14 de dez. de 2007

A oposição acordou

Por Plínio Zabeu

Depois de cinco anos o país assistiu ao início da volta à democracia, que só é perfeita quando existem situação e oposição.
Desde 2002 nos acostumamos a ouvir e seguir os ditames governamentais, gostemos ou não.
A força dentro da Câmara federal sempre foi total. Cooptados os partidos menores – mais baratos para negócios – o governo foi conseguindo o apoio de outros – mais caros – e finalmente goza de uma superioridade numérica bastante folgada e que só trouxe vantagens ao presidente. No primeiro mandato, mesmo com a corrupção demonstrada e provada, nenhuma reação.
Como nosso presidente tem por lema “Governar é Gastar” e levando ainda em conta os ventos favoráveis da economia nacional e mundial, nunca se preocupou com os ditames democráticos. Usou e abusou de Medidas Provisórias, bloqueando o legislativo. Falando nisso, alguém poderia explicar por que foi necessária uma para criar a TV Estatal???
Na Câmara Alta, também conhecida como Senado, existia a maior bagunça, a maior imoralidade principalmente com a conclusão do episódio Renan. O senado afundou tanto na lama que muita gente cogitou até de sua extinção pura e simples. Ninguém mais suportava ver aquela gente rindo da nossa cara.
Mas nem tudo correu como queria o governo federal. Como inveterado gastador, não poderia abrir mão da CPMF, afinal, são 40 bilhões por ano. Na câmara federal passou com facilidade. Tinha que passar no senado. Como o local estava totalmente desmoralizado, acabado mesmo com instituição, o presidente julgou que manteria com facilidade o imposto.
Foi aí que a oposição finalmente acordou. E devemos isso ao presidente Lula. Usando e abusando de sua verve discursativa, acabou por ofender grande parte da população brasileira: “Só sonegadores, são contra a CPMF”, disse. Aí ele foi longe demais e, sem querer, cutucou a onça adormecida com vara curta. A reação não poderia ser outra. Gente que ficou calada durante cinco anos e não tinha argumentos para reagir (afinal o governo atual manteve toda a política econômica do anterior, o que deu certo, mesmo chamando o legado de “herança maldita”) agora ganhou força.
A ofensa foi grande e a reação finalmente veio. Despertada, a oposição teve afinal a coragem de se manifestar e deitou por terra a prorrogação do imposto tão importante pra os gastos governamentais.
Para o bem do Brasil e em ano eleitoral, o governo não terá coragem de colocar em prática as ameaças da área econômica de aumentar os impostos atuais ou criar outros.
pzabeu@uol.com.br

2 comentários:

Anônimo disse...

Falhei no meu prognóstico! Ainda bem! Mas quase o Serra consegue enfiar tudo no nariz...

Anônimo disse...

Temos muito a agradecer ao Renan. Na matemática, menos com menos dá mais. Na política, merda com excremento deu democracia. Maravilha! Foi cármico, mas a Justiça se fez. E tome...