26 de abr. de 2007

O Ex Quase Tudo

Por Giulio Sanmartini

Luiz Gushiken (57), já foi ex muita coisa: ex-bancário, ex-trotskista, ex-sindicalista, ex-deputado, ex-budista, ex-ministro e desde o final de outro de 2006 ex-chefe de algum cargo que ninguém sabe para o que serve (Núcleo de Ações Estratégicas, subordinado à Secretaria-Geral da Presidência).
Ex-coordenador das campanhas eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegou ao Planalto com toda a arrogância de poder que pensou ter. Junto com José Dirceu e Antônio Palocci, formou o chamado núcleo duro, que dizia-se à boca pequena que eram quem realmente mandava no Brasil.
Mas em meados de 2005 começou seu inferno astral. Por nunca ter comido melado, ao fazê-lo lambuzou-se todo, e foi envolvido até o pescoço no escândalo que teve o nome de mensalão.
Da trinca que ele fazia parte, o “grande capo” José Dirceu que teve o mandato cassado, depois foi o dono da chave do cofre Antonio Palocci, envolvido em bordeis com lobistas, renunciou ao cargo. Ele por sua vez perdeu todo o prestígio palaciano, mas não renunciou nem Lula teve coragem demiti-lo. Assim ficou mais de um ano vagando como um zumbi pelos corredores do Planalto. Envolvido também no superfaturamento das cartilhas, folhetos que foram pagos mas não existem provas que tenham sido confeccionados. Finalmente enrolado nas irregularidades do marqueteiro Duda Mendonça e do publicitário Paulo Tarso dos Santos.
Agora o Relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União propõe multar o ex-ministro Luiz Gushiken em R$ 30 mil por irregularidades em contratos de publicidade da Presidência da República.
Convenhamos que num país onde uma doméstica passa mais de um ano presa por tentar furtar um pacote de manteiga, o que espera o ex quase tudo é muito pouco. Mais uma vez a lei não é igual para todos.
Quando os ladrões poderosos irão para a cadeia, por ir contra o Código Penal?


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