29 de out. de 2007

Uma grande novidade

Por Giulio Sanmartini

Quando fui morar em Salvador, na metade dos anos 1960, uma das coisas que me impressionou foi que as pessoas cuspiam, urinavam e faziam outras coisas de mais substância pelas ruas.
Na Ladeira Misericórdia (Praça da Sé), pelas 5 e meia da tarde, passavam as pessoas que saiam do trabalho descendo para pegar a condução que os levaria para casa, mas parecia um vício: ao chegar sempre no mesmo ponto, botavam para fora o Bráulio e faziam seu xixi, eram tantos que chegava a formar-se um pequeno córrego.
No Rio de Janeiro, ainda existiam banheiros públicos, lembro bem o do Campo de Santana, daquele de São Cristóvão e o da Praça Tiradentes, que eram de uso grátis.
Passaram-se muitos anos, e em 1998 fui ao Rio para um série de palestras no Museu Histórico (praça Mal. Âncora). Perto de um terminal de ônibus fiquei impressionado com os verdadeiros lagos de mijo formados na calçada feitos pelos motoristas que não tinham banheiro perto e pior que tudo, fui observando que o fenômeno repetia-se m vários lugares da cidade.
Mas o negócio não é privilégio dessas duas cidades brasileiras, tomo conhecimento que se tornou uma praga, imaginem só, em Paris. No décimo “arrondissement” um bairro étnico e pobre onde o solo público é usado como “res nullius” (terra de ninguém) por mês são urinados 65 mil m² de muros, mas o prefeito tomou um providência, mandou pinta-los com uma tinta plástica esponjosa que primeiro absorve o líquido e imediatamente após o expele em formato no leque no mijão.O fato me fez lembrar algo que li na parede de um banheiro de botequim no centro do Rio: “Obrigado português por esses banheiro indecente/ invés da gente mijar nele, é ele que mija na gente”.
(*) Na foto, o rapaz faz seu xixi decente.

3 comentários:

Anônimo disse...

Caro Giulio,

Em Salvador continua tudo como dantes no quartel de Abrantes... Como uma novidade: é comum na estrada para e de Camaçari, o ônibus parar para algum passageiro, com a maior calma, sair e aliviar a bexiga enquanto todos os outros passageiros esperam. Em seguida sacode a pingola que por vezes deixa uns pingos na calça e sobe para continuar viagem...
A mesma mão da mijada é a que vai se segurar dos apoios usado por todos...
O certo é que ninguém se importa.

ma gu disse...

Alô, Giulio.

Esses hábitos eles levam para onde vão. Assoar o nariz e limpar os dedos na roupa, jogar qualquer tipo de lixo na rua, entre vários outros hábitos que os fazem sentir-se em casa...
Um amigo morou em Ilhéus vários anos. E ele teve de construir fossa séptica para os dois vizinhos dos lados. Porque não sabiam o que era e também não tinham dinheiro para fazê-lo. Foi a única maneira de se livrar do mau cheiro, porque faziam do quintal do terreno seu banheiro.

Ralph J. Hofmann disse...

Ha alguns anos atrás meu sócio e eu estivemos no Méridien no Rio.
Bem ao sair do hotel o cheiro que nos assalta não é de mijo. É de feses!

Mas já em Paris eu lembro de yter visto que a varredora pequena (aquela versão da máquina de varrer ruas que cabe nas calçadas) passava pelo menos três vezes por dia e as vezes uma à noite lavando as calçadas no centro.