20 de mai. de 2007

Shakespeare & Co.

(Zamizdat do Brasil)
(Zamizdat – forma russa de divulgar livros, artigos e poesias proscritas em que as pessoas copiavam as obras e passavam as mesmas adiante, seja manuscritas seja mimeografadas)

Por Ralph J. Hofmann

Em 1922 uma editora parisiense, de propriedade de uma inglesa, Sylvia Beach, publicou a primeira edição de “Ulisses” de James Joyce. A mesma editora publicou “O Amante de Lady Chatterley” de D.H. Lawrence. Ambos livros estavam proscritos como pornografia, na época eram inaceitáveis para os costumes, apesar de que muitos dos que proscreviam tais livros se deliciavam nas aventuras das cinco às sete da tarde, em garçonières, com as costureirinhas que tinham de reforçar o orçamento de casa com aventuras remuneradas, ou com as senhoras da sociedade que buscavam novas emoções.
A Livraria Shakespeare & Co. ainda existe, hoje no 37 da Rue de La Bûcherie. Não é a original que foi fechada pelos nazistas em 1941, mas após a morte de Sylvia Beach, George Whitman, outro livreiro trocou o nome de sua livraria para que a instituição não morresse.
Contudo cito essa Editora, por sentir que é chegado o momento de, ou procurar um acordo com Sylvia Whitman, atual gestora da Shakespeare, ou criarmos uma Livraria Camões ou Bocage em Paris.
Estranhamente, essa livraria não de dedicaria à publicação de livros com conteúdo, digamos, sexualmente estimulante, senão para a publicação de biografias.
Certos contos em que talvez seja necessário citar uma pessoa viva para criar um ambiente de época, também seriam impossibilitados.
Por exemplo:
“Enquanto Bonifácio admirava os mal-ocultos seios da jovem publicitária, no palanque central, o cantor R_____o C______s, apresentava mais uma se suas canções insossas.”
“No Restaurante Massimo deparou-se com o Deputado, ex-ministro, D___f_m N__to a comer uma dúzia de ostras.
Vejam. Estaríamos voltando a técnicas narrativas do século dezoito. Situação impossível.
Portanto urge encontrarmos uma forma de publicar nossos livros em Paris. Seriam encapados como se fossem agendas de fim de ano e enviadas para distribuição secreta no país.
Proponho que a primeira biografia não-autorizada a publicar em Paris seja do Juca Chaves. Tenho certeza que se encarregará de ajudar a escrevê-la e de abrir um processo contra os autores para valorizá-la.

Um comentário:

Anônimo disse...

Estava com saudades,Ralph!
Vc fêz falta.Bom te ver.Seja bem-vindo!!!