Por Pedro Oliveira - Jornalista e presidente do Instituto Cidadão
Confesso que me incomoda a radical ortodoxia do Papa Bento XVI e seus seguidores. A igreja católica tem perdido muito do seu rebanho por posições equivocadas e muitas vezes por andar na contramão do tempo e da história. Ainda por estes dias lia uma opinião dentro da própria igreja, contrária a este tipo de vedação da fé cristã. E não era uma opinião qualquer. Tratava-se de um dos mais considerados e privilegiados nomes da igreja católica brasileira, escritor e figura humana respeitada internacionalmente, a quem tenho o prazer de conhecer e pude homenageá-lo. O notável Frei Betto que dizia: “Inquieta-me a afirmação de que é “uma praga” casar pela segunda vez e proibir os católicos que o fazem de acesso à eucaristia. Os evangelhos revelam que Jesus comungou com pessoas que, vistas de hoje, andavam distantes da moral vaticana. Contrair matrimônio é algo tão transcendente que a Igreja fez disso um sacramento. Ocorre que, antes de ser uma instituição, o casamento é um ato de amor. E há uniões que fracassam, pois somos todos frágeis e pecadores, e nossas opções, sujeitas a chuvas e trovoadas, deveriam merecer também a misericórdia da Igreja”.
As palavras sábias de Frei Betto tocaram-me bastante. Sou casado e muito feliz há vinte e oito anos, mas me emocionei ao ir à missa em minha paróquia e ver dezenas de casais com camisetas nas quais estavam os dizeres “Grupo de casais em segunda união”. Estava estampada nos seus rostos a coisa mais importante de um casamento: o amor. Agora, pela determinação do Papa esses casais ficam impedidos de freqüentar a igreja porque são “uma praga”? O general Pinochet, sanguinário ditador chileno, matou, torturou e enlutou milhares de famílias dos que faziam oposição ao seu governo. O papa João Paulo II deu-lhe a comunhão, quando visitou o Chile. Não é uma contradição da igreja?
Confesso que me incomoda a radical ortodoxia do Papa Bento XVI e seus seguidores. A igreja católica tem perdido muito do seu rebanho por posições equivocadas e muitas vezes por andar na contramão do tempo e da história. Ainda por estes dias lia uma opinião dentro da própria igreja, contrária a este tipo de vedação da fé cristã. E não era uma opinião qualquer. Tratava-se de um dos mais considerados e privilegiados nomes da igreja católica brasileira, escritor e figura humana respeitada internacionalmente, a quem tenho o prazer de conhecer e pude homenageá-lo. O notável Frei Betto que dizia: “Inquieta-me a afirmação de que é “uma praga” casar pela segunda vez e proibir os católicos que o fazem de acesso à eucaristia. Os evangelhos revelam que Jesus comungou com pessoas que, vistas de hoje, andavam distantes da moral vaticana. Contrair matrimônio é algo tão transcendente que a Igreja fez disso um sacramento. Ocorre que, antes de ser uma instituição, o casamento é um ato de amor. E há uniões que fracassam, pois somos todos frágeis e pecadores, e nossas opções, sujeitas a chuvas e trovoadas, deveriam merecer também a misericórdia da Igreja”.
As palavras sábias de Frei Betto tocaram-me bastante. Sou casado e muito feliz há vinte e oito anos, mas me emocionei ao ir à missa em minha paróquia e ver dezenas de casais com camisetas nas quais estavam os dizeres “Grupo de casais em segunda união”. Estava estampada nos seus rostos a coisa mais importante de um casamento: o amor. Agora, pela determinação do Papa esses casais ficam impedidos de freqüentar a igreja porque são “uma praga”? O general Pinochet, sanguinário ditador chileno, matou, torturou e enlutou milhares de famílias dos que faziam oposição ao seu governo. O papa João Paulo II deu-lhe a comunhão, quando visitou o Chile. Não é uma contradição da igreja?
