Talvez o presidente não saiba, mas, a queda da CPMF vai lhe trazer, finalmente, a possibilidade de se mostrar ser um estadista. A facilidade que se apresentava em governar com abuso de dinheiro e gastança desenfreada e mais ainda, com a maioria do Congresso conquistado pelo bolso, lhe retirava toda e qualquer exigência de atuar realmente como tal. A facilidade deixada estruturalmente pelo governo anterior para tocar o País nos caminhos da economia viável somados ao momento pujante da economia mundial e a sensatez de Antonio Palocci o deixou, durante estes seis anos de mandato, senhor de todas as coisas. Como só tinha pensamento na distribuição de dinheiro, ação também conhecida como programa social ou de distribuição de rendas, e nas benesses de bilhões a Evo Moralles e ditadores africanos, agregado a sonhos políticos de eterno governante, o presidente terá que realizar profundas mudanças no seu comportamento.
É preciso, doravante, repensar que há pedras no meio do caminho. É mais ou menos como sair das estradas de São Paulo e entrar nas rodovias dos estados vizinhos ou, de preferência, os do Nordeste. Muitos solavancos vão acontecer e a figura do estadista terá que, obrigatoriamente, se aflorar sob pena de queda vertiginosa no conceito de bom governante atingido até hoje pelo “bolsa carisma” ou “bolsa cabresto”. Inclui-se na explicação razoável deste conceito, a pobreza cultural existente agregada ao analfabetismo funcional.
Nada seria mais fácil de aprovar do que a CPMF. Era uma questão simples e conceitual. Em nenhum momento, desde os primeiros discursos, foram colocadas as extensões dos benefícios sociais e fiscais com ênfase. O que se via e se falava, até quase ser fechado o caixão, diziam respeito às contas, o caixa do governo. A imprensa nacional, induzida pelo governo federal no afã de mostrar-se competente, está atrelada em tudo que diz respeito às questões financeiras e fiscais. Parece que aquelas favelas das campanhas políticas se tornaram bairros aristocráticos e não há mais o que se falar.
Como último suspiro, até bizarro, o presidente enviou uma carta ao Senado Federal se comprometendo aplicar 100% dos recursos oriundos da CPMF na saúde, sem garantir entretanto que aqueles outros recursos de fundo constitucional e orçamentário não fossem desviados para outras finalidades, ou seja, trocaria apenas a fonte. A saúde no Brasil necessita muito mais do que a arrecadação da CPMF. Faltou conversa séria em lugar de barganha e negociatas. É notório que o voto de 2008 e objetivos de 2010 estavam em jogo.
Para não fugir dos números, os jornais estampam nesta semana, a maravilhosa conta do PIB (Produto Interno Bruto) impulsionado pelo consumo interno. De novo todos os problemas vão para as gavetas. O que está em vigor é o fator econômico. Há uma sensação de que todos estão ricos e que temos os melhores serviços a nos atender, seja na educação, na saúde, na segurança e tudo o mais.
Escapa de melhor análise, entretanto, dado o ufanismo governamental, o que pode ocorrer. Vamos destacar um setor para avaliar esses resultados. Um carro pode ser comprado com mais de 90 prestações, eqüivalente a oito anos para quitá-las. Desde a indústria de autopeças, seguros, produção de combustíveis e uma infinidade de serviços aumentam a sua capacidade de ganho o que vai gerar, no final, maior arrecadação do governo. O que não fica à vista é a sustentabilidade da economia com forte apoio no crédito. O custo de vida, no decorrer desse financiamento, vai ter alta constante o que não ocorre com o salário e isto vai reduzindo a capacidade de pagamento das prestações assumidas nas compras que hoje geram esse crescimento. O risco para a economia fica latente. Ainda mais com um pequeno descontrole de preços e ganhos (inflação) se considerarmos que mais de 78% dos assalariados ganham menos de dois salários mínimos. Para estes, a estabilidade monetária é vital. Quanto a desfigurada CPMF, “demorô”.
Nada seria mais fácil de aprovar do que a CPMF. Era uma questão simples e conceitual. Em nenhum momento, desde os primeiros discursos, foram colocadas as extensões dos benefícios sociais e fiscais com ênfase. O que se via e se falava, até quase ser fechado o caixão, diziam respeito às contas, o caixa do governo. A imprensa nacional, induzida pelo governo federal no afã de mostrar-se competente, está atrelada em tudo que diz respeito às questões financeiras e fiscais. Parece que aquelas favelas das campanhas políticas se tornaram bairros aristocráticos e não há mais o que se falar.
Como último suspiro, até bizarro, o presidente enviou uma carta ao Senado Federal se comprometendo aplicar 100% dos recursos oriundos da CPMF na saúde, sem garantir entretanto que aqueles outros recursos de fundo constitucional e orçamentário não fossem desviados para outras finalidades, ou seja, trocaria apenas a fonte. A saúde no Brasil necessita muito mais do que a arrecadação da CPMF. Faltou conversa séria em lugar de barganha e negociatas. É notório que o voto de 2008 e objetivos de 2010 estavam em jogo.
Para não fugir dos números, os jornais estampam nesta semana, a maravilhosa conta do PIB (Produto Interno Bruto) impulsionado pelo consumo interno. De novo todos os problemas vão para as gavetas. O que está em vigor é o fator econômico. Há uma sensação de que todos estão ricos e que temos os melhores serviços a nos atender, seja na educação, na saúde, na segurança e tudo o mais.
Escapa de melhor análise, entretanto, dado o ufanismo governamental, o que pode ocorrer. Vamos destacar um setor para avaliar esses resultados. Um carro pode ser comprado com mais de 90 prestações, eqüivalente a oito anos para quitá-las. Desde a indústria de autopeças, seguros, produção de combustíveis e uma infinidade de serviços aumentam a sua capacidade de ganho o que vai gerar, no final, maior arrecadação do governo. O que não fica à vista é a sustentabilidade da economia com forte apoio no crédito. O custo de vida, no decorrer desse financiamento, vai ter alta constante o que não ocorre com o salário e isto vai reduzindo a capacidade de pagamento das prestações assumidas nas compras que hoje geram esse crescimento. O risco para a economia fica latente. Ainda mais com um pequeno descontrole de preços e ganhos (inflação) se considerarmos que mais de 78% dos assalariados ganham menos de dois salários mínimos. Para estes, a estabilidade monetária é vital. Quanto a desfigurada CPMF, “demorô”.
Um comentário:
Alô, Adriana.
Muito bom o post do Raphael. Entrei só para dizer que acho que ele é excessivamente otimista, quanto ao final do primeiro parágrafo, esperar que um sapo se transforme em príncipe.
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