12 de mar. de 2007

O passo do elefantinho....

Por André Leite, Consultor Financeiro e colunista do Jornal CircuitoMT

O IBGE divulgou o PIB de 2006 na semana passada. Com isso podemos finalmente comparar o primeiro governo Lula com o primeiro governo FHC. A média do primeiro termo FHC foi de 2,6% (contra 3,7% do mundo). Com isso FHC nos deu 70% do crescimento mundial. Um resultado ruim, sem dúvida. Só que o ruim pode ficar ainda pior. O primeiro mandato de Lula também nos entregou 2,6% de crescimento médio. Só que o mundo andou 4,8%. Isto é, Lula nos deu somente 54% do crescimento mundial. O Apedeuta, que gosta tanto de se comparar à FHC, poderia ter ido dormir sem essa…..Se formos lembrar que nos anos FHC (94-98) tivemos três crises globais (México-Ásia-Rússia) o resultado então foi um passeio de FHC em Lula...
Como povo, no entanto, essa briguinha de egos não nos interessa. É o campeonato do sujo com o mal lavado. Temos sim que parar com esse trololó ideológico e descobrir porque desde 1994 crescemos consistentemente abaixo do mundo. A teoria econômica diz que um país emergente deve crescer mais que a média mundial. E o nosso bolso concorda com isso. Porém na prática, temos padrão europeu de crescimento com padrão haitiano de desenvolvimento. Vamos aos fatos.
Em 1994, FHC acabou com a inflação, descobriu-se então um baita déficit fiscal, que até então era mascarado pela “mardita”. Em vez de cortarmos despesas, resolvemos cobrir esse rombo com aumento de impostos. Dos 28% de carga tributária do governo Itamar, chegamos aos 40% do governo Lula. E o número não dá sinais que irá parar de crescer. No governo Lula, foram adicionados 182.000 novos barnabés ao serviço público, foram criadas 27 novas estatais. Quem paga essa conta é você, nobre leitora. Com isso temos tanto os orçamentos do estado quanto das empresas bem apertados, pouco sobra para poupar e investir. O que nos difere dos países de alta taxa de crescimento é que temos taxas de poupança e investimento bem mais baixas que eles. O governo Collor/Itamar, mesmo passando pelo traumático processo do impedimento de Collor, investiu 1,2% do PIB. O governo petista teve quatro anos para investir apenas 0,7% do PIB. Do lado privado a estória foi parecida, afinal pagando-se mais impostos sobra-se menos para investir.
Vamos dar pequenos exemplos locais desta ineficiência governamental torrando nosso dinheiro e impedindo nosso crescimento. Recentemente o prefeito Wilson Santos gastou dinheiro municipal nos jornais locais, homenageando o aniversário de Dante de Oliveira. Qual benefício disso para a população? Zero. Fez um bonito com a família do amigo morto. Torrando o meu, o seu, o nosso dinheiro. Coisa de pouco valor, mas todo e qualquer centavo público tem que ser cuidado com zelo. Dava para ter reformado ao menos um posto de saúde....
Outro exemplo, o túnel de um milhão de reais que o TJ-MT construiu, pois seus funcionários não podem pegar chuva, nem seus processos. Em tempos de Internet e arquivos digitais gasta-se uma pequena fortuna para passeio de papéis. Isso para uma justiça lenta, que sacrifica seus clientes. Será que os líderes do TJ-MT não poderiam ter aplicado esse ervanário na informatização do tribunal? Esse túnel do TJ-MT é um monumento à falta de competência e sensibilidade do gestor público tupiniquim. O governador Blairo Maggi, se estiver sintonizado com a moralidade pública, tem mais é que cortar verbas do TJ-MT. O túnel mostrou que o dinheiro por lá está sobrando.
Por mais que o Adams (colunista) queira fazer o elefantinho voar, não tem jeito. O ser humano só administra com decência e competência aquilo que é dele (a “mão invisível” de Adam Smith). O que é dos outros (recursos públicos) não é, e nem será tratado com carinho e eficiência. Simples constatação da natureza humana. Temos que seguir o exemplo chileno, onde a presença do governo na economia saiu de 90% no governo Allende para menos dos 10% atuais. Independente de ser de esquerda, direita, abaixo ou acima, nós temos que mirar nos exemplos que funcionam. Chega de perder tempo!

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