16 de nov. de 2007

A zelites da república

Por Ralph J. Hofmann

“Os membros das elites tem privilégios abrangentes: altos salários, bons apartamentos carros com motorista, acomodações especiais em viagens, tratamento VIP nos aeroportos e hospitais que não estão ao alcance dos que estão fora do sistema, acesso a escolas especiais para os filhos comida ÀS EXPENSAS DA NAÇÃO. Vivem distantes do homem comum e para conviver com os não-privilegiados precisam fazer um esforço especial. Estão distanciados dos seus concidadãos por uma barreira psicológica tão onipotente com a Grande Muralha da China. Esta classe é um estado dentro do estado.
Quem está sendo descrito acima? A burguesia? Que eu saiba a burguesia se adapta aos tempos modernos. Precisa sempre estar ligado nas inovações de mercado. Não. Acima está a descrição da Nomenklatura russa, feita por um dissidente.
Cumpre aí para saber mais ler o livro “A Nomeklatura”, de Michael Voslenski, dissidente dos anos 80.
Mas definitivamente lembra os altos escalões do Brasil de Lula. Os ungidos do poder, recebendo tratamento a pão-de-ló para evitar que desviem o país da não-governança, da suicida ignorância ao planejamento lógico da nação. E é claro que não é por acaso. A partir do momento em que a revolução dita igualitária se instalou na Rússia, Lênin compilou a primeira lista da Nomenklatura. Criou a nova nobreza.Seus sucessores seguiram no mesmo caminho e os transferiram para os países satélites depois de 1945. Fidel tem uma Nomenklatura e Chavez também implantou sua lista.
Foi a Nomenklatura que gerou o atraso econômico da Rússia. A Nomenklatura dominava tudo desde os planos qüinqüenais que resultavam em fiascos até as purgas da década de trinta que eliminaram muitas inteligências excepcionais no limiar da Segunda Guerra Mundial.
Basta lembrar Trofim Lysenko, que era um biólogo geneticista. Era alto membro do Presidium dos Cientistras russos. Nesta capacidade suas opiniões dominaram o planejamento das cepas de trigo da Rússia. Ninguém podia contradizer suas teorias. Ano após ano as safras de trigo do sofreram quebras. As teorias de Lysenko simplesmente não correspondiam à realidade mas eram as únicas consideradas ao selecionar sementes. Anos a fio a Rússia teve de comprar trigo canadense e americano. E os russos haviam sido pioneiros da genética de sementes.
No Brasil a partir de 2003 vemos a Nomenklatura se instalando. De suas fileiras saem opiniões politicamente corretas segundo as luzes do Sr. Lula da Silva e seus assessores.
E são tão parecidas com as lambanças russas que parece incrível. A Rússia no inverno e no degelo parava. Os canadenses, americanos e europeus do norte funcionam normalmente. Suas instituições que governam, os transportes e comunicações estão adaptadas por uma questão de mercado, porque num mundo moderno os populares não admitiriam que tudo engasgasse por causa do mau tempo e da neve.
Veja a comparação com o Brasil. Nossas estradas estão matando, estão onerando os transportes. Muito irritado, mas aproveitando para fazer capital político o governo fez uma operação tapa-buracos que aparentemente já se perdeu completamente. A Nomenklatura não está aí para resolver problemas. Está aí para se perpetuar no poder e para viver bem.
A Rússia abandonou a ortodoxia comunista. Esta se esfacelou contra o dinamismo da economia de mercado. Não foi o capitalismo que derrotou o sistema. Bastou o Ocidente conter o avanço da Rússia sobre novas nações, enquanto os empreendedores criavam novos tipos de negócios e maximizavam os negócios antigos. Os países pobres da Europa, Portugal, Espanha, Sul da Itália hoje gozam de nível de vida quase idêntico aos países avançados da década de sessenta. Os governos apenas fiscalizam, com maior ou menor competência, mas não se o governo, seja de direita ou de esquerda entregar o patrimônio da nação a um índio ganancioso. O governo não governa rumo a seus ideais. Governa para o bem estar de seu país.
Mas este conceito está acima da cabeça das Zelites do Brasil.

Um comentário:

ma gu disse...

Alô, Ralph.

Quer acabar a semana detonando, hein?

Só não concordei com uma frase do seu post. Aquela que diz: ... definitivamente lembra os altos....

Eu vejo que definitivamente É a descrição do Brasil de hoje! E eles querem continuar....

Lembrando o recente post do Giulio, "Pau no c... dos prejudicados", esses, vão continuar a votar na canalha em troca de uma bolsa!