15 de mai. de 2007

Bagdá, Kabul ou Faixa de Gaza?

Começam os tiros, o motorista para o ônibus e, com toda calma que se obtém da experiência, orienta mais uma vez os passageiros a se protegerem. Primeiro as mulheres e as crianças devem deitar-se no chão e depois os homens da melhor forma que sobrar.
Não, não estão em Bagdá, nem em Kabul e muito menos na Faixa de Gaza, mas Complexo do Alemão, um conjunto de favelas no bairro da Penha, Rio de Janeiro.
O número de baleados atendidos no Hospital Getúlio Vargas, próximo ao Complexo, nesse aumento em 54%, resultado do confronto entre a polícia e os bandidos locais.
Mas ainda falta a notícia ruim. Ontem, enquanto a Polícia Militar planejava estratégias para retomar as operações nas comunidades, os bandidos se preparavam para novos confrontos. Sem a presença ostensiva de PMs, traficantes puseram novos obstáculos à entrada de policiais. Além de vergalhões de ferro fincados com cimento no chão e óleo derramado nas pistas dos principais acessos à Grota, no Complexo do Alemão, enorme buraco foi aberto em uma das ruas próximas à Estrada do Itararé, para impedir a passagem de blindados. Para abrir o ‘fosso’, criminosos removeram bueiro do lugar.
Sergio Cabral (pai) me é um amigo de longa data, teve até a bondade de fazer o prefácio de um livro que escrevi, portanto é com desconforto e enorme dor q ue me vejo obrigado a criticar o descaso que seu filho está mostrando ter nessa situação gravíssima e particularmente violenta, típica de países que estão em cruentas guerras civis. Ao que me parece ele, Sergio Cabral Filho, espera o governo Federal e este, faz de conta que nem é com ele.
O motorista que atende pelo nome de Walhiston Máximo Noel de Oliveira, 38 anos, depois de “arrumar” os passageiros, que por um correto civismo os sente debaixo de sua responsabilidade, procura também abrigar-se como pode, depois pega seu telefone celular e liga para a mulher pedindo que reze por ele, pois sabe que das autoridades nada pode esperar. (G.S.)
Escrevem sobre o assunto Christina Nascimento e Paula Sarapu

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