26 de mar. de 2008

Democracia, contanto que se faça o que Lula quer

Por Carlos Chagas

Os mais velhos lembrarão logo das décadas em que o País se divertia a valer com as piadas de português. Bons tempos, aqueles, porque hoje, além das piadas de brasileiro que invadem Portugal, ainda somos olhados de viés em Lisboa, como um povo não propriamente civilizado e, muito menos, economicamente capaz de igualar-se à antiga Metrópole.
Quando se tratava de truculência, a mãe de todas as piadas era aquela que mostrava a liberalidade do luso cidadão diante da perspectiva de casamento da filha mais velha. Ele dizia, com toda ênfase de um futuro sogro libertário: "Minha filha é livre para casar com quem quiser, desde que seja com o Manoel..."
Pois é. Reunido com o Conselho Político, na tarde de segunda-feira, o presidente Lula aceitou conversar sobre mudanças nas regras das medidas provisórias. Reconheceu o exagero com que o governo as produz e pontificou acentuando estar aberto ao diálogo com o Congresso e com as oposições. Mas acrescentou, sobre possíveis alterações: "Aceito todas as sugestões, desde que não afetem a governabilidade".
Com base na governabilidade, o presidente rejeita a limitação do número de medidas provisórias editadas pelo palácio do Planalto, exige que a demora na sua votação continue trancando as pautas na Câmara e no Senado e recusa qualquer definição objetiva do que seja urgência relevante, requisitos estabelecidos pela Constituição, mas subordinados à subjetividade do governo.
Em suma, é o futuro sogro do Manoel, sem tirar nem pôr, que o Lula representa e impõe na discussão sobre as medidas provisórias. Se deputados e senadores aceitarem suas condições, serão livres para promover as mudanças que quiserem...

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