7 de set. de 2007

Dr. Méngabueirah Ahnger

Por Ralph J. Hofmann

Longe de mim criticar Dr. Méngabueira pelo seu sotaque. Sou daqueles habitantes do Brasil que foram criados desde a infância falando mais de um idioma. Tive sorte. Meus pais falavam conosco apenas inglês, não tentando falar português em casa. Assim nos pouparam o maior problema da primeira geração de imigrantes. O sotaque estranho. Aprendemos português no colo da filha dos vizinhos, aprendendo a tomar chimarrão, e mais tarde nas brincadeiras do campinho perto de casa com o resto da garotada do bairro. Alemão com os funcionários alemães da empresa que meu pai gerenciava. O sotaque de um idioma não influenciava o outro.
Mas detecto no Méngabueirah um certo desprezo pelos seus concidadãos brasileiros. Afinal, passou sua tenra infância aqui. Se adquiriu um sotaque americano foi ou por não ser muito talentoso para idiomas, ou porque desde cedo achou mais interessante ser norte-americano.
Outra coisa que pressinto no Dr. Méngabueirah . Só veio ao Brasil remexer nas coisas públicas porque lá nos Estados Unidos ninguém veio bater à sua porta dizendo: “Dr. Méngabueirah, please venha salvar os Estados Unidos. O governo precisa de sua presença”.
Então ele veio salvar o Brasil. Ofereceu-se para presidir o Brasil. Ninguém mordeu a isca. Aí fez um discurso criticando o governo para ver se a oposição dizia: “ Seu Mangabeira é do senhor que precisamos”; mas ninguém mordeu a isca.
A solução foi, relaxar e gozar. Já que não podia derrotar o governo juntou-se a ele.
Até aí nada sabemos sobre sua competência. Terá até hoje no máximo dirigido um departamento obscuro de uma grande universidade pelo peso de publicações daquelas que todos sabem que existem, mas poucos leram. Tão doutas que os doutores deixam passar em branco.
A história da entrada no governo prova que realmente o Méngabueirah é mais brasileiro do que gostaria de admitir. Em busca de poder e de brilho aos olhos do público é o próprio Macunaíma.
Que nas próximas semanas vai gerar um custo adicional de 660 funcionários públicos não-concursados.
Harvard, o lar deste doutor é a fonte de muitas técnicas de administração. Ministra um mestrado de administração de empresas que corretamente ou erroneamente é o mais reputado do mundo. Gera os pesos pesados da administração de todos os países do mundo. Será que o doutor nunca ouviu falar em administração matricial. Um pequeno grupo de técnicos de primeiríssima não pode planejar acessando informações geradas pelos ministérios de cada área a ser estudada?
Temo que 660 funcionários trabalharão num vácuo, gerarão planos saídos da cabeça de teóricos, e tais planos não terão nada a ver com a realidade exeqüível. Ao fim de um ou dois anos serão apresentados lindamente encadernados, com cópia para todos os ministérios, senadores, deputados e governadores e depois serão colocados em lugar de destaque de prateleiras para juntarem poeira pelos séculos afora.

2 comentários:

ma gu disse...

Alô, Hofmann.

Sua inserção é quase irreparável, pela abordagem. O senão fica por conta da renomada revista inglesa "The Economist" que lista, em setembro de 2006, Harvard em sétimo lugar.
1-IESE (Navarra-Espanha)
2-TUCK (Dartmouth-EUA)
3-STANFORD (EUA)
4-GSB (Chicago-EUA)
5-IMD (Suiça)
6-KELLOGG (Northwestern - EUA)
7-HARVARD

Reparado apenas para não dar mais importância ao indivíduo em tela.

Ralph J. Hofmann disse...

Lembre-se que eu escrevi que corretamente ou erradamente é tida como a nmelhor.

Nessa lista falta Fontainebleau, que é um curso de um ano que recicla pessoas que trabalham há anos e precisam um choque de imersão para desenvolver-se ante uma função de comando, e principalmente falta Sloan nos EEUU que está desbravando novas fronteiras, com um programa de MBA em que o aluno trabalha 6 meses em setores de indústria, pegando na massa, adquirindo prática, e passa seis meses no curso, numa alternância que não lhe permite "frescuras" de teórico. O MBA de Sloan é mais demorado, mas evita preciosismos.