20 de mar. de 2008

Tibete, omissão?

Por Orlando Sabka - Rondonópolis/MT

Em 7 de outubro de 1950 o exército comunista chinês invadiu o Tibete. Após oito meses da ofensiva chinesa, em maio de 1951, as partes “assinam” um “Acordo em Dezesseis Pontos”. A China se comprometeu a respeitar as tradições religiosas e a liberdade do povo tibetano, a preservar o seu sistema político, a desenvolver a sua identidade e a promover a sua língua. Tudo não passou de um engodo. Na verdade isso foi o início da ocupação e da destruição sistemática do Tibete e que perdura até os dias atuais.
Apenas para lembrar, em junho de 1956, o exército chinês bombardeou e destruiu por completo o Mosteiro de Lithang, em represália contra uma ofensiva tibetana de libertação. Em 1959 o Dalai Lama vai para o exílio em face de o exército chinês querer capturá-lo e contesta o “Acordo em Dezesseis Pontos”, como uma farsa, pois tanto a sua assinatura como o seu selo foram forjados em Pequim, conforme suas próprias palavras.
Em 1980 uma delegação tibetana, a pedido do Dalai Lama, com o consentimento do governo chinês, pode visitar o Tibete. Onde havia o mosteiro encontraram apenas uma montanha de escombros. Ali souberam que o governador de Lithang foi torturado até morrer em praça pública e que monges e freiras, às centenas, foram massacrados. Acampamentos de nômades e refugiados foram metralhados e bombardeados pela aviação chinesa. Milhares de pessoas foram mortos, inclusive nos campos de trabalho.
Não existem dados oficiais da população do Tibete antes ou durante a ocupação chinesa, mas antes de 1949 calcula-se que era de seis milhões de habitantes e que, num estudo apresentado pelos chineses em 1982, havia 3.870.000, numa nítida demonstração da incorporação de diversas províncias tibetanas às chinesas.
Estima-se em 1.200.000 vítimas, cujo número as autoridades chinesas não confirmam, mas somente a confirmação dos tibetanos. Centenas de milhares são vítimas da guerra, prisões, torturas, perseguições e fome. O governo chinês nunca confirmou o número de tibetanos desaparecidos nas regiões incorporadas. O silêncio é total e o mundo “civilizado” permanece calado, alheio a esses crimes bárbaros praticados pela China comunista.
Na prisão chinesa de Chiujin, em 1957, 300 prisioneiros tibetanos encontravam-se entre os prisioneiros chineses e após quatro anos, apenas dois conseguiram sobreviver às torturas, aos trabalhos forçados, à fome e aos espancamentos.
No Tibete havia 600.000 monges antes de 1950. Com a ocupação chinesa, a maioria deles foi detida, posta em prisões e massacrada. O mesmo aconteceu com as freiras. A maioria dos mosteiros foi esvaziada de todos os seus ocupantes e de seus objetos sagrados, os quais foram vendidos pelo governo chinês em Hong-Kong e outras cidades.
As sessões de torturas nas prisões do Tibete persistem desde 1950 e continuam nos dias atuais. Abortos são praticados desde 1955 contra as mulheres tibetanas, como também a esterilização, mas incentivam a união entre tibetanas e chineses. Em 1994 a única escola tibetana não governamental foi fechada. São um povo afligido pela opressão de Pequim (vigiados, coagidos, reprimidos, mortos e com sua religião menosprezada).
Na verdade, o Tibete não tem valor econômico e estratégico para o Ocidente. Ninguém se importa com um povo que não tem petróleo ou outras riquezas, além das maiores montanhas do mundo e sob dominação chinesa, que, por sua vez oferece um imenso mercado para o capital ocidental, a própria China socialista, mesclada ao capitalismo. Temos aí uma amostra da hipocrisia do poder, dos “libertadores” de plantão, em que mais uma vez fica claramente demonstrado que a vida humana é o que menos importa.

3 comentários:

ma gu disse...

Alô, Adriana.

Há um dito antigo que diz que quem faz acordo com comunista não gosta do próprio c...
Não que faça qualquer diferença para o nosso país, porque acordos entre governos comunistas e governos petistas vem a dar no mesmo monturo. Mas quando dois lobos fazem acordo, sempre o lobo maior vai levar vantagem. Que me perdoem os animais, por usar a comparação.
E vai uma piadinha antiga:
Luizinho, garoto de lingua presa, foi flagrado pelo padre, atrás da igreja, sendo sodomizado pelo Toninho. O padre, escandalizado, dá uma bronca nos dois, dizendo que aquilo era uma vergonha, etc. Luizinho, olhando para o padre, pergunta:
- O tú é teu? Totinua, Toninho!

Cantinho do Joe disse...

Adriana,envolvente o artigo do Orlando.Ipressionante a defesa da vida humana.
Como ele é meu vizinho de bairro e conheço-o bem,gostaria que vc perguntasse a ele o que acha do governo Blairo.Vc vai ficar louca.He,he...

Ralph J. Hofmann disse...

SEm querer ser chato e já sendo, o Acordo era de 17 pontos.
No tempo que a CIA era OSS ainda, um emssário da OSS aprovado pelo Truman conseguiu a duras penas ser recebido pelo Dalai Lama então criança.
Avisou sobre o que poderia esperar da China. Mas sendo pacifistas o conselho de monges decidiu não fazer nada.
Praticamente o único templo que resta é o principal, de Potala. Alguns estão sendo restaurados para aproveitar o turismo dos Budista de todo o mundo.