20 de mar. de 2008

Uma petista derrota o poder do PT

Por Carlos Chagas

Em política, as surpresas vêm de onde menos se espera, diria o presidente Lula num de seus improvisos, porque em caso contrário não seriam surpresas. É preciso analisar com mais profundidade a vitória da deputada Maria do Rosário (foto) nas prévias realizadas pelo PT, em Porto Alegre, para a escolha do candidato a prefeito.
Desembarcaram na capital gaúcha os ministros Dilma Rousseff e Tarso Genro, unindo suas forças a líderes como Olívio Dutra e Raul Pont. Contaram com o apoio não só de Ricardo Berzoini, presidente nacional do partido, mas, dizem, até do presidente Lula. Todos fechados com Miguel Rossetto, ex-ministro da Reforma Agrária e expoente do petismo gaúcho.
Pois bem: na hora de contar os votos, ganhou a deputada Maria do Rosário, ainda que por pequena margem. Significa o que, essa derrota dos caciques?
Pode significar muita coisa, começando pela chamada à ordem dos dirigentes, pelas bases. Tem muita coisa que os companheiros não entendem. Outras, que entendem muito bem. Onde foi parar aquela legenda que se propunha mudar não apenas o País, mas o mundo? Apesar da intensa propaganda distribuída de Brasília, parte do PT aburguesou-se.
Para acompanhar o governo, quantos dirigentes tornaram-se neoliberais, apoiando e até justificando o abominável lucro dos bancos, as benesses concedidas aos especuladores, a submissão aos organismos financeiros internacionais, o arrocho salarial dos trabalhadores, as reformas elitistas e, acima de tudo, a imobilidade diante das teses e dos objetivos que marcaram a fundação do PT?
As conseqüências começam a aparecer. Nas bases, e não apenas de Porto Alegre, mas de todas as capitais e principais cidades, verifica-se primeiro o inconformismo. A próxima etapa será o racha. Tudo dentro de uma estratégia racional, a de que só se muda o rumo do barco tomando o seu leme. Não deu nem dará certo a opção da retirada, como tentou Heloísa Helena, para fundar o Psol, apenas mais um pequeno apêndice. A reação das bases petistas começam a acontecer nos limites do partido. Se vai dar certo ou não, é outra história. É bom prestar atenção.

6 comentários:

ma gu disse...

Alô, Giulio.

Chagas apanhou bem o assunto. Em outros tempos, a demonstração ostensiva de apoio dos dirigentes do glorioso partido levaria a massa das vacas de presépio a aclamar (em torno de 85%) o ungido.
Parece que agora a quantidade de merda que os dirigentes produziram fez com que se quebrassem muitas molas do pescoço, e muitas das vacas já não conseguem balançar a cabeça. Começou com a eleição do governador do PMDB (argh).
Está ficando provável a existência de novos ventos, e eles estão vindo dos pampas. Meio parabéns para os gaúchos...

ma gu disse...
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ma gu disse...
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ma gu disse...
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Anônimo disse...

Porto Alegre merece ter uma candidata como essa do Rosário...em política vale tudo...uma professorinha de primeiro grau é a indicada pelo PT para concorrer a Prefeitua de Porto Alegre. ELa é a tassi....tassiachando que é uma administradora de mão cheia....bem feito para porto alegre.

Anônimo disse...

Giulio, na minha família que é de Santos, quando alguém fica nervoso, a gente fala que vai ter um ataque de pelanca. A respeito do comentário do anônimo, gostaria de transcrever um trecho do ex-blog do César Maia sobre eleições que quase me deu um ataque de pelanca, porque desvirtua a política, a república como coisa pública e a coloca no mesmo nível de manipulação que a publicidade. É o que acontece, na visão do anônimo, com a candidatura da tal da professorinha Lá vai:
"Do ex-Blog do Cesar Maia
1. Muitos cientistas políticos e muitos jornalistas políticos insistem em suas análises, pensar a política eleitoral como um processo de Oferta, simples oferta. Os marqueteiros influenciam muito os candidatos nesta direção. É como se vencesse quem "oferecesse" melhor. Como se fosse um supermercado de candidaturas. Os eufemismos com "mercado" ajudam esta confusão e produzem erros políticos graves.

2. Na verdade as Eleições têm como base um processo de Demanda. Os eleitores não nasceram no dia das convenções e carregam suas idéias, valores, convicções, problemas, expectativas... por muitos anos. A Política tem raízes longas no tempo, pois é transmitida por proximidade, ou seja, os próximos aos lideres, que vão recebendo a experiência anterior em geral oralmente, em reuniões e assembléias e debates e conversas.

3. Claro que há exceções a essa regra, como comunicadores, artistas, esportistas, personagens que ganharam notoriedade em suas profissões... Mas representam, se muito, 20% na formação dos quadros políticos.

4. A análise de longo prazo da "demanda" eleitoral, permite aos analistas -politólogos ou jornalistas ou políticos- perceberem por baixo do nível do mar, correntes que impulsionam a política nesta ou naquela direção, e que configuram "demandas" construídas através do tempo e de ampla permanência, que sofrem os ajustes no tempo.

5. Uma vez identificadas estas "correntes marinhas" os candidatos e governos, saberão muito melhor em que direção "nadar" e como se comunicar com a corrente, ou as correntes, que os reconheçam -ou os possam reconhecer- como referência de voto. E sendo assim a probabilidade de sinergia é muito maior.

6. Muitas vezes um candidato - até com bom potencial de crescimento lê as pesquisas, e vê os temas mais destacados e ajusta sua comunicação para tratar deles. Só que estes temas podem não ser da "corrente" que o tem como referência, e com isso eles são arrastados pelas correntes de outros, para muito longe de seu objetivo. E -no final- se tenta explicar o fracasso por uma campanha mal feita, por um debate, pela publicidade, etc. Na verdade, 'pegou o trem errado'.

7. Quem quiser participar de uma eleição com chance, antes de ser reativo aos temas conjunturalmente dominantes e de contratar um bom publicitário, deveria - com sua equipe, incluindo pelo menos um bom politólogo e pelo menos um político sênior, identificar que "correntes marinhas" são essas, e qual delas corresponde à sua trajetória política."