20 de mar. de 2008

Nem todos são bobos

A política brasileira guarda uma verdade incontestável, entre as suas muitas inconsistências: a comunicação de massa é o principal elo entre o poder e o eleitor.
O caminho mais curto para os palácios ou plenários. Algumas negociações pré-eleitorais deste ano podem resultar em eleições motivadas pelo poder da imagem ou da voz.
Para citar três exemplos, apenas, os eleitores de Natal (RN), Salvador (BA) e Rio alçaram aos holofotes gente que têm pouca ou nenhuma experiência política. Na capital potiguar, quem lidera as sondagens é Micarla de Souza, do PV. Deputada estadual de primeiro mandato, ela apresenta um dos telejornais mais assistidos ao meio-dia. O tucano Luiz Almir, também deputado estadual, radialista e apresentador de uma TV concorrente, está na sua cola, em segundo lugar.
Em Salvador, Raimundo Varella (PR), radialista que nunca fez política, bate todos os concorrentes. A maioria dos cariocas apontava o apresentador de TV Wagner Montes (foto - PDT) como forte candidato. Ele reconheceu que não tem programa de governo e saiu do páreo. Imitou o ex-patrão Silvio Santos, que no clamor popular dos anos 90, quase concorreu ao Planalto. Vale lembrar: apesar do show, nem todo comunicador é um político. E nem todo telespectador é bobo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Caro Giulio, quando fiz a transcrição do trecho de César Maia acima, ainda não tinha lido esta notícia. Mas cabe, né? "Você tem fome do quê? Você tem sede do quê?" E aí vai a receita milagrosa de acordo com a demanda, como se fosse um sanduíche do MacDonald não para encher a barriga do que vota, mas do que iludiu a demanda. E a ética... ora, a ética...
A política virou mercadoria, por isso nela não há salvação e por isso o Marreta não tem para onde ir, hehe.