6 de set. de 2007

Lula dá tchau a Renan

Por Ricardo Noblat

Sabe quão próximos estarão Lula e Renan Calheiros na semana decisiva para o destino político do presidente do Senado?
Separados por um oceano.
Lula embarcará no próximo domingo para a distante e gélida Filândia. Depois dará um pulo até a Suécia e Dinamarca. Irá à Espanha. E só estará de volta na segunda-feira dia 17.
Viagem de presidente é agendada com muitos meses de antecedência. Lula não poderia adivinhar que seu amigo Renan se meteria em encrenca braba - e muito menos que seria julgado enquanto ele estivesse do outro lado do mundo.
Providencial que assim seja. Providencial para Lula, naturalmente.
Esqueçam Getúlio Vargas.
Vocês já viram político se matar? Nunca vi. Muito menos por outro.
Lula largou de mão José Dirceu e Antonio Palocci por que não largaria Renan? Esse não vale uma missa. Foi abandonado pelo PT quando o Conselho de Ética do Senado aprovou sua cassação.
O voto no plenário do Senado será secreto, bem como a sessão de julgamento. É o que manda o regimento interno. Foi assim quando Luiz Estevão de Oliveira (PMDB-DF) perdeu o mandato em 2000 por envolvimento com o desvio de dinheiro público na construção da sede da Justiça do Trabalho em São Paulo.
Havia consenso entre os colegas de Renan, amigos ou desafetos dele, de que o voto secreto o salvaria. Desfez-se o consenso. Pode ser que sim. Pode ser que não.
De público, por exemplo, o PT ajudou a enterrar Renan no Conselho de Ética. No voto secreto pode ser que o ajude a se salvar. Ou não.
O senador Gilvan Borges (PMDB-AP), que não dá um passo ou abre a boca sem autorização de José Sarney (PMDB-AP), sugeriu, hoje, que Renan renuncie à presidência do Senado em troca de não ser cassado. Renan respondeu que não o fará.
A recusa de nada vale. Se topasse a proposta desde já, Renan seria cassado mais facilmente. Se por acaso topá-la faltando um minuto para o início da votação, poderá escapar. Ele ainda guarda esse trunfo. E só o usará se não tiver outro jeito.
O inferno que vive o Senado só chegará ao fim na próxima semana se Renan for cassado. Do contrário, se arrastará enquanto Renan responder a mais três processos.

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