18 de mar. de 2008

A genialidade de Fidel

Por Ralph J. Hofmann

Ao reler o que escrevi hoje sobre Fidel Castro e sua relação com os Estados Unidos de repente me vieram à memória algumas coisas mais. Não cabem no espírito do artigo anterior, mas falam muito sobre o que é e foi Fidel Castro. Na época eu era um adolescente, que lia mais que o normal mas é interessante como as lembranças voltam.
Quando Fidel chegou ao poder, a imprensa americana que já o tratara muito bem, como um libertador foi à apoteose.
Inclusive Fidel havia conseguido que americanos libertários contribuíssem materialmente para sua luta. Em tudo como os legalistas na Guerra Civil espanhola, quando não-comunistas se engajaram no exército republicano contra Franco.
Um regime de esquerda teria provavelmente podido coexistir facilmente com os Estados Unidos. Contudo não um regime comunista apoiado pela Rússia. A oitenta quilômetros de casa? Pode esquecer.
A eliminação metódica de qualquer outro matiz de ideologia pelo paredão, os processos sumários que assistimos pelos cinejornais, chocavam. Lembro-me de ver um homem qualquer ser trazido para a arena. Alguém na multidão gritava.”Eu vi ele denunciar meu pai para a polícia de Batista!” O defensor público ficava quieto, o homem era encostado no paredão e fuzilado na hora. Quinze minutos quando muito para eliminar uma pessoa.
Mas nota-se que Fidel havia recém ocupado Havana, não se declarara ainda abertamente comunista quando também começou a fazer comentários desairosos até insultuosos sobre os Estados Unidos (bem estilo Chavez).
Até houve um momento em que com panca de estrategista militar entendido em tudo criticou os generais que haviam planejado e comandado os desembarques da Normandia.
Disse que os americanos faziam grupelhos concentrados nas praias o que os tornavam bons alvos.
Nos anos posteriores dois filmes com reconhecida competência reconstituíram o os desembarques. Notadamente “O Dia D” e “O Resgate do Soldado Ryan”. Vê-se aí que o acúmulo de soldados neste ou aquele ponto foi uma necessidade de ocupar pontos onde o campo de fogo alemão era menor.
Fidel nunca fez um desembarque bem sucedido numa praia. Do Granma sobraram poucos sobreviventes, uma hecatombe. Aliás Fidel não é nem foi um bom líder militar. Outros como Camilo Cienfuegos e Huber Matos foram os heróis militares. Dos que me lembre. Outros importantes foram para a obscuridade em Cuba ou fugiram para Miami. Fidel era o aglutinador. Chê o comissário político. Um falastrão e o outro um desajustado social psicopata sanguinário. Um Batista com apoio popular poderia tê-los derrotado.
Mas a partir deste momento Fidel tratou de hostilizar os Estados Unidos. Sempre foi inflexível, e assim como Lula quando implanta o Fome Zero sai dez dias depois pelo mundo dizendo que derrotou a fome, Fidel saiu dizendo que já transformara Cuba num paraíso e mandou seus sequazes percorrerem as Américas exportando seu modus vivendi.
Quarenta e nove anos depois, em quase tudo Cuba é hoje é menos do que era sob Batista. Até as prostitutas que haviam sido “reeducadas” hoje são revividas pelas gineteras.
Assim me pergunto. Considerando que uma invasão de Cuba por tropas americanas nunca foi possível mediante a certeza de uma condenação mundial a tal ato, cabia qualquer coisa senão um boicote?

2 comentários:

ma gu disse...

Alô, Ralph.

"Quando fomos adolescentes" (o plural por minha conta) ficou bonito, né? Parece até título de romance.
Você provocou minha memória, e me lembrei dessa imagem que citou, que me marcou negativamente, destruindo qualquer veleidade que tivesse sobre consertar Cuba.
Não é engraçado, que quando fazemos uma rememorização de caudilhos esquerdistas (não que os de direita sejam melhores) que já apareceram no planeta, sempre foram assassinos em massa.

Ralph J. Hofmann disse...

Um amigo Chileno, comunista de fé, professor universitário, adepto do Eduardo Frey (desprezava Allende por suas atitudes que levaram fatalmente ao golpe) me disse sobre Huber Matos, que havia sido solto após vinte e cinco anos:

"As telefonistas do interior quando Huber Mattos estava sendo queimado respondiam ao telefone dizendo:
"Buenos dias señor. El Comandante Huber Mattos no es un traidor. El número que quiere señor? "
Apenas uma curiosidade de 1959.

Ralph