Por Giulio SanmartiniO comandante geral da Polícia Militar, o enxundioso coronel de borra (ou se preferirem “copone”) Ubiratan Ângelo declara: “Lamento mais o medo das pessoas do que a perda das vidas”. Esse dito e de tal imbecilidade e inconseqüência, que creio não ter entendido bem. Estaria do coronel dizendo que a morte e menos lamentável que o medo? Isso me parece algo como a lapidar frase do ladrão Paulo Maluf: “Estupra mas não mata”. Será que o coronel desconhece que o medo pode passar e o mesmo não acontece com a morte? O que pensarão sobre essa insanidade os pais, mães, filhos e outros parentes dos mortos? É este o homem que comanda polícia do estado enquanto o governador se omite e se diverte.
O presidente da República no discurso de sua segunda posse, classificou a onda de violência do Rio como “terrorismo” e que a situação precisa ser combatida “com uma política forte e com uma mão forte do Estado brasileiro”.
Mais uma conversa fiada do presidente, como a fome zero, o desemprego zero, o espetáculo de crescimento, o Programa de Aceleração do Crescimento,enfim o “nunca antes se viu algo assim na história desse país”.A Força de Segurança Nacional, inaugurada com rojões de apito pelo governador do Rio de Janeiro junto do presidente, foi tão somente um oba! oba! inconseqüente, as Forças Armadas, para fazer o trabalho da polícia, exigem algumas fatores, que não interessa ao governo estadual.A polícia do Rio, digamos do Brasil inteiro, é tão somente repressiva, não existe um corpo técnico que venha em auxilio a resolução dos crimes. Sem contar com a conivência e a corrupção.
A guerra não é declarada, mas as cenas de tiroteio, desespero e correria já fazem parte do dia-a-dia do Rio. Nos hospitais, a quantidade de baleados em busca de socorro é digna de grandes batalhas: só no primeiro trimestre deste ano, 1.025 pessoas alvejadas foram atendidas nas principais unidades públicas do estado.
Os dados do Ministério e das Secretarias Municipal e Estadual de Saúde mostram que, por dia, são mais de 11 feridos a bala. A triste estatística não inclui aqueles que não chegaram a ser levados para hospitais porque morreram antes.A coisa não vem hoje, o então deputado federal pelo Rio de Janeiro Roberto Campos, em seu trabalho “O Rio sob o signo do atraso e da violência”. ( fevereiro de 1996), diz: “Os morros do Rio se tornaram fortalezas do crime, onde pequenos comerciantes têm de pagar pedágio para continuarem no negócio, e uma população pobre e honesta tem de se submeter às ordenanças dos criminosos que controlam o direito de ir e vir”. Passados 11 anos, a segurança piorou muito e se seguir o pensamento do coronel Ubiratam, não se sabe onde terminará.
A primeira foto mostra u'a mãe tentando proteger seus fílhos, dentro de um ônibus durante um tiroteio
Na segunda, um morto por bala perdida
Na terceira apolícia trocando tiros com os bandidos
Nenhum comentário:
Postar um comentário