19 de ago. de 2007

O 1º round de Serra e Aécio

A cúpula do DEM transmitiu ao governador de São Paulo, José Serra, a seguinte mensagem: está disposta a abrir mão da vaga de vice na chapa presidencial do PSDB em 2010, seja para acomodar um peemedebista, seja para alojar um tucano. A oferta é um lance para ajudar Serra a consolidar o favoritismo na disputa interna do PSDB pela candidatura ao Palácio do Planalto.

Obviamente, exige uma contrapartida: apoio do PSDB à reeleição de Gilberto Kassab para prefeito de São Paulo no ano que vem.

No entanto, há um tremendo obstáculo. Pesquisa Datafolha publicada no domingo 12 de agosto mostrou que o ex-governador e ex-candidato a presidente Geraldo Alckmin lidera a corrida paulistana com boa vantagem em relação aos demais concorrentes. No cenário atual, Alckmin se elegeria prefeito da maior cidade do país.

Para ajudar Serra, o DEM se comprometeria a apoiar a candidatura de Alckmin a governador em 2010. Ou seja, o cenário ideal para Serra seria reeleger Kassab e ser candidato a presidente com Alckmin precisando do seu apoio para voltar ao Palácio dos Bandeirantes.
Entretanto, Alckmin está mais interessado em ser prefeito de São Paulo. Se ele optar por esse projeto, fará o jogo de outro presidenciável tucano, o governador de Minas, Aécio Neves. Serra sabe disso e está preocupado.
As articulações para as eleições municipais do ano que vem são uma espécie de primeiro round entre os dois presidenciáveis tucanos. Serra tem a seu favor o apoio de caciques tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e a liderança em todas as pesquisas sobre a sucessão presidencial de 2010.
Já Aécio busca se viabilizar por meio de amplas articulações políticas. Flerta com o PT, sinalizando para Lula que não seria um candidato a presidente hostil à sua administração. Uma vez na Presidência, trataria bem Lula e o PT.
Aécio também busca pontes com PSB, PDT e PC do B, três legendas que hoje tem expectativa real de poder com a possível candidatura do socialista Ciro Gomes. Ciro conta com a simpatia de Lula. E é muito difícil um acordo entre Aécio e Ciro porque nenhum dos dois deseja ser vice.
Num cenário admitido no Palácio do Planalto, Lula assistiria ao jogo sucessório de camarote. O PT lançaria um candidato --por exemplo, o governador da Bahia, Jaques Wagner. Ciro concorreria com apoio de forças que hoje sustentam o lulismo. Aécio seria um oposicionista amigo, que, se naufragar na disputa tucana, poderia ainda tentar a sorte pelo PMDB.
Lula acha que já passou da hora de Aécio migrar do PSDB para o PMDB, pois avalia que o tucanato não lançará o mineiro. Mas Aécio teme essa aventura. Se perder a disputa no PSDB, poderá se enfraquecer para sair candidato por outro partido. Nesse dilema, vai ficando onde está.
A Serra, que mantém boa relação política e pessoal com Lula, resta o caminho de uma oposição mais dura. Seus aliados preferenciais são os democratas (pefelistas). E ele pode pescar apoios no PMDB, partido que o apoiou em 2002 e no qual tem bases sólidas. Exemplos: dois ministros de Lula o adoram, Nelson Jobim (Defesa) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). O governador paulista tem outro grande sonho. Chegar a um acordo para que Aécio aceite ser o seu vice. O mineiro, porém, tem dado sinais de que prefere holofote próprio.
Fonte: Kennedy Alencar

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