18 de mar. de 2008

O embargo não explica

Por Ralph J. Hofmann

O amigo Marreta, que absolutamente não é admirador do Fidel Castro, alegou hoje que a arrogância e inflexibilidade americana, as tentativas de assassiná-lo, o embargo é que criaram uma amálgama que o blinda e que lhe dará autoridade até a morte.
Sem isto, alega, este capítulo da história cubana já teria acabado ha muito tempo.
O meu amigo infelizmente pegou um pedaço da história e não o juntou com as peças contíguas deste quebra-cabeças.
Os atentados a Fidel saíram da cabeça dos Kennedy e inclusive em algum momento foram subcontratados para Sam Giancana, o amigão de Joseph Kennedy pai de John, Bob e Ted.
Na época havia ainda o mal estar da aventura dos foguetes com ogiva nuclear em Cuba o que, digamos, justifica até um ponto a raiva dos Estados Unidos, ainda mais considerando que a derrocada de Batista se deveu em parte à recusa dos Estados Unidos de seguir apoiando o regime do mesmo. Fidel era visto com simpatia quando estava na Sierra Maestra.
As práticas mais violentas e invasivas da CIA, a equipe dos trogloditas que assumiram o comando dessa organização na década de cinqüenta foram podadas a partir de Gerald Ford. Restou alguma coisa, mas junto com os trogloditas foi-se também algo da competência como agência de informações.
Na década de sessenta Fidel fazia suas perorações antiamericanas bem ao estilo de Chavez hoje, só que em plena guerra fria com o potencial de holocausto atômico sempre presente, e com mais carisma que Chavez. Tinha as costas quentes com a Rússia por padrinho. Assim como Chavez financiava e acoitava movimentos terroristas nas Américas.
A partir de Jimmy Carter todos os presidentes americanos amoleceram o bloqueio no que concerne o envio de alimentos, remédios e remessas de dinheiro a parentes em Cuba. Pediam alguma reciprocidade, mas Fidel foi sempre inflexível.
Fidel resistiu a todos os pedidos de liberalização mínima porque não lhe interessava abrira mão da imagem de “Salvador Único da Pátria”. Uma nação mais permeável às idéias não lhe servia. E mesmo assim milhares enfrentaram os mares e tubarões para atravessar até a Flórida.
Com fim do império Russo ficou a descoberto. Então buscou investimento em turismo entre os europeus. Com isto a cidadela está parcialmente rota.
Surgiram pequenos empreendimentos, como os restaurantes chamados de paladares. Quando Chavez passou a manter a economia cubana os pequenos empreendimentos imediatamente foram novamente reprimidos.
Ou seja, não é a inflexibilidade americana que mantém o poder de Fidel (mesmo que entrevado em casa), São 49 anos de culto à personalidade e um padrinho econômico que evitam a derrocada do sistema. Na última hora apareceu um mago que evitou que o povo percebesse a nudez do rei.
Fora, naturalmente, um exército enorme policiando uma ilha pequena de pouca população.
O capital de Fidel, assim como hoje de Chavez é o ódio aos americanos. Os americanos são para estes dois como os judeus foram para Hitler. A raiz de todos os males que justifica seus erros e seu sistema incompetente e, até, sua violência repressora.
A URSS ruiu por ter perdido a corrida econômica. Não podia mais manter seu “establishment” repressor militar. Vide o que Putin, hoje líder de uma Rússia rica, está tratando de fazer virando para trás os ponteiros do relógio tendo cacife para aventuras militares e repressoras.
Cuba é tão pequena que para Chavez patrociná-la é como tirar alguns trocados do bolso. E com isto o regime pode seguir ignorando suas verdadeira falhas que são, deixando de lado a falta de liberdade, a incapacidade administrativa, o nivelamento por baixo, e a repressão da iniciativa.

7 comentários:

Chacon disse...

O Hugo foi atrás de Submarinos Nucleares Russos, será que os USA vão tentar a mesma coisa com ele?

Ralph J. Hofmann disse...

Levam anos para construir, mas mais anos ainda para ensinar cidadãos de um país pouco técnico para operar. Não se introduz estas tecnologias de afogadilho.
Vai ter marinheiro venezuelano esterilizado a bessa.

Anônimo disse...

