15 de nov. de 2007

CPMF

Millôr Fernandes escreve “Carta ao companheiro e comandante” diz a Lula o que pensa do CPMF (Veja edição 2.033 – 7/11/2007)

"Companheiro Lula. Se me permite. Acho que ainda é tempo. Deixa pra lá essa tal de CPMF. Ou combine com seus companhos, afetos, apaniguados, todos os seus goodfellas, e também todos os seus adversários de boa-fé: a CPMF fica. Mas todo o dinheiro vai, como era idéia do Jatene, pra saúde. Não, corrige aí: pra doença.
Mas tu me perguntarás, na tua eterna dúvida filosófica: "E como é que vou governar, Millôr? O Manteiga disse que sem essa gaita não é possível tocar o país, quero dizer, o Bolsa Família".
Honesto Lula (Otelo, do Shakespeare, pro Iago, do mesmo), a coisa é tão simples que salta aos olhos de um cego (deficiente visual): Libera as drogas! Tudo. É. TUDO!
Olha, companho, o dinheiro dos impostos sobre drogas (e fabrico e comercialização, transporte, tudo devidamente estatizado) vai dar até pra avião novo e algum pra distribuir entre os afro-africanos.
"Liberar drogas, Millôr, tu tá maluco? Só o Gabeira vai ficar a favor! Tu te responsabiliza pelo que vem depois?"
Eu não me responsabilizo por pomba nenhuma, companho, não sei o que vai acontecer depois. Quem tem prospectiva, expectação, probabilidades, antevisão, prenúncio, conjectura, prognóstico, antevisão, cheirar ao longe, prelibação, presciência, vaticínio, é economista. Pergunta aos economistas aí. Tem tanto.
Mas uma coisa eu te garanto: liberadas as drogas, na mesma hora, não é no dia seguinte, não, companho, desaparece o traficante. Não precisa esperar os tais 20 anos pra que a educação e o apoio social (escolas, creches, centros de cultura e o escambau) resolvam a questão. E uma coisa eu prevejo, companho – ninguém morre mais de bala perdida.
Efeito negativo – sei lá. Os Estados Unidos, que tanta coisa nos encinam, encinam ou insinão?, podem nos ensinar também essa. Nos 10 ou 12 anos que teve por lá a Prohibition (no Brasil Proibição ou, mais popular, Lei Seca) nunca se bebeu tanto. Imediatamente, como aqui, se criou o "crime organizado". E a polícia corrupta. O mínimo que os policiais honestos faziam era revelar uma batida. Lembra alguma coisa? Nos speakeasy ("Falabaixo!, cara, tem sempre gente ouvindo") era um luxo encher a cara.
Reinava então, rei de Chicago, o saudoso Al Capone (diz aí sinceramente: se aparecer um filme novo com ele você vai ou não vai correndo ao cinema?). Cada tempo tem o Che Guevara que merece.
E, lá como aqui, ninguém escapava – até o genial Piazzola, com 12 anos, de vez em quando o pai mandava entregar uma encomenda de moonlight (uísque de banheira). Avião, sim, senhor.
Suspensa a Lei Seca, é claro que o crime derivou pra outras formas de lucro, como seqüestro e "proteção".
Claro que aqui – agora vou bancar o economista e prever – o crime também vai pra outros lados. Mas bala perdida, repito, nunca mais. Nem a morte e o crime estarão localizados em áreas onde vive grande parte da população pobre.
E é evidente que vai aumentar muito o assalto a banco. Quanto a isso, juro, não tenho opinião formada. Eles que são brancos que se entendam.

3 comentários:

Anônimo disse...

Ô Millor


as drogas foram liberadas no Brasil em 2002, com a eleição do apedeuta-chefe e demais lixos, montados na máquina pública e principalmente, com a chave do cofre TESOURO NACIONAl à disposição delles.

Beira-Mar e Marcola se torcem de inveja da ÇUFISTICADA ORGANIZASSÃO CRIMOZA

ma gu disse...

Alô, Giulio.

Imitando Ralph, vai aqui uma fábula:
Partindo-se do princípio que o problema principal são sempre os usuários, em um eventual reino tropical, o rei Sapo Néscio baixa uma medida provisória (ele gosta muito) extensa, com foro constitucional, descriminalizando a importação, fabrico, comércio e consumo de fármacos psicoativos. Cria mais um ministério (também gosta muito) o Ministério dos Fármacos e Outros Dependentes (Mifode), e nomeia a raposa Dirceu com ministra, para orquestrar tudo. Cobra 50 milhões de dólares a título de taxa de licença de cada uma das dez empresas que vão processar os produtos e colocá-los em todas as farmácias do país. Nada dessa história de tarjas. A MP preve que não há limite de idade para a compra. Estabelece acordos diplomáticos com reinos como Boslívia, Coslombia, Pesrú, etc, para importar matéria prima oficialmente. Dá exclusividade de plantio de matéria prima para o MSST (Movimento dos Sapos Sem Terra). Estabelece pena imediata de cadeia (defesa será aceita somente para presos) a quem sonegar o imposto único de 36%. Os preços de venda dos produtos devem ser acessíveis. Sem atendimento médico grátis para dependentes. Cria uma lista de doenças derivadas do uso. Ao ser descoberto como usuário, será posto para fora do pronto-socorro gratuito, sem acusação ao médico de omissão de socorro. Dependentes que praticarem crimes terão sua pena duplicada, até as multas de trânsito. (São só linhas essenciais da fábula. Pode ser muito melhorada por sugestões dos leitores).
Assim, o reino pôde se livrar de quase todos os outros tributos (menos o IR). Aumentou muito a atividade industrial, comercial e serviços, muitos empregos para a bicharada, assistência médica decente para (quase) todos, mais bolsas para os pobres, os bichos não reclamavam mais dos altos custos do Legislativo. Bondades paralelas aconteceram nos reinos vizinhos, com os movimentos guerrilheiros que desapareceram, brutal aumento na arrecadação de impostos que os plantadores passaram a pagar e do aumento da atividade rural e industrial e seus reis também passaram a serem carregados pela bicharada local. O rei Sapo dirigiu feliz seu reino até o fim da vida, tendo sido declarado pela ASNU (Associação dos Sapos das Nações Unidas) como o ESTADISTA do século.

Anônimo disse...

Não sei se liberar as drogas seria boa medida.
Penso que não!

Mas excelente medida seria utilizar dinheiro de imposto para a Saúde!!!!!!!!!

E excelente, também, a idéia de acabar com o Bolsa-fahumilha!