6 de set. de 2007

Não é Esporte é Babárie

Por Fabiana Sanmartini

Vou pedir licença para não escrever hoje sobre o descaso que governa o Rio, mas esclarecer, novamente, não sobre Pitt Bulls, e sim sobre rinhas.
As rinhas, não são “esporte” estão mais para barbárie, onde animais são, depois de treinados expostos a violência do confronto e ao perdedor, na maioria das vezes, não vem os curativos e sim o sacrifício. Independente de serem cães, galos, peixes ou qualquer outro animal que possa ser usado por desequilibrados para burlar a lei. Os Pitt Bulls são, sem sombra de dúvidas, as maiores vítimas das gangues especializadas em rinhas. Ele é destemido, resistente, ágil e é capaz de dar algo em torno de 2 mordidas por segundo. Se junta a isto sua grande capacidade de recuperação. O “treinamento” é bárbaro (de barbárie). Ainda filhotes os brinquedinhos coloridos são trocados por gatos (vivos) pendurados em sacos, que os cães são ensinados a morder e matar, nada de pegar a bolinha. Posteriormente, correm por tempos intermináveis atrás de gatos, galos mortos ou mesmo pedaços de animais em redondelas (gaiolas redondas e giratórias). Desta forma os “treinadores” garantem que a agressividade estará no nível máximo, ou seja, totalmente fora de controle. Ficam a maior parte do tempo em quartos escuros, regularmente a água é suspensa e substituída por sangue de galinha para beber, para melhorar o desempenho treinam com vira latas. Dias antes das rinhas, os cães são desidratados, baixando o peso (categorias são divididas por peso) e evitando assim os sangramentos, já que o organismo entende que por estar em sofrimento, é necessário manter irrigado apenas os órgãos vitais.
As rinhas são travadas em arenas de 1m de altura de cerca, com poucos metros quadrados onde os donos seguram os animais um de frente para o outro, atiçando-os com palavras de ordem, ajudados pelo barulho da platéia enlouquecida ao redor. Está cena dantesca só acaba com a morte de um dos cães ou quando um deles ainda encontra forças para pular o circo.
Uma raça se forma a partir de cruzamentos feitos durante anos, buscando as qualidades de cada raça envolvida para uma atividade específica. Assim temos os grandes guardas, os bons de pastoreio, os de alarme, companhia e por aí vai. No caso específico dos Pitt Bulls, raça ainda não reconhecida pela FCI (Federação Cinofílica Internacional) e proibida em diversos países, teve seu início no não tão distante século XIX. Em 1835, com a proibição das rinhas, tiveram que fazer uma nova seleção de cães retirando da reprodução os agressivos e selecionando os exemplares com temperamento equilibrado. Hoje o que vem sendo desenvolvido não é o equilíbrio e tampouco o potencial atlético.
O que vem sendo impresso na raça é a violência descabida, não por culpa dos animais, mas de pessoas que gostariam de andar armadas e atirar para matar em qualquer um que discorde da sua opiniãozinha medíocre, mas não se prestam a assumir suas diferenças, sejam elas quais forem, então para se auto afirmarem usam os animais como máscara para sua própria violência escamoteada. Vão desta forma derrubando, ou tentando derrubar, uma raça ainda em processo de criação e já marginalizada nas manchetes de jornal por ataques sangrentos.
Graças a criadores sérios a vertente atlética vem crescendo através de um trabalho de conscientização mostrado em eventos do tipo Game Dog.
A rinha é classificada como Crime de crueldade aos animais (art. 32 da Lei 9.605/98) com pena de 3 meses a 1 ano de detenção e multa. A despeito disto elas continuam acontecendo bem debaixo dos olhos cegos do governo. Que nos diga o vereador Jorge Babu (PT) e também Duda Mendonça presos em flagrante durante uma rinha de galos em 2004 no Rio de Janeiro. A pena foi de 45 dias de suspensão para o vereador. Hoje somos nós os atingidos pela irresponsabilidade e descaso do governo.
Posse responsável, JÀ!


5 comentários:

Abreu disse...

Belo texto da Fabiana e uma decorrente constatação: a violência inata dos pitbuls não decorre de um fato natural. mas sim da morbidês hunama, já que a raça decorre de cruzas que objetivavam primordialmente a tal finalidade.

Pois se assim é, uma vez que a "raça" foi criada, o melhor que se faria seria simplesmente extinguí-la -- ainda que sem o sacrifício dos animais não agressivos -- na medida do possível, a partir de castrações e/ou qualquer outro método que esterilize/inviabilize a reprodução de tais animais.

Anônimo disse...

Quando a imprensa divulga ataques de cães raramente ficamos sabendo como o animal era tratado, se escapou de uma corrente, aí vem a generalização. Tenho um pitbull com 7 anos que é um doce, meu filho foi mordido pelo vira-lata da minha mãe.

Ralph J. Hofmann disse...

Fabiana

Acabo de ver na TV, no noticiário, esta manhã uma criança de dois anos, no colo do avô, dono do animal, um pit-bull foi atacada pelo cão que rapídamente a pegou pelo pescoço e com um safanão quebrou o pescioço matando-a.
O animal se soltara de um cercado.
Mas estou convicto que entre outros problemas ha um excesso de entrecruzamento de cepas próximas.
Alguns anos quando os Doberman eram populares, criadores inescrupulosos criavam animais d eparentesco próximo.
Até ha 20 anos, no auge da popularidade dos São Bernardo nos EEUU havia São Bernatrdos que atacavam os donos. Eram animais com cruzamentos inaceitáveis como foi constatado mais adiante.
Por isto tenho medo das raças novas. Poucas cepas.

Ralph

Anônimo disse...

Cuidado para aqueles que dizem que o "meu pitbull é um doce", porque a qualquer hora, aquele instinto feroz lá no fundo da alma do animal pode surgir como um lampejo, e ai o que vc vai fazer??? essa raça foi gerada para rinhas, é super violenta. Nós humanos também perdemos a cabeça e nos tornamos violentos, e esse animal???

Pit bull é o cão da moda atualmente, assim como foi o rotweiller, que hoje raramente andam pelas ruas acompanhados de seus donos. Quantos devem estar trancafiados por ai? abandonados.... agora é a vez dos donos dos pitbulls abandorem os seus... é muita irresponsabilidade, ignorância, falta de educação, é típico do ser humano babaco, preocupado em ficar em evidência, passeando com um pit bull ... parece que a violência precisa estar sempre em evidência, não é mesmo?

Tenho um boxer de 7 anos, nunca rosnou para mim, filho de pais obedientes e mansos. Paciente com as crinças pequenas, mas impõe respeito e até medo quando passeio com ele pelas calçadas.

sorte para noss amigos cães....

ma gu disse...

Alô, Fabiana

...ajudados pelo barulho da platéia enlouquecida ao redor.

A História está repleta desses exemplos e, só para lembrar um, o populacho gritava de gozo quando, na Roma antiga, colocava-se fogo nos cristãos presos a postes de madeira ou eram jogados às feras, no Coliseu.

É a raça(?) humana, que aprendeu muito pouco desde a época.