11 de jan. de 2008

Vai Faltar

O pior caminho que o governo pode escolher agora, na questão energética, é continuar negando que o problema existe. E é este o caminho que o governo escolheu. O ministro das Minas e Energia, Nelson Hubner, tentou minimizar o problema e uma reunião de emergência agora à noite no Palácio foi convocada para tentar convencer o diretor geral da Aneel, Jerson Kelman, de que o risco não existe. Deveriam ouvir o conselho de Kelman de que devem preparar um plano B.
Há, sim, risco de faltar energia. E o risco aumentará se esta estação chuvosa continuar sendo de índice de precipitação menor do que nos últimos anos. Os reservatórios estão, de fato, baixos, não há como aumentar a curto prazo a produção de gás, não há qualquer saída fácil e de curto prazo. A médio prazo existem várias alternativas. Por exemplo, em dois anos pode entrar a energia gerada pelos usineiros de cana de açúcar, a bioeletricidade. Será uma grande força, mas ela demora um pouco a se tornar realidade.
Se o governo continuar negando, ele passa a informação para a população de que não deve começar a racionalizar o uso da energia. A negativa é um incentivo ao consumo, que anda aumentando. Como os preços da energia, por razões da fórmula de reajuste, estão caindo. Estes dois sinais - o preço em queda e o governo dizendo que o problema não existe - trabalham no sentido de aumento do consumo. O que é irracional.
Por Miriam Leitão

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