13 de dez. de 2007

Falar olhando nos olhos

Publico abaixo um artigo do jornalista Josué Maranhão onde ele comenta o que é ter “coragem pessoal”, importante neste Brasil onde os covardes emergem, prosperam e proliferam.

José Agripino e seu pai
Por Josué Maranhão jornalista (site: www.josuemaranhao.com.br)

Não conheço pessoalmente o senador José Agripino. Vivendo no exterior há mais de uma década, também não acompanhei a sua trajetória política. Não sei nada de sua vida particular. Conhecia-o somente de algumas aparições em televisão, que assisti esporadicamente.
Chamou-se a atenção quando estouraram os escândalos envolvendo o senador Renan Calheiros. Impressionou-me a forma incisiva como José Agripino defendia a cassação do mandato do senador alagoano. Mas principalmente me despertou interesse quando fazia intervenções, dirigindo-se ao próprio Renan Calheiros e argumentava quanto à necessidade do seu afastamento da direção do Senado Federal.
Mas do que ele dizia, a forma como o fazia, me fez rememorar fatos passados. Acontecimentos de mais de quatro décadas atrás.
Isto tem uma explicação: José Agripino é uma cópia do seu pai, o meu amigo Tarcísio Maia.
Notadamente na forma pausada, mas firme, como fala, olhando de frente, olho-no-olho do interlocutor.
Conheci Tarcisio Maia quando ele surgiu no cenário político do Rio Grande do Norte, como Secretário de Educação no governo de Dinarte Mariz, nos anos 50. Como repórter que eu era àquela época, fui designado para entrevistá-lo.
Fui encontrá-lo em seu gabinete, na Secretaria de Educação, que naquele tempo funcionava na antiga Vila Potiguar (ex-residência do Governador do Estado), na Praça Pedro Velho, aqui em Natal.
O meu relacionamento e os contatos com Dinarte Mariz, notadamente depois que deixou o governo do Estado, provocaram maior convivência com Tarcísio, notadamente quando, eles juntos, disputaram eleições.
Tarcísio tinha muitos méritos, todos valiosos e notáveis. Um, no entanto, se destacava: a sua coragem pessoal. Disso sou testemunha, porque estive presente em um episódio em que ele, contrariando os conselhos e desafiando a prudência, enfrentou um adversário que tentava detratá-lo.
Na atuação que teve em torno da renovação da CPMF, até atingir a vitória na madrugada de hoje, o senador José Agripino foi, sem dúvida um líder, um combatente. A ele devem ser creditados muitos dos méritos da vitória.
A ele cabe, no entanto, transferir parte dos créditos à genética, à herança moral que recebeu do seu pai.

3 comentários:

Anônimo disse...

Adri !!!

Para mim o nome ontem foi Arthur Virgílio,um gigante!

Anônimo disse...

Conheci em 57, na terra das termas. Encontro importante (era pequeno, mas senti o ambiente). Depois veio o Juscelino (a mente deixa de gravar tudo). Ideal seria transpor sangue de Agripino (a tal transfusao, com til no a) para os "desagripinos" (ora, pedra de rocha, como o Simon, virou pedra-pomes). O momento nacional vive muito "chocado" de moralidade e pesquisas de popularidade (muito comum para cantores das massas), fazendo do passado a justificativa de erros - diferente de acertos e atitudes coerentes - no presente. Cumprimentos pelo elogio que sugere a expectativa de que o gene nacional evolua para dias de fecundidade de uma Democracia com liberdade e moral. O ato de evoluir segue... desenvolvimento, idem. Arthur, sem piano do Moreira Lima, tocou uma bela nota. Todos foram eficientes, mesmo os derrotados, mas a CPMF constitui um defeito e ainda tem o risco paralelo DRU. O Blog alertou!

tunico disse...

Os dois líderes foram firmes. Os dois merecem os parabéns. Lideraram não só suas bancadas mas também uma bancada de 8 senadores dissidentes que preferiram aceitar esta liderança à liderança entreguista (Raupp, Cafeteira e Claudino) dos seus colegas de partido.