"O advogado Liberto Faria escreve sobre o controverso caso dos deportados (as) da Espanha, encara a questão como realmente é, sem a pieguice como vem sem tratada por muitos profissionais da imprensa". (G.S.)
O Brasil é, de fato, o país dos coitadinhos, como denunciou, em seu título, o livro de Emil Farhat, que, com tanto sucesso, circulou na década de sessenta.
Só assim é possível entender a atmosfera de simpatia criada ao redor dos deportados, que, havendo pretendido estabelecer-se ilegalmente em países estrangeiros, são devolvidos ao Brasil.
O fenômeno nada tem de novo, pois é conhecida a nossa irresistível tendência de “torcer pelos desfavorecidos”. Xinga-se o juiz que marca o pênalti, vaia-se a polícia que prende o meliante, mas se aplaude o beque agressor que põe as mãos na cabeça e se dão vivas ao camelô que, veloz e matreiro, escapa do rapa. Sabemos que assim somos, que temos essa "quedinha" atávica e malandra pelo injusto e pelo incorreto.
É neste clima de louvor à transgressão e de admiração pelo transgressor que agora recebemos os deportados, alegadas vítimas de absurda discriminação. Sejamos honestos. Para começo de conversa, com as exceções de praxe, os deportados não são turistas. São mesmo candidatos a emigrantes ilegais. Em segundo lugar, não são os únicos devolvidos. Que o digam os mexicanos, os marroquinos, os turcos e tantas outras nacionalidades que buscam emigrar para a América do Norte e Europa na tentativa de comer farescas das mesas dos desenvolvidos. Nisso, os “nossos” devolvidos nada têm de diferentes dos devolvidos “dos outros”.
O Brasil é, de fato, o país dos coitadinhos, como denunciou, em seu título, o livro de Emil Farhat, que, com tanto sucesso, circulou na década de sessenta.
Só assim é possível entender a atmosfera de simpatia criada ao redor dos deportados, que, havendo pretendido estabelecer-se ilegalmente em países estrangeiros, são devolvidos ao Brasil.O fenômeno nada tem de novo, pois é conhecida a nossa irresistível tendência de “torcer pelos desfavorecidos”. Xinga-se o juiz que marca o pênalti, vaia-se a polícia que prende o meliante, mas se aplaude o beque agressor que põe as mãos na cabeça e se dão vivas ao camelô que, veloz e matreiro, escapa do rapa. Sabemos que assim somos, que temos essa "quedinha" atávica e malandra pelo injusto e pelo incorreto.
É neste clima de louvor à transgressão e de admiração pelo transgressor que agora recebemos os deportados, alegadas vítimas de absurda discriminação. Sejamos honestos. Para começo de conversa, com as exceções de praxe, os deportados não são turistas. São mesmo candidatos a emigrantes ilegais. Em segundo lugar, não são os únicos devolvidos. Que o digam os mexicanos, os marroquinos, os turcos e tantas outras nacionalidades que buscam emigrar para a América do Norte e Europa na tentativa de comer farescas das mesas dos desenvolvidos. Nisso, os “nossos” devolvidos nada têm de diferentes dos devolvidos “dos outros”.
(*) Foto: Janaína desembarcou no Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Parnamirim, RN, após ser barrada na Espanha e virado celebridade com toda a imprensa européia contando o seu drama
No fundo, no fundo, que diferença haverá, para o agente aduaneiro espanhol, entre um mineiro de Governador Valadares e um magrebino, ambos detidos sob suspeita de tentativa de emigração clandestina, que não seja a língua e o país do passaporte? Portanto, vamos deixar de lado a conversa fiada de que somos as vítimas inocentes e prediletas das autoridades estrangeiras, pois o mesmo podem dizer todas as outras nacionalidades de deportados.
Devemos lembrar-nos de que, nas economias capitalistas, os fatores de produção, inclusive o trabalho, buscam os lugares onde são demandados. O fluxo de emigrantes é um fenômeno econômico, uma resposta universal ao desequilíbrio planetário da oferta de emprego. Enquanto persistir o desequilíbrio, o fluxo ilegal de mão-de-obra existirá, não obstante tudo o que se faça para reprimi-lo ou tentar impedi-lo.
A tentação dos salários mais dignos, dos benefícios previdenciários e do acesso ao consumo, típicos das economias mais desenvolvidas, é mais forte do que quaisquer muros ou cercas eletrônicas. Não tivemos em casa o êxodo dos nordestinos para São Paulo? É assim o dos brasileiros para o Primeiro Mundo. Não procuremos envolvê-los num manto de romantismo, nem de dar-lhe aspirações maiores do que a busca da prosperidade individual, porque é disso que se trata.
Espantoso é que o fenômeno tivesse demorado tanto a morder os brasileiros e, mais curioso ainda, que tivesse mordido a classe média. O fato é que mordeu. A febre da emigração está entre nós e, como as pragas medievais, nada a impedirá de infectar número cada vez maior de brasileiros, especialmente os que podem pagar passagens aéreas para o mundo dos ricos.
Os episódios de deportação não vão diminuir, mas aumentar. E por muito tempo assim será, ao menos enquanto existir a distância que atualmente separa o Brasil do Primeiro Mundo. É o que demonstra o exemplo de Portugal, do Japão, da Itália, da Espanha, da Grécia e tantos outros, onde a emigração, legal ou ilegal, só acabou com o acesso daqueles países ao clube dos desenvolvidos.
Emigração clandestina, porém, é aventura de alto risco. Pode resultar em deportação, quando não em cadeia ou ambas. Quem se dispõe a tentá-la conhece perfeitamente as conseqüências. Diante dessa verdade meridiana, não faz sentido que nos façamos de inocentes e ofendidos, como se desconhecêssemos que (a) milhares de brasileiros já vivem na ilegalidade na Europa e nos Estados Unidos, e que (b) estes milhares ofendem diariamente a legalidade dos países onde se encontram.
Já não podemos mais tapar o sol com a peneira e ter o despudor de considerar os nossos deportados como “coitadinhos” e ingênuos turistas diante de impenitentes autoridades estrangeiras, esquecidos de que, em sua absoluta maioria, simplesmente violaram ou tentaram violar leis estrangeiras e pagam o preço correspondente. Ou será que, por uma questão de pena e condescendência, vamos conceder impunidade aos estrangeiros que violam nossas leis? Afinal, coitadinhos, que mal nos fazem?
Devemos lembrar-nos de que, nas economias capitalistas, os fatores de produção, inclusive o trabalho, buscam os lugares onde são demandados. O fluxo de emigrantes é um fenômeno econômico, uma resposta universal ao desequilíbrio planetário da oferta de emprego. Enquanto persistir o desequilíbrio, o fluxo ilegal de mão-de-obra existirá, não obstante tudo o que se faça para reprimi-lo ou tentar impedi-lo.
A tentação dos salários mais dignos, dos benefícios previdenciários e do acesso ao consumo, típicos das economias mais desenvolvidas, é mais forte do que quaisquer muros ou cercas eletrônicas. Não tivemos em casa o êxodo dos nordestinos para São Paulo? É assim o dos brasileiros para o Primeiro Mundo. Não procuremos envolvê-los num manto de romantismo, nem de dar-lhe aspirações maiores do que a busca da prosperidade individual, porque é disso que se trata.
Espantoso é que o fenômeno tivesse demorado tanto a morder os brasileiros e, mais curioso ainda, que tivesse mordido a classe média. O fato é que mordeu. A febre da emigração está entre nós e, como as pragas medievais, nada a impedirá de infectar número cada vez maior de brasileiros, especialmente os que podem pagar passagens aéreas para o mundo dos ricos.
Os episódios de deportação não vão diminuir, mas aumentar. E por muito tempo assim será, ao menos enquanto existir a distância que atualmente separa o Brasil do Primeiro Mundo. É o que demonstra o exemplo de Portugal, do Japão, da Itália, da Espanha, da Grécia e tantos outros, onde a emigração, legal ou ilegal, só acabou com o acesso daqueles países ao clube dos desenvolvidos.
Emigração clandestina, porém, é aventura de alto risco. Pode resultar em deportação, quando não em cadeia ou ambas. Quem se dispõe a tentá-la conhece perfeitamente as conseqüências. Diante dessa verdade meridiana, não faz sentido que nos façamos de inocentes e ofendidos, como se desconhecêssemos que (a) milhares de brasileiros já vivem na ilegalidade na Europa e nos Estados Unidos, e que (b) estes milhares ofendem diariamente a legalidade dos países onde se encontram.
Já não podemos mais tapar o sol com a peneira e ter o despudor de considerar os nossos deportados como “coitadinhos” e ingênuos turistas diante de impenitentes autoridades estrangeiras, esquecidos de que, em sua absoluta maioria, simplesmente violaram ou tentaram violar leis estrangeiras e pagam o preço correspondente. Ou será que, por uma questão de pena e condescendência, vamos conceder impunidade aos estrangeiros que violam nossas leis? Afinal, coitadinhos, que mal nos fazem?
7 comentários:
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Sin-ce-ra-men-te!!!
Não consegui ler tudo e se eu fosse mais sensato, nem deveria comentar o texto -- de infeliz inspiração. Mas vamos lá.
Não se trata de externar simpatia pelos pobres coitados dos brasileiros repatriados.
Eu já comentei a respeito aqui, tal como parte dos demais "25". Pelo que percebi, não houve quem enxergasse os cidadãos brasileiros como pobres-coitados. Isto não!
Há diferenças entre ilegais e não-ilegais e pelo que vi o texto tratou de confundir alhos com bugalhos.
Discordo e repudio o sentimento de vira-latas que a maioria dos brasileiros têm (senão de sí mesmos) da maioria dos concidadãos. Do mesmo modo, repudio qualquer sentimento de elitismo (não sou petista, hein!) de quem quer que seja, de onde seja e de onde esteja.
Relativamente aos expatriados de Espanha, a questão é outra e nem se trata de mera solidariedade.
Há que se respeitar o direito das nações estrangeiras de não desejarem o ingresso deste ou daquele "específico" em seus domínios territoriais, mesmo que isso pareça arbitrariedade.
Mas mesmo para essa arbitrariedade (na verdade discricionariedade) há que existir limites -- no mínimo de publicidade. Por exemplo, se os espanhóis não admitem o ingresso de brasileiros isto há que ser público, porque então os brasileiros podem decidir não ir para lá e se barrados, o "problema" é pessoal dos que desafiarem o direito do anfitrião recusar penetras indesejados.
Só que não foi isso o que andou acontecendo por lá, pois a cidadã brasileira cuja imagem estampa este post -- pelo que tudo indica -- JAMAIS poderia ter sido barrada e pior: maltratada por dias a fio, de modo indigno e atentatório, já que preenchia rigorosamente todas as exigências de ingresso.
O caso dela não foi único (quando poderíamos "aceitar" que "erros acontecem"), pois houve brasileiros que sequer a Espanha tinham como destino, mas mera escala, que indo à Portugal participar de conferência (estudos/trabalho) foram criminosamente retidos e repatriados ao Brasil.
Ao "defendê-los", nos defendemos a nós próprios, aos nossos filhos, parentes em geral, amigos, etc. A rigor não é às pessoas em si, mas necessariamente à legalidade, à justiça, aos respeito a nós mesmos.
Sabe do que mais, Giulio?
Deu-me preguiça e do mesmo modo que não consegui ler o post, também nem vou ler o que acabo de escrever.
Saudações,
O advogado Liberto de Faria que pariu o texto,exerceu o direito de opinião.
Esse parto, tem ingredientes de inseminação artificial,nota-se que alguém pagou para que a gravidez fosse seletiva, e que o feto ao nascer teria as características exigidas pelo pagador.
É a minha opinião sobre a opinião do parturiente.
Alô, meus caros.
Fui dos primeiros a defender aqui a reciprocidade. Mas, quando escrevo aqui, sei que estou escrevendo para '25' pessoas razoáveis, que sabem pensar. Minha defesa da reciprocidade prendeu-se ao fato apenas dos viajantes que não cumprem as exigências do país. E devemos lembrar-nos que erros acontecem sempre, porque agentes policiais são seres humanos, e não é incomum que algum seja atrabiliário ou tenha saido da cama e enfiado o pé dentro do penico, naquele dia.
Como o Abreu, apenas passei os olhos sobre o post. Depois de ler os comentários, é que decidi voltar a lê-lo, e o fiz por duas vezes, antes de falar minha abobrinha, para não escrever de afogadilho.
Por isso, peço aos amigos que releiam o post. Respeitemos as opiniões, como disse o Marreta, porque há muito de verdade neste artigo. Lembrei-me imediatamente dos nigerianos, que vem para SP como turistas, e depois permanecem aqui fazendo suas picaretagens em drogas e telefonia clandestina, nas esquinas da Av. Rio Branco e Praça Júlio Mesquita.
Então, realmente, não vamos tapar o sol com a peneira, como disse o articulista.
Até eu penso em sair do país. Há algum tempo, conversando com minha filha, perguntei-lhe qual país de 1° mundo que gosta de brasileiro, pois sei o que acham de nós. Ela me disse que a Suécia fomenta a imigração de pessoas jovens, pois lá a população está envelhecendo muito. Bem, primeiro, não sou jovem; segundo, quem agüenta aquele frio? Então, vou ficando por aqui, mesmo. Era só especulação...
Quem aposta que esta garota não vai ser convidada a pousar nua, dar entrevista no Faustão,Gugu,Hebe super-pop Tvfama e outras baboseiras mais
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Rô,
Sei que Você sabe: a Suécia é governada sob o regime socialista.
"Dizem" que lá é o céu, um perfeito nirvana, onde apesar do governo te tomar MAIS DE 50% (em média!) dos seus vencimentos na forma de imposto sobre a renda, Você não precisa se preocupar com saúde, educação, aposentadoria, alimentação, desemprego, violência... ôps!
Sabe como é: aonde ninguém se preocupa com a concorrência, a tendência é a acomodação, a modorra, o retrocesso. Afinal de contas, se há um indivíduo que se esforça muito para ser o melhor e outros que sem o mesmo esforço não passam de um determinado teto, por que / para que se esforçar para ser "o melhor" e "se matar" se todos, afinal, são "iguais" e não poderão ser diferentes para melhor?
Além do mais, por essa falta de motivação para a sadia competição na busca dos melhores resultados, a letargia induz o uso de álcool e drogas e de uma crescente violência ("ainda não" comparável à "nossa", é verdade!), etc.
Quer saber de uma coisa? Ouso dizer que o sistema de saúde deles não difere muito do SUS... (e não acredite em mim, por favor. Confira!).
O "brasileiro" não é mais querido nem mais odiado em lugar algum. Sei que Você usou uma figura retórica.
Em geral, nossa conduta é muito mais afável e isso nos cria facilidades de relacionamento em qualquer lugar.
Com equilíbrio, essa nossa habilidade inata é sempre bem vinda. Em demasia, nos envergonha, pois resvala aos condenáveis excessos praticados por nossos ishshshpéarrtushshsh ao redor do mundo, com "brincadeiras" condenáveis diante da sisudez de seus anfitriões.
A verdade é que em qualquer lugar no mundo, todo forasteiro (estrangeiro ou não) é recebido com reservas aonde chegue. Quando conseguimos entender e trabalhar com esse entendimento, tudo termina facilitado.
O que — em nosso próprio benefício — não podemos ter são sentimentos de baixa ou de excessiva auto estima que nos façam sentir inferiores e mal quistos ou superiores e dominantes aos nossos anfitriões. Isto não existe nem mesmo se formos para Biafra (parece que meu Blue Label me lava ao exagero...).
No texto transcrito pelo Giulio, cujo autor — como com muita propriedade disse o Marreta —, pariu algo que parece ter sido "bem pago" para se inseminar e gerar, percebo a generalização do espírito de vira-latas, que querem nos impingir.
Não é verdade! Não somos melhores nem piores do que ninguém — nem mesmo, por exemplo, do que os nigeriamos, ou dos bolivianos, colombianos, peruanos, etc. Aliás, se repararmos bem, os sulamericanos que nos "invadem" são sempre os de orígem indígena (guaranis) — estes verdadeiramente excluídos em seus países de orígem.
Os brasileiros que se expatriam, no entanto, não pertencem a uma orígem étnica específica e mesmo que muitos cheguem (ou permaneçam) irregulares nos seus destinos, sequer se pode dizer que a maioria tenha comportamento criminoso no exterior.
Por isso, comentando o texto transcrito, não posso deixar de criticá-lo como de infeliz inspiração.
...mas ando demasiadamente tagarela!
Saudações,
Alô, caros.
OK. Vocês venceram.
Neste caso, tiro o time...
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