22 de mai. de 2007

Mangabeira Unger – O Retorno

Por Ralph J. Hofmann

BF - Como viu o artigo que constata "a falência de Marilena Chauí", escrito por um moleque de 28 anos, que vive nos EUA? Como a senhora vê o papel de gente como Roberto Mangabeira Unger?
Marilena - Pensei: puxa vida, a grandiosidade que me foi dada. Isso é formidável, é maravilhoso. Quanto ao Mangabeira Unger, ele é o mistério planetário. Uma vez, nos EUA, quando ele estava começando a aparecer com algumas coisas no Brasil, meu marido e eu fomos num desses lugares em que o Mangabeira dava aula. As pessoas estavam entusiasmadas, mas também diziam que ele era muito "piradão". Aí, ele começou a escrever, veio, fez o programa do Brizola, depois se afastou, e se aproximou do PT. Eu lembro que quando alguns amigos me disseram que o Mangabeira Unger viria para o PT, para a campanha do Lula, eu disse: "Ichh".
(Marilena Chauí entrevistada por Brasil em Fatos)

Das fileiras deles vem uma descrição do Ministro R. M. Unger. Notem bem, “piradão” e “aloprado” são verbetes que se equivalem. Quem diria, por uma vez estou de acordo com a Chauí.
Mas vamos adiante, constato que a irmã do Sr. Unger foi retirada do Brasil na década de sessenta ou setenta por ter participado do assassinato de um tenente da FAB, na tentativa de tomar seu carro para seqüestrar um cônsul americano. Sua remoção ilesa do país devia-se à sua condição de dupla-nacionalidade brasileira e americana.
Não sei o que a Miss Unger fez com o resto de sua vida, mas isso obviamente indica que em algum momento a família possuía fortes ideais. E presumivelmente puderam preserva-los, afinal, foram viver num país em que o direito à expressão, o direito às idéias é ferreamente defendido.
E ficaram lá, confortavelmente instalados, o Mano Roberto galgando senioridade na Universidade de Harvard, recebendo um salário de executivo de empresa para gerar “papers”, ou seja, uma vez adentrado no corpo docente de Harvard, a única coisa que podia obstar seu sucesso pessoal seria o “não-produzir” de livros e teses. “Publish or Perish” (Publique ou Pereça). O volume de papel publicado é a medida para obter ricas dotações de ex-alunos e outros benfeitores, no caso das universidades americanas.
Um exame da produção acadêmica copiosa, mesmo de Harvard, Yale ou Princeton, demonstra que vencidas as barreiras da dissertação de mestrado e da tese de doutorado, após ingressar no corpo docente, o sujeito pode escrever sobre qualquer coisa. Pode passar o resto da vida escrevendo a cada poucos anos um opúsculo de valor ou não, que estará contribuindo para a tonelagem de papel publicado necessária. Pode até, aos 38 anos de carreira estar ganhando US$ 270.000,00 ao ano.
Noto que na imprensa brasileira o sr. R.M. Unger é descrito como advogado, como economista e como sociólogo. Certamente nunca praticou advocacia em Harvard. Também não parece ter dado aulas de direito lá (talvez em início de carreira). Essencialmente parece ter passado sua carreira estudando o que os outros fazem para criticá-los e ironizá-los.
Mas, em 2005 parecia ser um sujeito honesto. Apontou em 2005 os podres de Lula. Devíamos ter desconfiado. Afinal, avaliou Brizola pelo que Brizola dizia, não pelo que o Brizola fez ou deixou de fazer, nem pela viabilidade do que o Brizola pretendia. Depois associa-se a um dos clérigos políticos. Não faltava mais nada. Faltava sim. Faltava completar sua volta espiritual ao Brasil, ao passado de criaturas políticas da sua família. E completou o seu retorno.
Formalmente, sem engulhos, vende-se publicamente, escancaradamente, ao Grande Timoneiro.
Sem Vaselina!

Nenhum comentário: