6 de set. de 2007

Renan está nu

Por Chico Bruno

A novela “Renangate”, que já se prolonga por mais de cem dias com capítulos diários, entrou na reta final com as votações no Conselho de Ética e na Comissão de Constituição e Justiça.
Agora, até o capítulo final, previsto para quarta-feira, ficam as expectativas do desfecho. A imprensa que apostava na absolvição de Renan no plenário do Senado, por causa do voto secreto, começa a rever suas previsões e já aposta em um placar apertado.
O que terá feito o vento mudar de lado? Será o voto do petista João Pedro (AM)? Ou a repulsa de alguns senadores que tiveram seus nomes expostos como possíveis eleitores de Renan?
A resposta é um simples olhar pelos fatos que aconteceram nos últimos dias, pois o Palácio do Planalto se distanciou do problema, o PT liberou seus senadores e surgiu um sentimento entre os senadores que é melhor uma solução que desagrade Renan, do que o Senado continuar na berlinda, como o patinho feio do Congresso Nacional. Além disso, os números indicam que a tendência é virar a página e devolver Renan a Murici.
Pois senão vejamos. Comecemos a análise pela base de apoio ao governo. O PMDB tem dois votos declarados contra Renan: Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), mas pode ter mais dois. Com isso Renan teria 15 votos.
No PDT votarão pela cassação, os senadores Cristovam Buarque (DF) e Jefferson Peres (AM), que já expressaram este desejo. Renan contaria com um voto.
No PSB existe o voto declarado do relator do processo, senador Renato Casagrande (ES). Os outros dois votos são uma incógnita.
No PT, além dos votos declarados pelos três senadores com assento no Conselho de Ética, existem mais três que podem segui-los. Restaria a Renan o voto de seis senadores que sofrem forte influência da líder Ideli Salvatti.
O PTB pode ter dois votos pela cassação e quatro a favor de Renan.
O único senador do PC do B, o cearense Inácio Arruda está fechado contra a cassação, em solidariedade ao deputado comunista Renildo Calheiros (PE), irmão de Renan.
O PP, PR e PRB possuem cinco senadores. Neste bloco pode haver apenas um voto a favor da cassação.
Os três partidos de oposição PSol, PSDB e Democratas tem uma bancada de 31 votos. Foi em cima dos votos do PSDB e Democratas, que a tropa de choque de Renan alardeou que teria mais de uma dezena de votos e os nomeou. Isso causou mal-estar, principalmente entre os Democratas, que resultou com a antecipação de votos pela cassação de alguns senadores. Com isso, Renan passou a contar com a expectativa de ter entre dois e três votos apenas na oposição.
A diferença pró-cassação de Renan é pequena, mas pode se alargar, haja vista, que a tropa de choque de cães amestrados começou a latir nos calcanhares do PT, com ameaças de retaliação aos pleitos do governo no Senado. Abertamente responsabilizam o presidente Lula pela decisão do PT em liberar a bancada para exercer o voto com a consciência de cada um. Baseiam-se na frase de Lula, proferida durante a entrevista a oito emissoras de rádio, nesta quinta-feira:
- O problema é do Congresso.
O presidente Lula na entrevista demonstrou que não passa de bazófia a declaração do senador Gilvam Borges (PMDB-AP) que disse, na quarta-feira, após a sessão da CCJ:
- Nós apoiamos o governo e esperamos reciprocidade.
A realidade é que o governo Lula sempre abandona os aliados, quando percebe que o problema é irreversível. Os exemplos existem a mão-cheia.
Portanto, a chiadeira dos cães amestrados é mais uma ação desastrada, como foram todas as demais.

Nenhum comentário: