovões e pouca chuva. Mas me enganei, mesmo sem ser economista, foi um excelente ministro da Fazenda (governo Itamar Franco), pois teve a capacidade de cercar-se do que havia de melhor na área.Sua candidatura à presidência chegou naturalmente e venceu no primeiro turno, enfrentando Lula, que até o vitorioso Plano Cruzado, tinha a sua eleição como favas contadas. Na reeleição o fato repetiu-se.
O que quero dizer é Fernando Henrique Cardoso, sempre foi um homem culto, educado e cônscio de seu cargo de presidente e também de ex-presidente.
Seguiu a regra de não falar mal em público de seu sucessor, a pesar das grosserias que alvo por parte de Lula e de seus asseclas, pois faz parte da liturgia do cargo. Ontem Fernando Henrique Cardoso publicou um artigo no Blog do Noblat, fazendo duras e pertinentes críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao que tudo indica, o fato inusitado deve-se à sua preocupação sobre a degradação que os donos do poder estão impondo ao Brasil. Seu artigo lembra o “Manifesto dos Mineiros (1943) que foi o passo inicial que levou ao fim da ditadura Vargas. (G.S.). Abaixo um trecho de sue artigo.
“O presidente Lula só faz autocrítica indiretamente, sem assumir responsabilidade pelas decisões que toma. Apenas lamenta “a quantidade de coisas que eu falei e falava porque era moda falar, mas que não tinha substância para sustentar na hora em que você pega no concreto”. No exercício do governo, sempre que pode, se refugia nas frases vagas, na cobrança genérica de responsabilidades, no jogar toda culpa no passado e se contenta com elogios fáceis a si mesmo, do tipo “nunca neste país...” Em parte a retórica presidencial é certa: nunca houve tantos escândalos e, o que é pior, nunca qualquer outro presidente passou tanto a mão na cabeça dos envolvidos (“não se comprovou nada, são aloprados e não criminosos, errar é humano”).”

Simbolismo e liderança
Por Fernando Henrique Cardoso

O esforço de arrancada na direção do futuro exige objetivos claros
A despeito das oscilações recentes do mercado financeiro, que ninguém sabe se serão soluços passageiros ou sinais de desarranjos mais profundos na economia mundial, é inquestionável que a prosperidade gerada pelo fim dos ajustes financeiros dos turbulentos anos 90 e, principalmente, pelo ingresso da China no mercado mundial favoreceu enormemente as economias emergentes.
Os países em desenvolvimento que já dispunham de alguma base industrial e foram capazes de ativar mecanismos públicos e privados de decisão estão se transformando, no embalo da economia mundial, a um ritmo impressionante. Nessa onda favorável, também o Brasil avança. Nossa economia só não começou a mostrar há mais tempo os resultados dos esforços que vinha fazendo desde o Plano Real e da mudança cambial de 1999 porque a crise energética de 2001 e os temores desencadeados pela perspectiva de uma guinada brusca com a eleição do governo petista comprometeram os resultados econômicos de 2002 e de 2003, os quais só apareceram com força depois de 2005.
Vivemos, portanto, um momento extremamente favorável para consolidar as reformas modernizadoras do governo, da sociedade e dos mercados iniciadas anteriormente. Um momento que requer visão de grandeza: abrem-se possibilidades para o Brasil se afirmar como uma grande nação. Isto é, como um país democrático, com uma economia tecnologicamente moderna e competitiva, respeitador das instituições e dos contratos, que ofereça condições universais de acesso à educação, à saúde, à terra e ao trabalho para que seu povo desfrute de uma vida digna. Portanto, um país que não se conforme em manter uma parcela ponderável de seus habitantes sem emprego decente, requerendo assistencialismo governamental.
O esforço de arrancada na direção do futuro exige objetivos claros e persistência no caminho escolhido, requer coragem nas decisões e eficiência para implementá-las. Não deixa de ser preocupante que o PT tenha chegado ao Poder no momento que mais exige tais qualidades. Por mais que o atual governo tenha dado continuidade às políticas macroeconômicas que herdou, das quais sempre foi crítico e — pasmem! — continue sendo, não soube fazer a revisão programática que lhe permitiria levar adiante um projeto verdadeiramente nacional. Um projeto que abrangesse todas as correntes da sociedade e transcendesse os interesses meramente partidários corporativos e pessoais. Um projeto que avançasse nas reformas institucionais e permitisse uma colaboração verdadeira entre o estado regulamentador e a iniciativa privada disposta a empreender, especialmente no campo da infra-estrutura. Um projeto verdadeiramente democrático ao abrigo de recaídas populistas.
O presidente Lula só faz autocrítica indiretamente, sem assumir responsabilidade pelas decisões que toma. Apenas lamenta “a quantidade de coisas que eu falei e falava porque era moda falar, mas que não tinha substância para sustentar na hora em que você pega no concreto”. No exercício do governo, sempre que pode, se refugia nas frases vagas, na cobrança genérica de responsabilidades, no jogar toda culpa no passado e se contenta com elogios fáceis a si mesmo, do tipo “nunca neste país...” Em parte a retórica presidencial é certa: nunca houve tantos escândalos e, o que é pior, nunca qualquer outro presidente passou tanto a mão na cabeça dos envolvidos (“não se comprovou nada, são aloprados e não criminosos, errar é humano”).
De conseqüências ainda mais funestas do que a atitude leniente, talvez seja a falta de compreensão histórica do governo e de seu líder. No afã de aumentar a popularidade e de iludir quem não tem acesso à melhor informação, governo e presidente assumem como próprio o que herdaram. Pouco importa, se for para o Brasil continuar avançando. Mas importa sim, e muito, que estejam desperdiçando uma oportunidade histórica excepcional para que o Brasil dê um salto de qualidade, assegurando em benefício desta e das gerações futuras. Aqui sim cabe a frase: nunca neste país houve maior apagão ideológico e maior desídia frente ao interesse público. O que vemos é um quadro de paralisia governamental, de desconexão, de imprevidência e de incompetência, recheada com uma retórica irresponsável.
Digo com lástima, sinceridade e franqueza: jamais imaginei que chegássemos a tal ponto de degradação. Fui testemunha da ação inovadora de Lula no sindicato e corajosa na política, quando ainda não era o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca o considerei, nem naquela época, um líder excepcional, pois faltava-lhe firmeza para contrapor-se à opinião da maioria ocasional, mas o tinha por um símbolo: migrante nordestino, corajoso e lutador que superou barreiras sociais. Tinha-o, e ainda o tenho, como um homem de boa índole, que em termos gerais deseja o bem do povo. Mas me decepciona vê-lo desperdiçar a oportunidade que tem nas mãos. Opus-me aos que, em 2005, cogitaram de propor o impeachment, não porque faltassem argumentos jurídicos nem porque quisesse vê-lo sangrar aos poucos, mas porque acreditava, como continuo acreditando, que o conteúdo simbólico de sua liderança é um patrimônio do país que não deve ser destruído. Lamento vê-lo agora destruir por suas próprias palavras e atos o capital de credibilidade que conquistou.
Presidente: em nome da sua e da história de nosso país, não se rebaixe à vulgaridade em nome da popularidade, resguarde-se de dizer tantos impropérios que machucam o bom senso, a solidariedade e a democracia. Por favor, tenha um pouco mais de grandeza, de que tanto necessitamos!


