Nessa quinta-feira passada escrevi um artigo sobre as cotas raciais na Universidade, que é um misto de falso bom-mocismo, com uma forte dose de demagogia barata (“Sem Cotas Demagógicas, Mas Com Inventiva” – P&P 17/5).Fico tomando conhecimento do livro Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo, recém-lançado pela Editora Record, que reúne um conjunto de artigos, assinados por historiadores, antropólogos, geneticistas, educadores - todos abertamente contrários aos dois projetos, Lei de Cotas e do Estatuto da Igualdade Racial, que tramitam no Congresso sob os auspícios da ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Promoção de Políticas da Igualdade Racial.
Entre os 34 autores estão o geneticista Sérgio Pena, o economista Carlos Lessa, a antropóloga Eunice Durhan, o poeta Ferreira Gullar, o historiador José Murilo de Carvalho, o sociólogo Simon Schwartzman e o jornalista Luiz Nassif. O prefácio é do cientista político Bolivar Lamounier. Quem organizou os artigos foram a socióloga Bila Sorj, a antropóloga Yvonne Maggie (foto) - ambas da Universidade Federal do Rio de Janeiro - e o militante José Carlos Miranda, do Movimento Negro Socialista. Todos críticos à radicalização do problema racial que estas leis fatalmente irão causar. Diz ainda Simon Schwartzman: “Criar cotas raciais nas universidades por decreto é simples e barato. Mas não resolve, e acaba desviando a atenção de onde estão os verdadeiros problemas.”
Não posso dar um parecer sobre livro por não tê-lo lido como também o tema e muito complexo para ser discutido num simples artigo.
Fato é, que num país democrático, todos tem o direito de emitir suas opiniões sobre qualquer assunto, sem ferir as leis. Mas o radicais das causas raciais não pensam assim, imediatamente surgiram, na internet, textos que falam em guerra, sugerem ações organizadas no dia do lançamento do livro e chamam de "escravos" dois dos autores, que são negros e militantes do movimento, mas têm opinião própria. "Eu estou com medo", diz a antropóloga da UFRJ Yvonne Maggie, que está entre os organizadores.
Como se não bastasse o antropólogo Júlio César de Tavares, militante do movimento negro, faz uma apologia à violência: "Chega um momento em que o diálogo se esgota. Acho que o racista na rua tem de apanhar." Acham que podem tudo respaldados na infeliz declaração da ministra Matilde Ribeiro, quando há pouco tempo, em entrevista disse: "Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco".
Os orquestrados e a ministra por ignorância ou má fé (ou pelos dois motivos), esquecem que o uso de violência para impor uma idéia, só se faz quando não existem argumentos racionais.
Ao que tudo indica, esperar que essa turma raciocine é querer demais. (G.S.)
Leia a matéria na Veja online
Um comentário:
Para mim o principal problema das cotas raciais é a admissão tácita de que os negros são menos capazes, e isso não é justo. O aluno pode ser discriminado com comentários do tipo "só conseguiu entrar porque tinha cota". Um negro que seja brilhante e que passaria em primeiro lugar no vestibular com ou sem cota seria olhado com desprezo. Não é justo.
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