29 de mar. de 2008

O Brasil Tomado pelo Populismo Barato

A Tragédia do neopopulismo
João Mellão Neto em O Estado de São Paulo

O ex-deputado federal Wilmar Rocha (foto), de Goiás, foi presidente do Instituto Tancredo Neves (ITN) na época em que eu fui diretor, em meados dos anos 90.
Grande sujeito, missão ingrata a dele. Explico: por força de lei, todos os partidos devem criar um instituto de estudos e pesquisas, para melhor fundamentarem seu posicionamento no Congresso. Até aí, tudo bem. Ocorre que, no Congresso, ninguém, em sã consciência, é capaz de dispor de um minuto sequer de seu tempo para discutir ideologia. Não que esta não seja importante. O problema é que, na prática, cada um adapta o discurso da maneira que quiser. Restamos nós, os bravos mosqueteiros do ITN, para formular, de maneira simplificada, simplória até, os postulados de nosso partido. Alguns, a esta altura, vão dizer que o PFL - hoje DEM - não tem ideologia. Acontece que o mesmo problema afligia todos os partidos, inclusive o (então vestal) Partido dos Trabalhador
Éramos meia dúzia de deputados, mas a nossa ação sugeria que fôssemos mais de cem. Devemos tudo isso ao Wilmar Rocha, que, a par de seus sólidos conhecimentos sobre sociologia política, tinha um senso de marketing inigualável.
Pois bem, o Wilmar esteve em São Paulo na semana passada, para lançar o seu excelente e atual livro O Fascínio do Neopopulismo, que ele diferencia do antigo em função de algumas características básicas: o velho populismo alavancava o seu poder graças ao apoio incondicional dos sindicatos urbanos, aos quais concedia, em troca, vantagens salariais e privilégios trabalhistas; o neopopulismo, ao contrário, prefere cortejar a massa dos destituídos de tudo - são os sem-terra, os sem-teto, os sem-emprego.

Um comentário:

Anônimo disse...

O neo-populismo também brinda os com-muita-terra na Amazônia, em Mato Grosso, litoral etc., os com-teto-luxuoso do Congresso e das Universidades, os com-emprego nas estatais, nos Ministérios e no Congresso, fora os com-empresa tipo Lulinha, Renan, Lobinho, empreiteiras. Acrescentem-se a isso novos dados de criativade para o encaixe de amigos e aliados, como formação de Ongs, prestadoras de serviços etc. que formam a elite da nossa latrocracia. E quem paga a conta? Ora, o capital-motel, o aumento da dívida pública o narcotráfico e a classe média. Estão para vir aqui mais duas fontes de financiamento que são os cassinos e os petrodólares oriundos da junção dospaíses bolivarianos. Será que estou mais ou menos certa?