18 de mar. de 2008

Isto é Brasil

Passaporte para o aborrecimento
Fernando Canzian na Folha de São Paulo

Pouco antes da virada do ano, comentei em O Brasil que não vai para frente como o setor público brasileiro emperra, com um misto de incompetência e descaso, a vida dos coitados dos contribuintes que o sustenta.
Hoje, como não poderia deixar de ser, novo aborrecimento. Dessa vez maior do que o outro, quando mais uma vez o setor público atravessou meu caminho.
Fui renovar meu passaporte, Via Crucis a que está submetido um número cada vez maior de brasileiros. Para começo de conversa, fiz o agendamento há meses, pois não havia data disponível anterior a ontem. Esperei. No período, perdi duas oportunidades de viagens a trabalho pela falta do documento.
Ao chegar no local de atendimento ontem, dentro de um shopping, com toda a documentação e meia hora antes do horário, surpresa:
"Estamos sem sistema. Não há previsão de atendimento por enquanto. O sr. pode me dar o papel do agendamento que o chamaremos pelo nome", disse um funcionário à porta do escritório da Polícia Federal.
"OK", respondi resignado e me encaminhei bovinamente para o banco ao lado. Trazia um grosso livro comigo, já esperando o chá de cadeira.

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