21 de mar. de 2008

Sexta-feira da Paixão

Pra falar a verdade, gosto da semana santa por causa da Páscoa, não só pelo chocolate, mas pela magia que criávamos quando as crianças eram de fato crianças. Eram os esconderijos de ovos, as pegadinhas que eu fazia com talco pela casa toda – com os dedos fazia pegadas de coelhos -, enfim, aquela coisa de brigar com o passar do tempo e brincar com os dois de que os ovos de Páscoa quem trazia eram os coelhinhos. Claro que tive de enfrentar aquelas incômodas observações: mas coelho bota ovo? Mas o tempo é implacável e passa, mesmo contra sua vontade e desprezando todo seu esforço.
E nessa de viver a semana santa apenas como os dias que antecedem a Páscoa, nunca conversamos sobre a sexta-feira da Paixão. Eu particularmente não gosto daquela programação das TVs. A Paixão de Cristo. Gente, ver aquilo é um horror, fala sério.
Mas o que fazer durante a semana santa sem a expectativa da Páscoa? Sim, pois as crianças não são mais crianças. O mais velho, apesar de todo meu preparativo para sua vinda na semana santa, afinal, todo filho que estuda fora passa esse feriado com os pais, e eu pensava assim: ‘ai que pressa de chegar logo a semana santa, tadinho de Lu, deve estar morrendo de saudades’. Eis que o Lu ligou e disse, assim, na lata, sem dó nem piedade: ‘mãe, seguinte, não vou poder ir na semana santa, é aniversário da Carol e vamos todos pra casa de campo dela, tudo bem?’.
Claro que está tudo bem. Fazê u quê?
Táta, como toda mulher de 16 anos, não faz mais questão de ovos do tamanho do mundo, “pode dar espinhas” ... disse, e completou: ‘troco meu ovo por uma roupa nova, tudo bem?’.
Claro que está tudo bem. Fazê u quê?
Enfrentamos a sexta-feira da Paixão. Saímos pra almoçar e ela começou a questionar porque não pode comer carne. Ela não gosta de peixe e insistia que queria ir a uma churrascaria e eu dizia NÃO, coma massa então. Quem foi o espírito de porco que inventou essa coisa de não poder comer carne? Nisso Cássio, mais espírito de porco ainda, desenterrou uma história que meu pai dizia só pra encher o saco da minha mãe: quem criou essa conversa de não poder comer carne foi um Papa cujo parente era dono de uma peixaria, e, pra alavancar as vendas dele, o Papa determinou que só podia comer peixe. Daí todos acreditaram e hoje continuamos comendo peixe na sexta-feira da Paixão.
Eu mereço? Não mereço, mas, apesar disso, ela comeu uma bela lasanha a quatro queijos. E tem mais, vai ganhar um ovo sim, mesmo sem patinhas de talco pela casa, tudo bem!, mas eu não abro mão. Se não quiser comer não tem problema, deixa que eu como .... rsssss

2 comentários:

Ralph J. Hofmann disse...

Adriana e os 27 ou 28

Tem umas bolinhas de matzah que comemos numa sopa no pessach que este ano vai ser em abril.
São redondos e não ovais. Mas que tal adotar na páscoa para quem tem medo de espinha.
Pinga de colesterol, pois é feito com gordura de galinha, mas numa canja é um portento!
O próximo prato é "gefillte fish" uma espécie de aspic de peixe. Come-se com raiz forte.
Nada mais adequado, pois a "Última Ceia" era de pratos judeus.
O "chocolatl" só aparece após o século XVI.
E os russos usam como festa da ressureição ovos de verdade e frutas redondas, simbolizando a Ressureição, ou seja Purim ( que celebra a vitória da rainha Ester sobre os comlôs de Haman)quando se festeja com doces e frutas, que é hoje.
As opções são muitas. Por que um festival achocolatado?
Aliás sugiro como leitura desta época do ano "Ressureição"de Leon Tolstoy. Um livro menos conhecido mas uma das suas melhores obras, aliás o último romance que escreveu.

ma gu disse...

Alô, Ralph.

Grato pela delicadeza. Apesar de demorar um pouco, já desejo que o Pesach lhe seja alegre.
Aos cristãos, FELIZ PÁSCOA.
A todos os outros, que o feriado tenha sido bom...