24 de mar. de 2008

Começam as jogadas para 2010

O Pós-lulismo
Guadencio Torquato em O Estado de São Paulo

A previsível decisão de que o PT autorizará alianças com o PSDB para as eleições municipais de outubro não deixa de ser matreira operação de engenharia política.
Ajusta-se à boa lição do samurai Miyamoto Musashi, autor de Um Livro de Cinco Anéis, breve tratado sobre a luta com espadas: "Na estratégia, é importante ver coisas distantes como se estivessem próximas e ter uma visão distanciada das coisas próximas." O acordo entre os dois partidos para eleger Marcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte (BH) é uma coisa próxima vista a grande distância. Trata-se, na verdade, de uma composição com projeção do futuro. A aliança na capital do segundo maior colégio eleitoral do País, Minas Gerais, abrirá novas perspectivas na articulação política, tornando contundente o embate partidário, propiciando rearranjo de forças e redimensionando o papel de São Paulo como principal patrocinador do campeonato eleitoral de 2010.
O governador Aécio Neves (foto) movimenta-se há muito tempo para colocar Minas no centro do jogo. Age convicto de que é preciso dar um basta à hegemonia paulista em matéria de nomes para a Presidência da República. Oito anos de FHC e oito de Lula bastariam para fechar, temporariamente, o ciclo paulista e resgatar o legado mineiro. Esse é o discurso que expressa quando recorda a condição de reserva a que Minas Gerais foi levada com a morte de Tancredo. Os acenos para a escalação mineira à posição de titular vêm de todos os lados. Lula faz ver ao PT que deseja a aliança entre petistas e tucanos em outras cidades. O prefeito de BH, o petista Fernando Pimentel, prega o fim do antagonismo entre eles e não esconde o entusiasmo com Aécio, vendo nele "um candidato do nosso campo" e "excelente presidente do Brasil". O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), distingue identidades programáticas entre os dois partidos, afirmando ser "um erro tentar medir o Brasil pela regra de São Paulo".

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