6 comentários:

Anônimo disse...

É isso aí, senhor Fernando, o senhor que foi tão atacado por ele durante quatro anos, chegou em exata hora a sua resposta. A pior falha de um presidente não é a incapacidade, mas o fato de não punir os culpados. Já conhecemos a índole dele, quando ameaçado, culpa seus antecessores, a mídia golpista e de que nada sabia. É uma saída imediatista dos incapacitados, fracos de atitudes, sem poder de autoridade e comando. É uma pena, pobre país e povo!

Anônimo disse...

FERNANDO HENRIQUE É VERDADEIRAMENTE UM SIMBOLO. E NAO ESSE MOLUSCO DEMAGOGO, E NAZISTA.

Anônimo disse...

FHC é bom pai: Roubou com o filho na feira de Hanpover;
É bom marido: A ONG de Dona Ruth recebeu 50 milhoes do Governo Federalno último mandato de Fernandinho. O TCU tá fazendo auditoria...cuidado Fernadinho ladrão intelectual.

Anônimo disse...

Li uma meia dúzia de artigos deste blog e, neste a evidência grita. Dalta aos olhos. Cadê a logomarca do tucanato? Onde puseram o bichinho empoleirado? É uma vergonha!
Saudades de FH? Chora nenném!

Unknown disse...

O Ex presidente FHC, teve foi muito jogo de cintura para barrar todas as CPIS que poderiam vir a arruinar seu governo, isso não quer dizer que ele seja um eterno bonzinho, mas foi muito competente sim, principalmente no que se refere ao projete de sua reeleição, onde caberia muito bem uma CPI e tenho convicção que se tivesse sido aberta essa CPI seu governo desmoronava.

Anônimo disse...

Fernando Henrique Cardoso é realmente um MOLUSCO DEMAGOGO, NAZISTA, CORRUPTO, LADRÃO E MENTIROSO...
Lembram da miséria que seu filho fez na Feira de Hannover?
Lembram da festança de R$ 50 milhões para a ONG da ESPOSA DONA RUTH?
Lembram da compra de votos(R$200.000,00 - cada um) para a aprovação da reeleição?
Lembram do filho com a jornalista da GLOBO e que a GLOBO SUSTENTAVA PARA O PRESIDENTE?
Lembram de milhares de outras cositas mais?
Aliás, um esclarecimento: O Plano REAL foi do Governo ITAMAR, viu?
O FHC comete estelionato quanto diz mentirosamente que foi dele...