25 de mar. de 2008

A saúde da floresta não interessa as excelências

Por Chico Bruno

A revista Veja que está nas bancas, traz uma matéria sobre a situação da Amazônia brasileira tão importante, que na visão dos editores da publicação mereceu capa.
A revista traz, também, matéria informando sobre a confecção de um dossiê de determinados gastos do ex-presidente Fernando Henrique, inclusive de sua mulher, durante seus dois mandatos, que supostamente teria sido formatado por funcionários do Palácio do Planalto.
Em qualquer país sério, que definitivamente não é o caso do Brasil, entre as duas matérias, a que mereceria a atenção do Parlamento seria a da Amazônia.
Mas como diz a música, qual o quê! As excelências estão discutindo sobre o dossiê, inclusive senadores da região amazônica, como Arthur Virgílio (PSDB-AM).
A notícia da existência do tal dossiê pode dar um novo rumo à CPMI da Tapioca, segundo o amazônida Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado.
Para tanto, ele está enviando um requerimento nominal ao presidente Lula para que o mesmo informe seus gastos.
Sobre a Amazônia, matéria de capa da revista Veja o senador amazonense nem seus pares na Casa pronunciaram uma única palavra.
A reportagem “Amazônia – A verdade sobre a saúde da floresta” dos jornalistas Leonardo Coutinho e José Edward ocupa várias páginas e traz informações relevantes, como por exemplo:
“As restrições ao desmatamento em terras privadas, estabelecidas por medida provisória em 1996, são draconianas: o proprietário só pode desmatar 20% de seu terreno para plantar ou criar gado. A floresta nativa deve ser preservada nos restantes 80%. Chama-se a isso reserva legal. Até 1996, permitia-se desmatar 50% da propriedade. O endurecimento das regras teve efeito inesperado: o clima nas fronteiras agrícolas é de desobediência civil, uma vez que milhares de produtores rurais alegam ter adquirido terras com a expectativa de poder desmatar pelo menos metade da área. "Ninguém é obrigado a cumprir essa norma, pois o governo mudou as regras no meio do jogo e empurrou todo mundo para a ilegalidade", diz o sojicultor Fernando Görgen, prefeito de Querência, no norte de Mato Grosso. Instituída por medida provisória no governo Fernando Henrique, a regra nunca foi votada no Congresso. O desafio dos produtores leva em conta também a certeza da impunidade. A estrutura de fiscalização do estado é precária e muitos de seus agentes aceitam propina para fazer vista grossa às infrações.”
O que está grifado no texto acima demonstra o descaso do Congresso Nacional para com a Amazônia e a farsa da discussão sobre as MPs.
Vale citar mais dois trechos da reportagem da revista:
“Sobrevivendo no faroeste amazônico - John Carter, americano de 41 anos, que há mais de uma década administra uma fazenda de 8.000 hectares nas proximidades do Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, redobrou a vigilância da propriedade por causa de vizinhos encrenqueiros, como ladrões de gado, indígenas e sem-terra à espera de desapropriações. No ano passado, seus 4.000 hectares de reserva de mata nativa foram incendiados por grileiros. Em várias ocasiões, Carter tentou obter ajuda de órgãos públicos, mas não foi levado a sério. "Isso aqui é uma terra sem lei. “Por ação ou por omissão, o próprio governo nos deixa sitiados”, desabafa.”
“Exploração sustentável - O paranaense Idacir Peracchi já barbarizou as florestas do Pará com sua madeireira. Em 1999, resolveu modificar as técnicas de manejo florestal de sua empresa. Dois anos depois, sua empresa foi à primeira brasileira a receber a certificação do Forest Stewardship Council, um dos mais reputados "selos verdes" do ramo. Em 2005, entretanto, uma das áreas certificadas foi invadida por um obscuro Movimento dos Sem Tora. Peracchi encerrou o negócio na região. "No estado em que eles deixaram a mata, corria o risco de ser responsabilizado pelo estrago e perder a certificação", lamenta.”
Se a reportagem se limitasse aos trechos acima, já mereceria a atenção prioritária do Congresso. Felizmente a matéria traz outras informações relevantes sobre a saúde da floresta.
Mas qual o quê! As excelências preferem debater o dossiê, que é um caso de polícia, a tratar da saúde da floresta amazônica brasileira que é um caso político.
Justiça seja feita. Os demais senadores amazônicos presentes a sessão também não tocaram na reportagem. João Pedro (PT-AM) tratou da crise Tibete – China, Papaléo Paes (PSDB-AM) criticou MPs, Augusto Botelho (PT-RR) demonstrou preocupação com a volta da tuberculose, Tião Viana (PT-AC) elogiou a Aneel, Gilberto Goellner (DEM-MT) tratou da dívida agrícola e Geraldo Mesquita (PMDB-AC) apenas aparteou seus pares.

Um comentário:

Anônimo disse...

Adriana,
Triste o país que tem seus representantes interessados em suas causas próprias, como é o nosso caso.

Fico triste porque sou um defensor da Floresta Amazônia.

O Brasil perde muito com o desleixo desse pessoal.

Lembro-me de quando era aluno da Escola Técnica Federal do Rio de Janeiro, que no ano de 1964 esteve lá um grupo de engenheiros recrutando alunos da última série de mecânica, eletricidade e outras disciplinas para trabalhar no Amapá, mais precisamente no Projeto da Serra do Navio pela empresa Icomi (Indústria e Comércio de Minérios S/A).

Hoje em dia, não mais existem as jazidas de manganês e a empresa não fez o reflorestamento devido.
Caso alguém se interesse por informações é só colocar no Google ICOMI e ver muitos assuntos que são abordados.

E assim o Brasil vai sendo explorado por alguns e poucos a defendem.