28 de mar. de 2008

Dança na corda bamba de sombrinha

Por Adriana Vandoni com ilustração de Sponholz

A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) de Mato Grosso produziu um relatório onde sustenta que 89,98% dos pontos apontados pelo Inpe como desmatamento estão incorretos. Segundo a Sema as informações do Inpe com base no sistema Deter não são confiáveis. Totalmente desnecessário! O Inpe já tinha assumido que houve dupla contagem de áreas desmatadas que já tinham sido detectadas pelo sistema Prodes e foram computadas novamente pelo sistema Deter. Porém, mesmo com a recontagem o fato é que o índice teve aumento de 30%.
Diante disso, o bate boca entre o governo estadual e o governo federal é estrategicamente insano. Histórica e histericamente, Blairo Maggi é o inimigo número um dos ambientalistas. É apenas uma questão de lógica e percepção de como a imprensa e a população irão assimilar o caso. O problema é de imagem e ela não confere ao governador autoridade para questionar quaisquer índices relativos ao meio-ambiente, ainda mais de desmatamento. O máximo que ele conseguiu até agora foi trazer para o estado todas as atenções do mundo.
Veja, o sistema de satélite brasileiro é considerado um dos melhores do mundo, embora isso não o imunize de erros, como de fato aconteceu, mas em um embate com uma secretaria estadual, o Inpe já entra levando vantagem. O sistema de fiscalização in loco é deficiente tanto nos órgãos federais quanto nos estaduais. As leis ambientais são confusas e estúpidas, e a competência pela aplicação delas é pulverizada.
Vamos relembrar alguns fatos. Em março de 2004 o governo federal anunciou que o índice de desmatamento na Amazônia tinha aumentado e que a expectativa era de mais aumento. Foi um escândalo! O doidão dom Tomás Balduíno, dono da Pastoral da Terra, chegou a dizer que Mato Grosso era a moradia do demônio. O estado foi divulgado na mídia internacional como destruidor do ar do mundo e o governador como o ‘estuprador’ das florestas.
Como ação, Lula lançou o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia. O trabalho custou cerca de 82 milhões de reais e não produziu nada. No começo de 2005, nova divulgação alarmante. Foi então desencadeada pela Polícia Federal a Operação Curupira, que prendeu meio mundo, inclusive o responsável estadual pelo Meio Ambiente, que na época era Fundação do Meio Ambiente – FEMA. Qual foi o resultado? Vários municípios de MT ficaram paralisados, o desemprego no setor madeireiro, base econômica dessas cidades, foi assustador. Só na região de Sinop, entre empregos diretos e indiretos, foram mais de 20 mil demissões. Graças a essa paralisação e a esses desempregados, o governo federal pôde anunciar de boca cheia em dezembro de 2005 que o desmatamento na Amazônia estava sob controle.
Salve a Marina!
Mas nem tudo foi ruim, com a operação Curupira, Maggi se livrou do então presidente da FEMA. Transformou a Fundação em Secretaria, colocou um Promotor de Justiça no comando e graças ao inicial bom entendimento com Lula, conseguiu pegar para o estado a gestão florestal, até então de competência do governo federal.
Era tão óbvio que a ministra Marina Silva não iria engolir isso com facilidade, quanto era óbvio que o governo estadual não teria estrutura para a missão. Ao governo federal, em especial o Ministério do Meio Ambiente, bastou dar linha como se dá linha a pipas, até que a coisa estourou, e surgiu o glorioso salvador da floresta que fez a já esperada intervenção na gestão ambiental através da Operação Arco de Fogo.
A questão aqui é ideológica, política e de imagem – talvez impossível de ser solucionada –, e as contestações do governo estadual só agravaram a situação, despertando a ira dos salvadores da floresta. Nessa quem perde sempre é o cidadão que produz neste estado, e se no setor existem os bons e os maus produtores, os bons – a maioria – sempre pagam pelos erros dos maus. Agora, além de pagarem pelos erros dos maus, estão pagando pelo equívoco estratégico do governador que até teria direito de questionar o governo federal, mas em outras circunstancias, nesta não. Neste momento em que o estado já está com sua imagem tão desgastada, cabe a Blairo Maggi se recolher e evitar ainda mais contaminar o estado com a sua imagem. Imaginar essa conduta em um político soa como heresia, mas a outra alternativa seria que ele mudasse de ramo, o que significa que ainda seremos o foco das atenções por muito tempo. Acredito que essa situação mude apenas quando todos esses transtornos chegarem ao quintal das suas empresas.
Estrago feito e não tardou a aparecer os políticos ‘muito bem intencionados’, que nunca deram a mínima para os aperreios do setor e agora estão organizando uma caravana que irá até Brasília como forma de protesto. É um protesto válido? Claro que é! Mas a questão não é essa. A questão é: é a melhor estratégia contestar os números e xingar a ministra? É justo o setor - que já paga pelos maus produtores - pagar agora pela imagem ruim do governador ou pelo destempero dos mocinhos que orbitam em torno dele?
Sabe o que os produtores vão conseguir ao final de todo esse processo? Eleger dois ou três que, assim que diplomados, dar-lhes-ão uma bela de uma banana.
É a tal história, em cada passo dessa linha, podem se machucar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Há um contorcionismo neste texto, induzindo o leitor a pensar como a Sra. editora pensa "Que o Blairo é vilão e ponto final" - Estive na equipe que levantou os dados. Os desmatamentos são antigos, comprovados por GPS fotografias e visistas "in loco", e tudo que se disse sobre desflorestamento nos últimos meses (pelo INPE) é falso, apenas abalizado por fotogfrafias de satélite, cujos sensores não conseguem diferenciar uma queimada de uma plantação afetada pela praga "cigarrinha". Em nosso levantamento houve até pontos em que rochas ou lâminas dáguas foram dados pelo INPE como desmatamento. Pegaram os dados crus e jogaram na imprensa para obterem verbas para a pasta da Ministra Marina da Silva, mais insensível ainda, impetrou uma ação desmoralizante ao nosso estado, fria, subjulgou toda uma população, todo um Estado, em nome de verbas para seu ministério. Mas por outro lado, deu alegria para blogueiros e jornalistas sensacionalistas que adoram ver uma coisa com a qual possa construir toda uma fudamentação pseudo-lógica para atingir o Governador Blairo Maggi.

Mas enfim, a democracia é isso, e graças a essa liberdade é que me posiciono contra qualquer argumento exposto por este blog, quando se tratar do Governo blairo Maggi, pelo simples motivo de estar evidente e clara a parcialidade no caso em questão, ou em qualquer outro caso, por menor que seja.

Agora diante do fato criminoso do INPe ter feito o que fez, cada um toma sua posição, assim como esta editora, que é contra Maggi, o ataca. MAs a penúria é de todo um povo, e gasta-se energia para macular a imagem de alguém, enquanto nobre seria mobilizar massa encefálica para ajustar os ponteiros da verdade e dar as mãos aos nossos irmãos matogrossenses que sofrem com sansões inescrupulosas. Atacar o governo estadual pode fazer bem ao ego e ao bolso de alguns, e via de regra, insistir nessa linha demonstra claramente tal propósito. Optar por um comunicativo cidadão não é coisa para blogueiros que pensam no povo, mas em suas posições no tabuleiro político.

No mais, cabe a interpretação realista da inteligência de quem lÊ.

Abços a todos!