Ralph, longe de mim pontificar sobre Cuba ou aos
americanos. Pretendi tão somente avançar uma opinião que me veio à cabeça.
No entretanto fico à sua disposição para se for o caso aprofundar mais a questão.
Vale ainda afirmar de minha parte que não está no meu contexto levantar uma polêmica, que como você deve ter percebido, tenho evitado Mas Ralph,simpático participante do blog, não modificarei uma unica vírgula do que tenho dito.E louvo que seja assim. Pois do contrário estariamos navegando para onde conduz a unanimidade dos bem servidos.
Meu amigo, procure outro adversário, sugiro que bata mais forte no Delúbio Soares.

Ralph J. Hofmann disse...

Marreta

Esta não é uma relação adversária. Te cito como amigo ressalto até o fato de teu desamor pelo "pirata do caribe". Apenas abri um pouco o foco da câmara fotográfica.
Foi um ponto de vista diferente, apenas isto.
Mas não queria deixar de dar-te crédito pela gênese do meu artigo, que começou no teu comentário.
Já fiz isto outra vez. Quem levanta o assunto merece reconhecimento. Me inspirei em ti.

Com todo apreço
Ralph

Anônimo disse...

Ralph, amigo, perdoe-me as palavras aquecidas pelo furor das lutas.
Longe de mim partir para cheque de informações, eu sei que isso não leva a nada produtivo; e essa não é a intenção do blog.
Se o sistema americano é iconoclasta, ou se o sistema cubano é iníquo.Que suas populações julguem seus mito s.Não vou julgar que os americanos contribuem para um mundo mais justo; como não vou julgar que Fidel disse naquela noite que nenhuma criança cubana ia dormir ao relento e com fome.Se Cuba e Fidel pecam pela falta de democracia, os poderosos americanos pecam pelo seu imperialismo que impõem ao resto do mundo pelo poder da armas.
Se enforcaram Saddam, não enforcaram o rei da Arábia Saudita que é tão ou mais assassino que o do Iraque.Não vou enumerar quantos déspotas o sistema americano apoiou, como não vou apoiar o Putin, que é tão assassino como o Bush.
No holocausto morreram assassinados seis milhões de judeus pela política do Führer alemão, mas vinte e cinco milhões de russos morreram defendendo a causa dos Aliados.
PinK Floyd, de quem sou fã,faturou horrores na queda do muro de Berlim,mas não fez sequer um mísero jingle para o muro que Israel está fazendo, avançando ainda mais no que já tinha tomado com fuzil na guerra dos seis dias.Os americanos gostam da idéia de muro e fazem um bastante longo na fronteira com o México.
Cada um faz o muro que pode,a Espanha faz o seu no aeroporto, a Russia não tendo dinheiro para fazer mais muro, usa os Balcãs.
E assim a história vai ser entendida depois de nós estivermos mortos, pois quando vivos, prevalece a versão de quem tem o poder.
Na questão interna, fico com escritor brasileiro ateu que do nordeste, deu um tiro no papa que estava no Vaticano, para demonstrar que não temia aquela ameaça dogmatica.Esse meu modo de pensar, acredito eu, não deve ferir ou atingir ninguém, não é essa minha intenção. E mais uma vez, se por acaso feri sua crença, me desculpe.Viva a democracia do nosso blog, sou um democrata, sem partido!
Ralph eu aprecio seus comentários, não estou "enchendo sua bola", percebo pela sua acuidade nos assuntos abordados que você tem bagagem,e minha assiduidade ao blog, deve-se a você e aos demais que por aqui militam.Um abraço amigo!

ma gu disse...

Alô, amigos (pô, preciso parar com isto).

Após toda essa rasgação de seda e distribuição gratuita de confetes, vamos 'straight ahead'.
Afinal, é para isto que este blog serve. Amigos conseguem receber rebites quentes, quando não extrapolam os limites da educação. 'Exclarexido' isto, as contraposições, entre pessoas que se respeitam, é que tornam a leitura deste maravilhoso blog, com seus '26 do forte' fixos, tão agradável e nos fazem entrar todos os dias. Até a 'minha patroa' às vezes reclama que eu passo muito tempo tecendo comentários inescrupulosos aqui...

Ralph J. Hofmann disse...

E lembremos que os Russos, que perderam 25 milhões na Guerra tinham um pacto com a Alemanha quando a Polônia foi invadida. Os alemães racharam com eles a Polônia.
E os russos prontamente assassinaram toda a oficialidade polonesa (uns 12.000, muitos jovens de 20-21 anos) em Katyn, corpos inclusive descobertos após 1989.
Depois esperaram parados ante Varsóvia enquanto os alemães matavam toda a resistência (partesões) não-comunista para depois seguir avançando contra os alemães.
Assim não houve resistência ante os comiunistas de Lublin que tornaram o país um satélite russo.