7 de set. de 2007

Desrespeito à Dignidade do Trabalhador

Por Giulio Sanmartini

Durante minha infância, até os 17 anos morei no bairro carioca do Jacaré. Pertencia a uma classe média ascendente. Éramos proprietários de um pequena industria de fundo de quintal, mas que empregava algo como 40 pessoas. Tínhamos automóvel, fomos os primeiros a comprar uma televisão, estudávamos em escolas particulares e podíamos passas um mês de férias na Ilha do Governador (a Baía de Guanabara não era poluída).
Mesmo assim com 16 anos fui estudar à noite e trabalhar com carteira marcada. Troquei de empregos várias vezes, vagas não eram difíceis, os jornais especializados aos domingos tinham muitos cadernos oferecendo os mais variados empregos.
Hoje trabalhar tornou-se difícil, as colocações não cresceram em proporção com o aumento populacional. Daí uma Bolsa Família, que só faz crescer e que agora atingirá os brasileiros a partir dos 17 anos, como disse o presidente da República: “É possível o estado brasileiro não apenas acreditar, mas abrir todas as portas possíveis para que os jovens possam passar dessa porta e conquistar o direito de voar. Voar com liberdade, voar depois de ter almoçado, depois de ter jantado, depois de ter estudado. Voar de barriga cheia, porque, de barriga vazia, cai e morre",. Algo me fez lembrar os tão propalados Centros Integrados de Educação Pública CIEPs, inventados por Darcy Ribeiro, e dos quais disse Brizola que as crianças sairiam “limpinhas e gordinhas como leitõezinhos”.
O fato que Lula é tão ou mais demagogo que Brizola, seu programa assistencialista fere frontalmente a dignidade humana, como se transferência de renda fosse resolver o problema da sociedade brasileira .
O brasileiro não quer viver de esmolas que dependam de seu voto, quer viver com a cabeça erguida ganhando um salário que lhe baste.
De cada 10 eleitores dos 10 estados mais pobres do país, seis votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas últimas eleições. Nessas unidades da federação, que são também as que têm os maiores índices de recebimento do Bolsa Família, a votação do petista atingiu, em média, 61,36%. No outro extremo, entre as 10 unidades da federação com os mais altos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), a média de votos para o presidente foi de 39,50%.
São estes números que trouxeram o grande terror presidencial: a vaia. Augusto Nunes a compara com a kriptonita que enfraquece o Super-Homem: “Exposto ao toque da pedra verde, o herói invencível, vindo de lonjuras cósmicas para garantir a vitória do Bem, perde os superpoderes, e assume a expressão abobalhada de um pugilista no segundo seguinte ao nocaute. Exposto ao som de apupos, o presidente incomparável, enviado pela Divina Providência para salvar o Brasil, perde a pose e o prumo.” E conclui: “Quando Lula fala, o mundo inteiro se ilumina", jura a filósofa petista Marilena Chauí. Pelo menos o país que pensa escurece. Milhões de brasileiros ficam pálidos de espanto. Outros tantos, vermelhos de vergonha.”

Leia a matéria no Jornal do Brasil online

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