17 de nov. de 2007

Um herói brasilenho

Por Adriana Vandoni

Embora na América do Sul já tivéssemos pequenas rusgas fronteiriças entre nações, como a existente entre a Argentina e o Chile, Peru e o Equador, e entre o Chile e a Bolívia, que reclamava o acesso ao mar, nada causava um temor que pudesse se generalizar em todo o continente. Os pequenos conflitos que ocorreram conseguiram ser resolvidos muitas vezes por pressão dos próprios países vizinhos.
Situações de conflitos entre nações podem ser resolvidas mais facilmente quando temos democracias nos países vizinhos. A vida na política permite aos políticos a habilidade da solução de conflitos apenas no embate de idéias.
Já quando temos nações com regimes de força, estas só se entendem se estão engajadas ideologicamente, e o inimigo passa a ser o inimigo interno, não os países vizinhos. Golpistas, terroristas, subversivos, existem diversos nomes dados a eles. Mas o problema ocorre quando esse “eles” começa a atingir as consciências de parcelas significativas da população. Se a reação popular começa a tomar força para contestar o poder central, a estratégia é criar um inimigo comum que una toda a nação, que una todo o povo e não possa ser contestado, nem por esses “golpistas”.
Hitler escolheu os judeus como bode expiatório, o presidente general argentino Leopoldo Galtieri invadiu as Malvinas. Os dois tiveram o apoio do povo. Hitler aproveitando o seu ódio doentio aos judeus para criar um inimigo comum que unisse o país em suas loucuras. Como parte da “elite” financeira era de origem judaica, transformou-os em responsáveis por todos os sofrimentos da época. Galtieri, com a Argentina em dificuldades econômicas, resolveu apelar para o nacionalismo e invadiu as ilhas Falkland.
É aí que mora o perigo. Até onde Hugo Chávez poderá chegar? Seus poucos conhecimentos sobre economia não permitem que entenda que o desabastecimento chegará com força em seu país, mesmo com o preço do petróleo nas alturas. Freqüento alguns sites de notícias venezuelano, até para poder saber algo mais para informar em meu blog (aos visitantes o endereço é www.prosaepolitica.com), e acompanho o crescente desabastecimento de produtos, sobretudo alimentícios. O risco de uma guerra civil também está claro, principalmente pela forma belicosa como Chávez trata as situações à sua volta. Pense bem: cada indivíduo trata as situações do seu dia-a-dia de acordo com as escolas e profissões que aprendeu. Qual estratégia utilizaria um indivíduo com um parafuso a menos, que tivesse formação militar?
Não sei até onde pode ir a sua loucura, sei que o tamanho brasileiro desestimula quaisquer aventuras fronteiriças diretas contra nós. Poderíamos nos envolver indiretamente, caso suas loucuras atinjam um dos nossos vizinhos, e o Brasil tenha que se posicionar. A Bolívia, o Chávez já colocou em baixo do braço, e Lula ficou quieto e entregou parte da nossa Petrobrás. Na Colômbia tenta interferir o quanto pode, apoiando as FARC, mas a sua estratégia, diga-se, é desastrosa, e os colombianos detestam ele. Com o Brasil seu objetivo é conquistar nossas mentes, pagando escolas de samba, estimulando a via campesina em suas invasões, e agora tentando “ajudar” o que nossas crianças devem aprender doando livros para nos ensinar quem foi Simon Bolívar, seu ícone e mártir do seu Bolivarismo. Sei lá a vida de Simon Bolívar, mas se ele quer nos induzir de que Simon Bolívar é um herói mesmo, ele tem que ser dos bons, não acha? Pois é, assim deve ter pensado o ditadorzinho venezuelano, e agora ele contesta a morte de Bolívar por tuberculose, em 1830. É até provável que invente uma guerra, pode ser lá por 1821, em que ele foi ferido “gravemente” em uma batalha para defender o Brasil de Portugal, tendo ajudado “bravamiente el pueblo brasilenho”, e – ohhh - desse ferimento acabou batendo a caçoleta. Mas oito anos de diferença até a morte? Simples, mudam-se as datas! Esses tiranos, feito Hugo Chaves, adoram mudar a história ao seu bel prazer. Ele morrerá, então, lá por 1821, ok? Tiradentes que se cuide!

Nenhum comentário: