Tendo recebido algumas correspondências a respeito de meu artigo sobre o famoso “Porque no te callas” do Rei Juan Carlos, entre outros referências a Youtubes sobre o juramento de lealdade a Franco em 1969 e o discurso de louvor quando da morte de Franco acho que cabe lembrar algumas coisas que não são do conhecimento geral.
A família real espanhola esteve refugiada em Portugal durante toda a infância e juventude do atual rei. Seu pai, rei sem trono passou estas décadas com muita dignidade, se m dar-se ares de grandeza, e Juan Carlos e a família, durante anos não souberam se a situação era irreversível ou não. Vivia assim como algumas outras monarquias, a exemplo de Michael da Iugoslávia, ou até seu cunhado ex-rei da Grécia, preparado tanto para assumir o trono quanto para viver uma vida nos negócios. Mesmo ante a perspectiva de restaurar a monarquia Franco poderia ter optado por ungir o herdeiro Carlista, assim como no Brasil há duas facções na nossa família imperial.
A família real espanhola estava proibida de pisar em solo espanhol. Com o tempo, tendo estudado as alternativas, Franco convidou este príncipe, da linha direta do rei exilado, para ser o futuro chefe de estado.
O processo de acomodação com os Franquistas, que governavam o país foi delicado. Demorou anos. As vezes houve retrocessos. O poder de Franco como Chefe de Estado era absoluto. Quando de sua formal indicação para futuro rei, que seria efetivada apenas após a morte do Franco, o juramento a Franco era de rigor. Assim como foi de rigor o discurso quando da morte de Franco.
Em compensação, com a indicação do futuro rei também começou o retorno dos veteranos socialistas e comunistas espanhóis, muitos residindo na França, mas espalhados pelo mundo afora. Os socialistas também emergiram, e para felicidade da Espanha uma classe de socialistas modernos e legalistas.
O resultado foi Felipe Gonzalez, socialista no governo em pouco tempo, e após isto uma alternância no poder.
A Espanha tem neste momento Zapatero, um socialista, no poder. Na realidade, pelas indicações das pesquisas Zapatero semanas antes estava fadado a ter apenas 30% dos votos, Aznar deveria se reeleger. Aznar cometeu o erro de culpar os Bascos pelo ataque da Al Qaeda em seu território e o povo deu o troco.
Mas a indicação é clara. A Espanha não é de direita nem de esquerda. Para se eleger o povo tem de confiar no governante. E o monarca tem de refletir em sua maneira de situar os anseios do povo.
E este é um povo que entrou pára a modernidade com uma imensa gana. Não tem petróleo, nem ouro, nem colônias. Tem gente que toca empresas bem sucedidas, que deu aos espanhóis em décadas o que não conseguiu em séculos de poder colonialista.
Não foi Franco que fez isto. Ele representou um saudosismo de uma Espanha dos século dezesseis. Foram os atuais partidos, e o Rei fez parte da equipe. Cada qual com sua participação.
E o Rei, representando tanto a Espanha do passado como a do futuro tem o dever de não permitir que seu País e seus ministros levem desaforo de um Chavez que é apenas arrogância de novo rico montado em petróleo, paparicado por países que, ou esperam uma beirada da Venezuela, ou o Brasil que não quer exercer a independência que seu PIB, composto de atuações em todos os setores industriais, sem preponderância para um só se sujeita ao ridículo por mero capricho mal intencionado do presidente.
4 comentários:
Oi Ralph,
Uma pessoa sincera pode dizer o nome do autor dos posts do youtube, já que não foram feitos no anonimato.
Os espanhóis são inteligentes, tanto quanto os brasileiros inteligentes e os venezuelanos inteligentes...
A grande diferença é que os espanhóis USAM A INTELIGÊNCIA!
Se um governante espanhol vive em meio a corrupção e maracutaia ou é comprovadamente ignorante, alegando nunca saber de nada, os espanhóis usam a inteligência e estirpam o cancer!
De fato, o vídeo “Por que no te callas” é ótimo, divertindo a todos, sejam “petralhas” ou “membros do PIG (Partido da Imprensa Golpista)”.
O próprio presidente Hugo Chávez está se divertindo com o vídeo.
Contudo, não vamos colocar o rei num pedestal ao lado de Deus (muitos gostariam que ele fosse o soberano do Brasil, por ser um cavalheiro, digno, educado, culto e corajoso), pois ele é um filhote do ditador Francisco Franco.
Entendo que o rei está transtornado, num “annus horribilis”, por não mais ver colônias espanholas nas Américas, pela recusa em ser o mediador entre a Argentina e Uruguai no caso das fábricas de papel, pela reprimenda que recebeu do rei de Marrocos, pela separação da filha infanta Helena (fato corriqueiro, mas inaceitável para os que se julgam realezas) e pela investigação pela prática de crime contra a natureza, na Romênia, onde matou vários ursos e lobos, pelo simples prazer de matar.
Alô, Ralph
Renovo meus parabéns pela sua capacidade em engulir sapos...
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