25 de abr. de 2007

Os capitalistas são os algozes dos delinqüentes e bandidos?

Por Laurence Bittencourt Leite, jornalista

Os defensores dos fundamentalistas acusam os ocidentais brancos de não aceitarem a cultura islâmica, ou seja, de não respeitarem o relativismo cultural. Mas esquecem que a mesma acusação serve também para os fundamentalistas que renegam a cultura ocidental, branca e materialista. Eles querem impor a sua “cultura”, como sendo a melhor e superiormente moral. A raiz é marxista. Afinal religião e marxismo são sinônimos como esclareceu muito bem Bertrand Russel. Na Idade Média os fundamentalistas eram a Igreja católica que detinha o monopólio das terras e dos escravos, apoiando politicamente o Rei absolutista. Nobres e padres não trabalhavam, mas tinha quem fizesse o trabalho (escravo) para eles. A muito custo essa mentalidade foi vencida pela burguesia nascente e pelo trabalhador que fugia do campo para as cidades. A palavra cidadania vem de Cidades, coisa que na Idade Média não havia. Não é à toa também que a Igreja católica até hoje é contra a democracia, o capitalismo, e a ciência material.
Na verdade para os fundamentalistas, o slogan “na casa do meu pai há muitas moradas” não serve. Eles são autocratas, autoritários, sectários, dogmáticos e totalitários. Basta dizer que vivem em um mundo ou “sociedade” teocrática, coisa que a democracia moderna rompeu, separando o Estado da religião. Nos países democráticos a crença é uma escolha pessoal e não uma imposição coletiva, passando a aceitar as diferenças de crenças. Quem deu o ponta pé foi Lutero. Quem está errado?
O que está por trás dos fundamentalistas é o medo da sociedade aberta e crítica. O que eles temem é perder os fiéis, travestido de moralismo. É o mesmo medo que por exemplo vemos em algumas mentes no Nordeste em relação aos “gringos” e estrangeiros, como se eles trouxessem a “peste”. Eles não querem ser contaminados e daí busca a todo custo viver no mundo provinciano. Atraso e provincianismo, permanente. Ou seja, o medo que os Aitolás tem do ocidente branco e materialista, nós temos dos estrangeiros compradores dos “nossos” terrenos.
Podemos ver reações semelhantes em relação aos hoje neo-comunistas, os ambientalistas e verdes. O medo que os ambientalistas tem dos estrangeiros capitalistas é, primeiro, o medo da separação incestuosa com a “mãe terra”. Depois, resquício ideológico com a derrocada comunista no mundo. São pessoas que vivem da burocracia estatal, que para justificar o “nada fazer” e manter seus salários às custas da miséria da sociedade, se arvoram na condição de paladinos do verde.
Pela mentalidade dessa gente, não teríamos saído das cavernas, do mato, e ainda estaríamos fazendo nossas necessidades “ao ar livre”. É o desejo de uma volta a simplicidade (leia-se o incesto que eu falei a pouco) perdida. É o medo do mundo moderno industrial e tecnológico. Freud chamou todo neurótico de subdesenvolvido. Não é à toa que a América Latina é subdesenvolvida. Estamos presos coletivamente a crenças a muito superada. A ciência nunca fez morada entre nós. Preferimos o oba-oba, travestido de superioridade moral.
Enquanto que a América (leia-se os Estados Unidos) nasceu moderno, nós nascemos condenados ao retrocesso, paralisia e atraso. Foi Bertrand Russel também que disse ser Rousseau o patriarca do marxismo, de Hitler e companhia limitada. Preciso. Para entender isso é preciso entender a frase “genial” de Rousseau que disse que “nascemos livres, mas é a sociedade que nos agrilhoa”. Qual sociedade é essa? Claro, a capitalista. Pelo pensamento dessa gente, o mesmo não ocorre sob o comunismo nem sob os fundamentalistas. É dentro desse pensamento que os defensores dos “direitos humanos” acusam a sociedade capitalista de ser o algoz dos delinqüentes e bandidos. Portanto, você que defende o capitalismo é o algoz dessa gente. Você é?

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