20 de mai. de 2007

Ralph Hofmann

Depois de um descanso, eis de volta o colunista Ralph Hofmann. No seu artigo de retorno ele mostra como uma ideologia equivocada e a incompetência administrativa atrapalham o desenvolvimento dos países.

Um pouco, só um pouco, de administração
Por Ralph J. Hofmann

Nas diversas crises pelas quais o país está passando o que salta aos olhos é que, independente da corrupção, estamos frente a complôs para impor à sociedade uma ideologia que sob a desculpa de egalitarismo, nos leva para os dogmas do tempo em que o laboratório social e econômico que foi o século vinte, ainda não nos haviam comprovado claramente o caos gerado pelos dogmas soviéticos em que fatalmente surgiam castas destituídas de competência meramente estruturadas na manutenção do equilíbrio dentro de uma quadrilha de pessoas que cooptavam o domínio das riquezas sem contribuir para elas com fórmulas de crescimento econômico e aperfeiçoamento técnico.
Nos regimes da antiga Cortina de Ferro, apenas em menor grau na Alemanha Oriental e Checoslováquia, países com culturas empresariais antes da segunda guerra mundial, víamos década após década planos plurianuais caírem por terra por não considerarem fatores reais na sua elaboração, por não criarem os cenários ótimo, bom e mau tão utilizados pela indústria privada ao elaborarem seus projetos.
O medo de ser visto como o administrador que não cumpriu metas, congelava os administradores em posições assumidas sem a menor previsão de crises. Os únicos projetos que refletiam alguma realidade eram os de armas, navios e aviação, pois esses podiam sifonar da economia fosse qual valor fosse para não falharem.
Dogmaticamente liquidaram o mar Aral. Havia conhecimentos técnicos disponíveis, entre os próprios cientistas russos, que alertavam contra os programas de irrigação para plantar algodão que acabaram por destruir essa massa de água. Os cientistas que sabiam das coisas não gozavam de prestígio no partido. Não foram ouvidos. Pobre Rio São Francisco. Os cientistas que o defendem tampouco estão sendo bem vistos.
E, no entanto esses incompetentes, seja ideológicos seja administrativos, durante oitenta e mais anos dominaram o imaginário das esquerdas pelo mundo afora. Fidel, seu atual guru máximo, do portal da cova, ainda se dedica a pontificar sobre os defeitos de sociedades avançadas, não tendo em quarenta e oito anos sequer garantido o prato de feijão com arroz de cada dia ao seu povo, salvo donativos de algum mecenas, seja a Rússia seja Hugo Chávez.
Já Hugo Chávez hoje desponta como mais perdulário do que qualquer Sheikh Saudita ante as roletas em Las Vegas ou Mônaco. Os sauditas e outros potentados do petróleo hoje administram a fortuna de seus países para uma vida econômica futura sem o petróleo. Chávez se encarrega de destruir o pouco que existe da economia independente a do petróleo em seu país, sua produção cai ano a ano, e ele não faz planos de contingência para um petróleo mais barato ante a adoção de alternativas bioenergéticas, areias petrolíferas, gaseificação de carvão, carvão líquido e geração de hidrogênio. O pedinte Fidel Castro emite comunicados do Portal de Hades alertando pateticamente contra a bioenergia. Pudera, se cair a renda venezuelana como receberá sua ajuda de custo de bilhões de dólares ao ano.
Nota-se que Fidel, em quase vinte anos que cessaram seus subsídios russos de um milhão de dólares ao dia, timoneiro único de seu país, sem ter de pedir a aprovação de projetos a quem quer que seja, não conseguiu gerar soluções internas para seu país, nem elaborar nada a não ser uma alegada estabilidade em termos de comida educação e medicina para todos. A avaliação de sua indústria de médicos até hoje não trouxe à tona nada de um sistema excepcional. Apenas indicou alguns indivíduos e instituições melhores dentro do próprio contexto cubano, aquelas escolas destinadas a médicos de exportação.
E o que tem isto a ver conosco? Bem, o Brasil tem administradores. Dos bons. Veja a expansão para fora de indústrias que não podem mais ficar contidas no limite do país. Vejam uma empresa brasileira enfrentar uma Mittal Steel para comprar a Corus. Veja o complexo Gerdau no exterior.
E agora veja os que temos administrando o país. Não fazem planos. Se fazem não cumprem. Se orçam não pagam. Se pagam, pagam demais. Mas sempre fazem declarações taxativas que não se realizam.
A culpa é nossa. Temos fé. O Grande Timoneiro diz que não haverá mais apagão e compramos passagens aéreas. Diz que consertou as estradas e nós viajamos de carro com apenas um estepe, diz que a transposição do São Francisco é necessária e nós desistimos de escrever aos nossos deputados e senadores para protestar contra mais um hobby caro e nefasto do presidente.
Já houve governos maus antes. Este talvez saiba cortar uma fatia de pão. Ainda consegue passar manteiga no pão. Mas na hora de completar o sanduíche com presunto e queijo não vai conseguir. É o próprio menino enfiando o sorvete na testa. Mas fala bonito.

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