13 de set. de 2007

O crime chancelado

Por Ralph J. Hofmann

We have legalized confiscation, consecrated sacrilege and condoned high-treason. (Benjamin Disraeli)

"Legalizamos o confisco, consagramos o sacrilégio e aceitamos como normal a alta traição"; diz o texto de Disraeli acima. O contexto no qual Disraeli disse isto na Câmara dos Comuns em 1872 não vem ao caso. Mas o texto em si tem tudo a ver com este país neste momento.
Confisco – Sofremos o confisco da renda de nossa labuta. Qualquer pessoa que compre o mínimo, vestuário, comida, material escolar, transporte urbano, de uma forma ou outra contribui. E pesadamente. Isto por si só, considerando as altas percentagens dos gravames já é um confisco. Mas numa segunda etapa somos confiscados quando as repartições públicas abrigam mais pessoas do que seria necessário, ou as pessoas nos maltratam ao termos de nos dirigir às repartições públicas. Um milhão de funcionários federais? Quantos funcionários estaduais e municipais? Pagos pelos 50 ou mais impostos recolhidos que nos fazem pagar muitas vezes o custo do que consumimos.
Sacrilégio – Creio que a diplomação de um presidente, governador, deputado, senador ou prefeito pode ser considerado um juramento sagrado. Um juramento de zelar pela massa do povo, não apenas pelos eleitores que chancelaram este ou aquele político. Não interessa se este ou aquele foi o eleitor. A eleição é para decidir quem vai ao cargo. Mas o cargo é em prol de todos os cidadãos de determinada área. Roubo, corrupção, sacrifício do correto pelo conveniente, o mero fato de uma pessoa eleita não denunciar os desvios de que tem conhecimento já é uma infração a um juramento prestado.
Traição – Decididamente é uma traição prometer um governo ético e moral em duas eleições, e prontamente, sem que a tinta dos diplomas de posse esteja sequer seca proceder à pilhagem do país. É traição não fazer cumprir leis quanto a terras invadidas à revelia das autoridades da reforma agrária. É traição criar normas de produtividade ao arrepio da realidade. É traição não proceder criminalmente contra quem coíbe crimes como a rinha, prestigiar o infrator e degredar o delegado que levou o crime a sério. É uma traição manter no poder um falsificador de documentos. É uma traição aceitar imposições de países vizinhos e até mesmo louvá-las quando se estão esvaindo capitais do país, meramente para satisfazer opiniões ou inclinações pessoais.
Os três tipos de crime acima são hoje compartilhados por todas as facções, pelo mero fato de que mesmo o partido opositor por excelência, por medo ou para não desequilibrar o status quo permitiram que as casas do legislativo e o governo chegassem a este grau de ignomínia.
Numa república espera-se que a oposição, mais do que a imprensa seja os policial do processo. Vigiem o governo, vigiem seus colegas de parlamento. Amizade entre parlamentares de matizes opostos é uma coisa muito boa. Mas o não colocar a boca no trombone, ante qualquer desvio, dentro do legislativo ou nos ministérios, na indicação de altos dirigentes de agências ou de juízes do Supremo não são atos de amizade. São atos de cumplicidade. E cumplicidade é a palavra para quem ajuda a cometer crimes.
É chegada a hora de externar claramente que confisco, sacrilégio e traição, assim como cumplicidade não são mais aceitáveis no Brasil.
Lembram-se do “Brasil, ame-o ou deixe-o”. A frase da década é “Brasil, ame-o, conserte-o, ou terá de deixá-lo”.

4 comentários:

ma gu disse...

Alô, Hofmann.

O conserto da frase ficou ótimo.
E extremamente verdadeiro. Só não sei se vai dar tempo...
Como sempre digo:
Feliz(?) sou eu que não quis ter filhos que iriam herdar esta m...
E não é pessimismo, não. Foi pura análise por antecipação!

Ralph J. Hofmann disse...

Magu

Sou de uma cepa de imigrantes. Da Palestina depois da destruição do templo, para a Espanha, de lá para a Holanda, da Holanda para a Alemanha, da Alemanha para a África do Sul e finalmente ao Brasil.
Eu supunha que meus filhos poderiam viver umas centenas de anos aqui. Pelo lado materno têm de tudo. Português, Espanhol, índios do altiplano dos Andes.
Mas eles são formados e estão se distinguindo em suas especialidades, que são na área da ciência aplicada à engenharia.
Se a barra pesar demais neste país a perda será do Brasil.
E sem dúvida, todos amamos este país. Seria com pesar que meus meninos partiriam.

Ralph J. Hofmann disse...

Magu

Sou de uma cepa de imigrantes. Da Palestina depois da destruição do templo, para a Espanha, de lá para a Holanda, da Holanda para a Alemanha, da Alemanha para a África do Sul e finalmente ao Brasil.
Eu supunha que meus filhos poderiam viver umas centenas de anos aqui. Pelo lado materno têm de tudo. Português, Espanhol, índios do altiplano dos Andes.
Mas eles são formados e estão se distinguindo em suas especialidades, que são na área da ciência aplicada à engenharia.
Se a barra pesar demais neste país a perda será do Brasil.
E sem dúvida, todos amamos este país. Seria com pesar que meus meninos partiriam.

Anônimo disse...

Sem generalizar, mas são uns bandos de filhos da p@#%, corja, putrefatos, carniceiros, sem-vergonhas, filhos de uma mãe e muitos pais, escória da sociedade, salafrários, trapaceiros, hienas, camaleões, cangalhos, cornos, quadrúpedes, gentalha, fístulas, decrépitos, menstruação de velha, nicotinos, inúteis, cloacas, tacanhos, salário de pobre, banheiros de rodoviária do interior, cafetinos do Lula, vespeiros, peçonhentos, funcionários da Vila Mimosa, sebo de pic@, batráquios e tantos outros adjetivos...mas vocês não valem o quê o gato enterra!