18 de mar. de 2008

O mascate e a aliança PT e PSDB

Por Chico Bruno

Por estarem mais focados na política nacional, os analistas políticos dos jornalões só agora tiveram conhecimento da camaradagem que existe na Bahia entre PT e PSDB, coisa que os baianos conhecem desde 1992, quando Lídice da Mata se elegeu prefeita pelo PSDB, governou com o apoio do PT, tanto que em 1994, o candidato tucano ao governo da Bahia dobrou com o candidato do PT para presidente com o slogan “Lula lá, Jutahy aqui”, criado por Duda Mendonça.
Na Bahia, o PSDB sempre foi um adversário implacável de ACM, a ponto de encolher sua bancada federal em 1998 por não permitir que parlamentares da legenda apoiassem a candidatura ao governo do estado. Quem ganhou com isso foi o PP, que passou a contar com os ex-tucanos João Leão e Mário Negromonte.
Portanto, na Bahia não é novidade o PSDB-PT andarem de braços dados.
Aliás, em 2004, no segundo turno da eleição para prefeito, o PT apoiou o candidato do PDT/PSDB e governaram juntos até meados do ano passado.
No mesmo ano, na cidade vizinha de Salvador, Lauro de Freitas, a aliança PT/PSDB elegeu uma prefeita petista com um vice-prefeito tucano. A aliança existe até hoje e deverá ser mantida na tentativa de reeleição.
Em 2006, o PSDB apoiou a candidatura petista de Jaques Wagner, num acordo que lhe garantiu em 2007 a presidência da Assembléia Legislativa.
É natural, portanto, que o candidato tucano a prefeitura de Salvador seja encarado pelo governador Jaques Wagner como da base aliada.
A novidade são os partidos auxiliares do carlismo que estão trocando de lado, como o PR e o PP. No mais, na Bahia continua tudo como antes no quartel de Abrantes.
De um lado o carlismo, representado por ACM Neto e do outro as forças anti-carlistas representadas por candidatos que apóiam o governador Jaques Wagner.
Enquanto isso, nos últimos dias o presidente Lula encarnou um personagem que, ainda, resiste na economia dos grotões do país: o mascate, aquele que vende de um tudo.
Neste março, que só agora ultrapassou a metade de seus dias, o presidente itinerante já percorreu cidades do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, de preferência as em que estejam alojados no poder aliados, pois aí fica mais fácil arregimentar platéias.
A última parada do mascate Lula foi Araraquara, em São Paulo.
Ali, o presidente que dá nó em pingo de éter, mascateou tudo o que trazia na bagagem.
Vendeu da entrada do enteado Marcos Cláudio na política até um pouco teoria econômica.
- Estou vendo a cara do pessoal aí, todo mundo com a cara feliz, trabalhando, 700 empregos, para no fim do mês colocar o salariozinho no bolso, com direito a tomar uma cervejinha gelada, para quem bebe. Se encontrar comigo, pague uma para mim, que eu não recusarei, disse Lula mascateando as virtudes do PAC na geração de empregos.
Em uma demonstração de que todo bom vendedor tem que guardar a fisionomia dos fregueses, o mascate Lula perguntou a um espectador perdido na multidão:
- Você não era o maquinista do trem que vinha de São Paulo?
Na platéia ninguém se manifestou. Para o mascate pouco importa a resposta.
O que importa são as eleições de 2008 e 2010, por isso, ele atesta as alianças entre tucanos e petistas, que por sinal estão juntos em muitas cidades do país.

3 comentários:

ma gu disse...

Alô, Adriana

A aliança bahiana não deve surpreender ninguém. É sabido que a política, na maioria das vezes, é praticada por gente de cerviz mole, que pode ser curvada sem problemas, observadas raras exceções.
Uma das exceções era o 'glorioso partido', antes de chegar ao poder, porque se dizia detentor da ética.
Mas, uma vez no poder, e para se manter nele, deixou de ser exceção para ingressar na regra, onde a ética não é percebida quando não interessa ao resultado.
Então não será surpresa essa aliança local começar a se espalhar, como promete Minas Gerais.

Anônimo disse...

Cara Adriana, não tenho os números de cabeça, mas li que, no Estado de São Paulo, mais de 50% de Prefeitos dos municípios estão sendo processados por improbidade. O pior é que as imprensas das regiões pertencem a grupos podersosos das próprias regiões. Aqui no litoral, houve até um escandaloso caso em que um jornalista do Estadão foi ameaçado, por publicar as falcatruas da tchurma. É por isso que o pessoal morre de medo e na internet estão proliferando os anônimos ou pseudônimos, entre os que não são cegos.
O problema da corrupção é muito maior que só o que se noticia em relação aos escândalos nacionais. Em cidades onde rolam as royalties da Petrobrás, por exemplo, 100 milhões não é nada, é do tamaho de um dos escândalos de Renan, senador e figura de projeção nacional. Toda a gande imprensa está anestesiada em relação a esse problema dos municípios. Todos têm locais imobiliários de grandes valorizações, abrigam Ongs, se tiverm portos, aeroportos ou rios podem ser rota de tráfico ou de contrabando ou de prostituição, de lavagem de dinheiro... todos recebem verbas de Saúde, de Educação, de Saneamento... todos emitem cartas-convite, licitaçõs de lixo e de transporte etc. É um buraco sem fundo.

Anônimo disse...

Prezada Adriana.
E nós não sabemos ainda o total de falcatruas. Não sabemos nem 10% do que acontece neste país.
Será que um dia essas coisas vão acabar?
Antigamente não sabíamos nada do que ocorria, mas, agora, o povo começa a ter consciência (digo que são poucas pessoas, que é uma pequena minoria)