13 de set. de 2007

In quantum me fuit

Por Ralph J. Hofmann

Ocasionalmente lemos uma frase que do nada aflora na nossa memória muito tempo depois. Após o fiasco do senado. Após ver a cara aparentemente séria, de estadista, do Grande Timoneiro em seu périplo pela Escandinávia, ouvir as inanidades quer teve a dizer sobre o trabalho que agora espera do Senado, me veio à mente a frase em latim, tirada e traduzida de um romance policial: “In quantum me fuit” – “Fiz o que estava em mim fazer”, ou, “Fiz o tanto que tinha capacidade para realizar”.
Essa frase resume a tragédia brasileira. Lula, despreparado para presidir, os membros do legislativo, despreparados para legislar. Quantos empreendedores sérios há no legislativo. Quantos advogados de primeira linha, realmente competentes há nos legislativo, quantos ministros realmente competentes e incorruptíveis há no ministério. Quantos homens de “notório saber” temos a nos governar.
Quantos têm noções pétreas de dever. Quantos entendem uma constituição como roteiro para o país, quantos, ao contrário, se debruçam sobre a constituição e as leis do país buscando as lacunas, os desvios por onde enveredarem.
A verdade nos salta aos olhos. Não há como esperar muito conteúdo em uma sanga pouco profunda. Não há muitos políticos que surjam das fileiras dos que dedicaram dez ou quinze anos, ou até mais construindo sólidas carreiras em áreas produtivas.
Abraham Lincoln, um menino cuja madrasta economizava velas para que ele pudesse ler à noite, quando ainda era um menino recém alfabetizado, mas de uma curiosidade intensa não decidiu um dia que seria político. Crescido numa sociedade de fronteira, de casas de colono, onde uma única janela com vidro era um luxo e a sobrevivência era um desafio de um inverno ao outro, puxou enxada na roça. Trabalhou com machado para produzir toras rachadas ao meio que eram usadas para fazer cercas, conseguiu se formar numa espécie de curso normalista. Foi auxiliar de advogado, rábula, e depois advogado. Com o tempo, seu conteúdo de leitor e observador dos seus semelhantes lhe granjeou respeito, o respeito lhe levou a ser deputado pelo seu estado, depois a incursões na política nacional e finalmente a ser presidente. Era um homem feio, dificilmente se elegeria numa era de televisão e de jornais ilustrados. Mas conquistava pelo que era, pelo que fora e pelo que veio a ser.
Muitos dos políticos que o cercavam eram corruptos. Tanto os Republicanos, seu partido, quanto os Democratas, seus opositores. Mas era ele quem mandava. E sabia o que mandar. Tinha os valores idealizados pela sociedade que o gerara. Isto estava dentro dele.
E aí está a tragédia do Brasil. Durante toda a minha vida escolar de infância, nos anos formativos, uma vez por semana hasteávamos o Pavilhão Nacional ao som do Hino Nacional. Cantávamos o Hino à Bandeira em certas ocasiões. Os professores nos liam trechos de Ruy Barbosa. Ouvíamos passagens sobre mães heróicas na Guerra do Paraguai e da Revolução Farroupilha. Recebíamos uma base sólida que era capaz de nos fazer sufocar um soluço ao ver a Bandeira em terras estranhas ou até mesmo ver o mapa do Brasil quando anos depois viajamos por muito tempo no exterior. Mesmo eu que não sou tremendamente ligado em feijoadas sou capaz de procurar um restaurante especializado, de brasileiros no exterior, após algumas semanas de viagem, para procurar o vínculo quente de um sabor do Brasil.
Isto está dentro da maioria dos meus contemporâneos, apesar de muitos guardarem essas emoções nos recônditos de sua alma. Muitos da minha geração têm este amor tranqüilo e sereno pelo Brasil. E olha, formalmente nem brasileiro sou. Mas não adianta. Fitilho verde-amarelo brasileiro me emociona.
Mas parece que isto não está dentro dos que mandam no país. Conseguiram subverter aquela frase: “Não pergunte o que teu país pode fazer por ti. Pergunte o que podes fazer pelo teu país”, para: “Não pergunte o que podes fazer pelo teu país. Pergunte o que teu país pode fazer por ti”.
Não que o cinismo ante palavras de generais famosos, de sábios como o Ruy Barbosa não seja correto. Hoje examinamos a história e sabemos que muitos ídolos tiveram pés de barro. Mas o condicionamento do serviço à pátria não deveria estar largado na lixeira.
Aparentemente isto não está dentro do que os atuais líderes da pátria são capazes. Não está dentro deles.

2 comentários:

Anônimo disse...

Sem generalizar, mas são uns bandos de filhos da p@#%, corja, putrefatos, carniceiros, sem-vergonhas, filhos de uma mãe e muitos pais, escória da sociedade, salafrários, trapaceiros, hienas, camaleões, cangalhos, cornos, quadrúpedes, gentalha, fístulas, decrépitos, menstruação de velha, nicotinos, inúteis, cloacas, tacanhos, salário de pobre, banheiros de rodoviária do interior, cafetinos do Lula, vespeiros, peçonhentos, funcionários da Vila Mimosa, sebo de pic@, batráquios e tantos outros adjetivos...mas vocês não valem o quê o gato enterra!

Anônimo disse...

Você devia mudar esse título!!!! Por um nanosegundo achei que vc estava dizendo que Mercadante TEM coragem e caráter.... Creeedooo