
Quando a emenda das Diretas Já completou 20 anos a Agência Brasil reuniu depoimento de alguns dos que participaram do movimento pelas Diretas, de alguns dos que acreditaram que o restabelecimento da democracia era possível:“Já surge a madrugada de 26 de abril de 1984 quando, após 17 horas de discussão, por 298 votos a 65, é derrotada a emenda Dante de Oliveira, que previa a volta das eleições diretas no país. É a última derrota sofrida pela democracia brasileira, depois da longa série iniciada em outra madrugada, a de 1o de abril de 1964, vinte anos antes, quando uma insurreição militar depôs o último presidente eleito pelo povo, João Goulart (vice no pleito que levou ao cargo Jânio Quadros, em 1961)”.
“Quando fui eleito deputado federal, logo que cheguei aqui, no dia 1° de janeiro de 1983, antes de tomar posse, já estava com o projeto de emenda constitucional para restabelecer o voto direto na minha cabeça. Essa emenda era necessária porque estava escrito na Constituição que a sucessão presidencial se daria por meio do Colégio Eleitoral, uma eleição indireta. No Centro de Processamento de Dados do Senado (Prodasen) não havia projeto semelhante registrado. Passei os meses de janeiro e fevereiro correndo atrás das 170 assinaturas de deputados e 23 de senadores, necessárias para que a proposta entrasse em tramitação. Não foi um trabalho fácil para um guri novo como eu, de 32 anos, sem conhecer todas as pessoas no Congresso Nacional, mas no dia 12 de março o projeto estava registrado lá. A votação só aconteceria no dia 25 de abril de 1984." Dante de Oliveira
"Para mim e para toda a sociedade brasileira, a campanha das diretas representou o momento ético mais bonito e mais emocionante da vida política brasileira. Conseguiu atingir todos os segmentos da sociedade numa época de total ditadura, onde existiam o medo, a tortura, o crime, a morte, a cassação. A sociedade, aos poucos, foi se imiscuindo do sentimento de luta pela eleição direta”. Pedro Simon
“Eu vivi aquele momento com a convicção, que eu tenho até hoje, de que nós estávamos diante de uma cena histórica em que a população brasileira, pela primeira vez desde 1964, foi às ruas em massa para exigir democracia plena”. André Singer
“Por coincidência, no Congresso, eu estava no lugar onde ficam os gabinetes dos parlamentares. Vi vários deles fugindo do plenário para se esconder nos gabinetes. Eles não tinham coragem de votar contra as diretas e então simplesmente não votaram, ausentaram-se, refugiaram-se nos gabinetes. Naquele momento eu percebi que ia ser muito difícil a aprovação. Após a derrota, continuei no mesmo lugar e fiz uma coisa que jornalista não deve fazer e que não é exemplo para ninguém. Nem contei no livro. Fiquei com tanta raiva que quando os parlamentares fugiam para os gabinetes, eu e mais outros colegas demos um pés na bunda deles. Era a única coisa que a gente podia fazer. Eles até podiam chamar os seguranças, mandar prender a gente, mas estavam tão envergonhados que procuravam sair depressa.” Ricardo Kotscho
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