Dez ou doze anos atrás, Marilia Gabriela entrevistou Pavarotti. Estavam os dois à vontade num terraço, ao fundo um céu extremamente azul, e se não me falha a memória um olival.
Pavarotti falara de uma apresentação no Scala de uma obra qualquer em que sua voz não estivera à altura e fora vaiado. E considerou que fora vaiado com correção. Considerou que só na Itália a paixão sobre a voz de um tenor era tal que poderia causar vaias num dia em que ele cantasse mal. E que se ele cantasse mal aquela obra por decadência de suas cordas vocais não deveria mais tentar apresentá-la. Seria a obrigação que tinha pelo muito que seus apreciadores, sua torcida, haviam feito por ele.
Nessa mesma entrevista Marília Gabriela perguntou o que ele achava o aspecto mais importante de sua carreira. Aí o tenor surpreendeu.
Disse que ele, como Mário Lanza na década de 50, havia logrado tornar popular o bel canto, as vozes de grandes tenores e sopranos, numa época em que estavam relegados a uma platéia extremamente restrita. Tinha consciência e orgulho por, de alguma forma, por voz ou carisma ter levado às massas a apreciação de sua arte. Era o trabalho mais importante que realizara.
Não me recordo se citou seus colegas das termas de Caracala, Jose Carreras e Plácido Domingos, mas a realidade é que em termos de “superstar” popular certamente trouxe a tona os dois, e no mesmo trilho hoje temos um culto a Kiri Te Kanawa, Montserrat Cabalé, Kathleen Battle e outros que tem carregado essa tocha dignamente para adiante.

Pavarotti falara de uma apresentação no Scala de uma obra qualquer em que sua voz não estivera à altura e fora vaiado. E considerou que fora vaiado com correção. Considerou que só na Itália a paixão sobre a voz de um tenor era tal que poderia causar vaias num dia em que ele cantasse mal. E que se ele cantasse mal aquela obra por decadência de suas cordas vocais não deveria mais tentar apresentá-la. Seria a obrigação que tinha pelo muito que seus apreciadores, sua torcida, haviam feito por ele.
Nessa mesma entrevista Marília Gabriela perguntou o que ele achava o aspecto mais importante de sua carreira. Aí o tenor surpreendeu.
Disse que ele, como Mário Lanza na década de 50, havia logrado tornar popular o bel canto, as vozes de grandes tenores e sopranos, numa época em que estavam relegados a uma platéia extremamente restrita. Tinha consciência e orgulho por, de alguma forma, por voz ou carisma ter levado às massas a apreciação de sua arte. Era o trabalho mais importante que realizara.
Não me recordo se citou seus colegas das termas de Caracala, Jose Carreras e Plácido Domingos, mas a realidade é que em termos de “superstar” popular certamente trouxe a tona os dois, e no mesmo trilho hoje temos um culto a Kiri Te Kanawa, Montserrat Cabalé, Kathleen Battle e outros que tem carregado essa tocha dignamente para adiante.

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