26 de mar. de 2008

Rodízio de automóveis

Por Ralph J. Hofmann

Acabo de ouvir mais uma vez na TV as discussões sobre o rodízio de automóveis. Isto me trouxe à mente o ano de 1974. O choque do petróleo criara uma conta de importação que consumia a metade das divisas geradas pela exportação.
Em Porto Alegre muitas pessoas passaram a fazer transporte solidário. No campus de Viamão as pessoas tratavam de usar seu carro a cada quatro dias. Cada carro levava quatro pessoas. O hábito se consolidou e as pessoas continuaram com ele anos depois de passada a crise. Basta dizer que em 1997 obtive da minha irmã seu Fusca 1973 (original dela) com 160.000 km no odômetro. Ou seja, numa cidade grande, com fugidas para Gramado e Canela . Ou seja coisa de 7.000 km por ano.
É uma opção. O município para os carros e fazer campanha pelo transporte solidário.
Por outro lado em 1973, ainda antes do primeiro choque do petróleo eu estava no prédio do Banco de Lisboa em Johannesburg. Às 16 h e às 17 h. Ouvi um burburinho. Curioso, perguntei o que era este ruído de hora em hora.
Meu interlocutor falou que sendo os maiores prédios haviam criado horários diferenciados para funcionários para evitar um excesso de carros nas perimetrais e radiais da cidade.
A coisa era flexível. Tanto podia ser diferentes pessoas em uma firma ou em diferentes andares do prédio chegavam mais cedo e saiam mais cedo. Nessas condições também as pessoas que realmente necessitavam por algum motivo de urgência ir para a rua não apresentava maiores problemas.
E funcionava. As lojas do centro também aproveitavam e faziam horários que aproveitassem a presença das pessoas se deslocando.
Vale a pena para São Paulo estudar estas soluções semi-voluntárias para a cidade. Afinal, São Paulo é uma cidade sofisticada suficiente para poder se organizar nestes moldes.
Naquele ano raramente vi o tráfego parado em Johannesburg. Apenas ocasionalmente em torno do Aeroporto Jan Smuts. Mas isto se explicava. Era época de peregrinagem para Mecca e os muçulmanos que partiam convidavam todos os parentes e amigos para o bota-fora. Aliás parecido com a ida do avião de domingo da Alitalia de Ezeiza para Fiumicino em Buenos Aires na década de setenta. Todos iam para o bota-fora dos parentes que iam visitar a terrinha de origem.
Outros tempos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bem Mr. Ralph.
Só para ilustrar, em São Paulo, em 85, tentaram fazer isto, rodízio do comércio, bancos e indústrias, mas infelizmente não vingou e não reaplicaram. É uma pena, pois agora a situação se complicou mais ainda e não vemos nenhuma solução para ao menos minimizar o caótico trânsito, que todos os dias, bate recordes de quilômetros.