12 de mar. de 2008

O mal menor

Por Laurence Bittencourt Leite

Depois da queda de popularidade de Hugo Chaves, internamente, na Venezuela, ele agora se volta compulsivamente, para alçar um inimigo externo, que o faça novamente ganhar a aceitação popular. O alvo está sendo a Colômbia, e por tabela, os EUA.
Os defensores de Chaves pouco estão preocupados com a ditadura imposta ao povo venezuelano, que viu agora sair de seu país, quase meio milhão de dólares, para ser destinado a ajudar a causa das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que hoje é mantida pelo narcotráfico e pelo seqüestro. Guerra é guerra dizem os simpatizantes de Chaves.
Mas como se pode apoiar alguém que além de explorar o próprio povo, ainda alimenta com recursos desse próprio povo, guerrilheiros fanáticos e religiosos terroristas que querem explodir a democracia? Cujo paradoxo maior e ultrapassado, seria o de que, em sendo vitoriosos, iriam fazer surgir na Colômbia, tal qual na Ex-União Soviética um regime de tirania, onde após assumir o poder, os socialistas ou comunistas como queiram, levaram a morte mais de 20 milhões, 20 milhões de pessoas (segundo dados do historiador comunista Isaac Deustcher), o que inclui torturas a mulheres, crianças e idosos, que porventura não concordassem em seguir com as idéias socialistas, a industrialização forçada e a coletivização da agricultura, trabalhando para sustentar a burocracia estatal (que alguns chamam de capitalista de estado), ou seguir a idéia de regime único? Ou mesmo na China, onde o humanista Mao Tsé Tung levou a morte mais de 70 milhões de chineses, segundo a última biografia escrita pelo casal Jan Halliday e Jung Chang.
Juntos Stalin e Mao representam os dois maiores carniceiros da história humana, sob a batuta orgulhosa da esquerda, em comparação com os tiranos, tiranos da América Latina e do Sul. Se alguém não se lembra, basta refrescar a memória e lembrar que em maio de 1968, os tanques de Varsóvia, com o patrocínio soviético abortaram a tentativa iniciada por Alexander Dubcek na Tchecoslováquia tida como “Primavera de Praga”, onde cansados do centralismo econômico, pleiteavam por liberdade de mercado e democracia, sendo dizimados e mortos aos milhares.
Ou seria, preciso citar os horrores do regime de Fidel Castro, apoiado no Brasil por gente como Frei Beto e simpatizantes católicos, que se negam a emitir um níquel de autocrítica e julgamento sob as mais de 30 mil mortes (estimativas não oficiais) sob o Paredón do ditador cubano. Na América Latina foi quem mais dizimou vítimas que não puderam e nem podem discordar do regime.
É inegável que qualquer ditadura política é condenável, por isso, não se pode falar em democracia sem falar em abertura econômica e política. Defender a abertura política e condenar a abertura econômica, que mérito há? Há medo na abertura econômica. Medo da competição. Foi isso que fizeram todos os ditadores de esquerda, levando ao colapso econômico os seus países e o seu povo. A União Soviética faliu, Cuba faliu, China faliu economicamente. Sobrevivem sob ditadura política. E não é errado juntar às ditaduras de esquerda do leste europeu, e da América Latina, ao fascismo e ao nazismo, que produziram as maiores atrocidades e as maiores mortandades do século XX. Chega ou é pouco? Se a Igreja Católica foi responsável pela mais longa ditadura da historia humana, que foi a Idade Média, 1.000 anos de ditadura (tudo era explicado pela Bíblia, o Livro Sagrado), foram as ditaduras de esquerda que mais provocaram mortes, torturas, e crueldades. E quais os benefícios que trouxeram ao mundo ou ao seu povo?
Lamentavelmente o comunismo onde chegou só trouxe morte, crueldade, e miséria. Adianta? Mas mesmo diante de tantos exemplos, a América Latina continua pródiga em alimentar esperanças de que esses regimes são melhores que a democracia. Aplaudir a democracia não é a mesma coisa que alimentar ditaduras. Mas em nome do combate a liberdade de mercado, apoiar ditaduras de esquerda sob um manto de humanismo, nada é mais triste e lamentável. Nesse caso peca-se menos quem aposta em ditaduras cujo fim possa levar a democracia. Ainda que seja condenável. O resto é retórica, distorção de pensamento ou desonestidade intelectual, que há aos montes entre os intelectuais de esquerda.

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