6 de jan. de 2008

2007, 2008...

Por Chico Bruno

Seria tão bom se no dia 31 de dezembro de cada ano zerasse tudo o que aconteceu de negativo e só houvesse a transposição (palavra da moda) dos feitos positivos, mas não é assim que a banda toca.
A passagem de um para outro ano é uma gostosa fantasia de uma só noite. Ao amanhecer do primeiro dia de cada ano tudo continua como d’ antes no quartel de Abrantes.
Na Câmara dos Deputados, o ano começa com um monte de medidas provisórias e leis que não foram votadas em dezembro a título de não atrapalhar as votações da CPMF e da DRU no Senado.
A obstrução dos trabalhos da Câmara, a partir de uma esdrúxula decisão dos líderes governistas foi um dos acontecimentos mais constrangedores da legislatura de 2007, um ano em que o Parlamento se ajoelhou literalmente ao Executivo.
Agora, estão lá na fila de votações de 2008, matérias como a TV Pública, Emenda 29, Lei das Agências Reguladoras, entre outras.
No Senado, os fatos mais significativos em 2007 foram às não aprovação da MP da Sealopra e parcialmente da PEC da CPMF, haja vista, que a DRU foi aprovada. Mesmo assim, o Senado precisará em 2008 limpar a mancha da absolvição de Renan Calheiros, aquele que fez saliências com uma jornalista nas dependências do Senado.
No âmbito do Executivo, além da adequação do OGU por causa do fim da CPMF, vai prosseguir a queda de braço entre o governo e os movimentos sociais liderados pelo bispo de Barra, Dom Cappio, que querem a paralisação das obras de transposição das águas do rio São Francisco para reiniciar o debate sobre a obra.
O STF, até que mandou bem em 2007, enquadrou os mensaleiros governistas e oposicionistas, mas como nada é perfeito, levantou dúvidas quando a decisão da continuidade das obras de transposição das águas do rio São Francisco.
Prepare-se, pois vão continuar os mesmos problemas de 2007, todos sem exceção alguma, agora com uma grande novidade. É que o ano de 2008 pode ser marcado pela volta à inflação, segundo muitos especialistas.
Portanto, aproveite o verão de 2008, que por sinal vai ser muito curto, pois o carnaval acaba em seis de fevereiro.
O problema é que Lula e equipe destruíram a máxima, que o ano só começa depois dos festejos de Momo. Ao descumprir o acordo firmado com a oposição para aprovar a DRU, Lula reforçou a máxima, que cunhei, de que ele dá nó em pingo de éter.
Quem também contribuiu para desmoralizar a máxima brasileira foi o Zé Dirceu em conturbada entrevista a revista Piauí. Do exterior as contribuições vieram do presidente Evo Morales, que ameaça não cumprir o contrato de fornecimento de gás natural ao Brasil e de Hugo Chávez, que pagou um mico ao ser enganado pelas FARC, no episódio de libertação de três reféns, deixando o assessor Marco Aurélio Garcia com cara de tacho.
Mas, se prepare por que 2008 será um ano de fortes emoções, pelo menos para os simples mortais, pois as excelências continuarão no mesmo ritmo de trabalho dos anos anteriores.

Nenhum comentário: