Villas-Bôas Corrêa no Jornal do Brasil
É com o desconforto do constrangimento que a sociedade toma conhecimento das recorrentes iniciativas de senadores e deputados, para retomar o exaurido projeto de reforma política, de muitas propostas e boas intenções, entre as quais a da moralização do Legislativo.O fogacho dura pouco e nunca dá em nada. Mas, no vazio do silêncio, a coceira costuma bisbilhotar sobre o comportamento de vizinhos do Executivo e do Judiciário, ambos igualmente necessitados de uma faxina em regra.
No momento, coube ao presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (a direita na foto - PT-SP), a vez de remexer no lodo das promessas da sua campanha aumentando de R$ 50.080 para R$ 60 mil mensais a verba de gabinete individual dos deputados, a pretexto de um reajuste dos salários de assessores, congelados há cerca de dois anos. A verba para contratar de cinco a 25 cupinchas, que não cabem em pé nos gabinetes dos anexos, é uma pilha de maracutaias da coleção dos desvios éticos. A rigor, nem a maioria dos parlamentares, que pouco aparece em Brasília, necessita de gabinete individual. Nenhum tem serviço para 25 assessores, e muitos embolsam a propina cuidando na base da reeleição do chefe.
Eis como se decora com as cores vivas da generosidade uma das mais indefensáveis distorções éticas do modelito do Congresso nos ajustes da bagunça da mudança da capital para o canteiro de obras do cerrado.
2 comentários:
Alô, Giulio.
Na casa não há espelhos. Foi a primeira providência que o Severino tomou quando foi alçado à presidência.
Agora, com o projeto que a dirige, não falta mais nada para que o seu partido, que já foi um dia conhecido como o mais estrito defensor da ética, hoje já faz por merecer qualquer atitude que possa varrê-lo da nossa memória.
Que corja de 171...
Magu, acho que até tinha. Muito descuidado, quebrou-o, por isso terá 7 anos de azar.
E aumento de verba pra essa cambada em ano de eleições municipais, adivinha pra que será usada?
Até o meu Bethoven, sabe!
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