Após estes comentários quero mesmo falar da vista de Bento XVI ao Brasil. Acompanhei muitos momentos e vi dois papas nos visitando. O primeiro na capital paulista, sem nenhuma descontração e em alguns momentos demonstrando visivelmente cansaço e irritação (o único momento descontraído foi no encontro com jovens católicos no Pacaembu). Conversei com uma autoridade eclesiástica que estava lá e lhe indaguei sobre isto. Tive e resposta: “O papa estava sim, incomodado em determinados momentos. Leu e sabe tudo sobre os políticos do Brasil e estava rodeado deles. Aparentemente não gosta de Lula, que é um grosseirão, mal educado e nada entende de liturgia de cargo ou função. Após a agenda diária, ao nos recolhermos comentávamos sobre este assunto e a conclusão era uma só: Bento XVI estava muito incomodado com a presença do presidente e dos políticos que o cercavam”.
Em Aparecida, na Fazenda Esperança, com o povo, os jovens dependentes de drogas, o clero brasileiro, surgiu outro papa. Um Bento XVI descontraído, risonho e feliz. Os políticos que lá apareceram tiveram pouca atenção e não puderam “colar” no papa. Falou com alegria e transmitiu mensagens de otimismo para a América Latina, quebrou por diversas vezes o rígido protocolo e caminhou no meio do povo, abençoando e sendo abraçado por jovens e não tão jovens. Fez o povo chorar de emoção e cantar em seu louvor. Este era o papa que o Brasil queria ver.
Em sua despedida, já no aeroporto antes de embarcar, o último momento constrangedor. O presidente que prudentemente deve ter sido alertado e não foi, mas mandou o vice com um chulo e dispensável discurso. Ainda bem que não é este o Brasil que ficará na memória de Sua Santidade, segundo suas próprias palavras: “Na minha memória ficarão para sempre gravadas as manifestações de entusiasmo e de profunda piedade deste povo generoso da Terra da Santa Cruz que, junto à multidão de peregrinos provindos deste continente da esperança, soube dar uma pujante demonstração de fé em Cristo e de amor pelo sucessor de Pedro".
Gostei deste segundo papa, que não parece aquele que proíbe que veta o caminho da fé cristã, que faz a igreja retroceder e perder fiéis pelo arcaísmo de posições ortodoxas inaceitáveis. Que ele seja iluminado para rever suas posições equivocadas. Acabou essa história de que “o papa é infalível”, pois ele é humano, gente como a gente, só que mais pertinho de Deus.
Em Aparecida, na Fazenda Esperança, com o povo, os jovens dependentes de drogas, o clero brasileiro, surgiu outro papa. Um Bento XVI descontraído, risonho e feliz. Os políticos que lá apareceram tiveram pouca atenção e não puderam “colar” no papa. Falou com alegria e transmitiu mensagens de otimismo para a América Latina, quebrou por diversas vezes o rígido protocolo e caminhou no meio do povo, abençoando e sendo abraçado por jovens e não tão jovens. Fez o povo chorar de emoção e cantar em seu louvor. Este era o papa que o Brasil queria ver.
Em sua despedida, já no aeroporto antes de embarcar, o último momento constrangedor. O presidente que prudentemente deve ter sido alertado e não foi, mas mandou o vice com um chulo e dispensável discurso. Ainda bem que não é este o Brasil que ficará na memória de Sua Santidade, segundo suas próprias palavras: “Na minha memória ficarão para sempre gravadas as manifestações de entusiasmo e de profunda piedade deste povo generoso da Terra da Santa Cruz que, junto à multidão de peregrinos provindos deste continente da esperança, soube dar uma pujante demonstração de fé em Cristo e de amor pelo sucessor de Pedro".
Gostei deste segundo papa, que não parece aquele que proíbe que veta o caminho da fé cristã, que faz a igreja retroceder e perder fiéis pelo arcaísmo de posições ortodoxas inaceitáveis. Que ele seja iluminado para rever suas posições equivocadas. Acabou essa história de que “o papa é infalível”, pois ele é humano, gente como a gente, só que mais pertinho de Deus.
4 comentários:
Pq os jornalistas insistem no erro de falar "praga" e não o correto que é CHAGA, palavra que o Papa Bento XVI usou quando falou sobre o casamento?
Como esses petralhas adoram distorcer o que foi dito,hem?
BENTO XVI DISSE:"CHAGA"
E ainda falam da infalibilidade do Papa. Quem acredita nisso?
"Frei" Betto discorda do Papa???
Fico com o Papa SEMPRE!!!
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